Botafogo empata com o Bragantino e se aproxima da parte de baixo da tabela


Botafogo empata com o Bragantino diante de sua torcida e se complica no Brasileirão

O Botafogo recebeu o Red Bull Bragantino neste sábado (12), no Estádio Nilton Santos, às 20h30, em partida válida pela vigésima sétima rodada do Campeonato Brasileiro. O alvinegro empatou com a equipe paulista em 1 a 1 e o gol botafoguense foi marcado por Vitinho.

Vítor Silva

Chegamos para mais um! Cada vez mais esses textos assumem um tom melancólico. Arrisco a dizer que já somos, praticamente, um muro de lamentações. É difícil para o torcedor assimilar essa mentalidade medíocre, lógico, mas acredito que as vezes chegamos no ponto em que nos encontramos agora: torcendo incessantemente para o pior não acontecer.

Lutar apenas pela permanência na série A é o atestado definitivo de incompetência. Não que esperássemos um cenário muito diferente, com um roteiro heroico e um triunfo moral no final de tudo, mas ainda sim, mesmo no inconsciente, esperávamos mais. Até porque, o Botafogo é essa mistura de incertezas e resoluções milagrosas que nos levam a pensar que tudo é possível, mesmo quando a realidade se apresenta dilacerante.

Mas agora tudo ficou ainda mais complicado. As dificuldades se afunilaram mais do que pensávamos e, por isso, lutar para sobreviver pode ser o grande ato dessa temporada tão decepcionante. Está bem claro que o Botafogo agora só tem a sua torcida para se “agarrar”. Como uma âncora que não deixa o barco afundar, nós teremos que fazer parte dessa tripulação do começo ao fim, esperando que no final haja uma terra firme e que ela represente um recomeço. Mais um, aliás.

Parafraseando a diva pop Demi Lovato, começo a achar que estamos ficando especialistas na arte de começar de novo. E de novo. E de novo. E de novo.

DE OLHO NA PARTIDA

O Botafogo começou melhor, ocupando mais o campo de ataque e tentando acelerar as jogadas pelos lados. A impressão inicial, porém, durou pouco. O Bragantino rapidamente equilibrou a partida e passou a mostrar mais qualidade na circulação da bola, enquanto o Botafogo recuava e encontrava dificuldade para pressionar a saída adversária. Começou bem, mas logo deixou de controlar o jogo.

Depois de algumas finalizações nos primeiros minutos, os donos da casa passaram a sofrer com a troca de passes do Bragantino. Foi assim que surgiu a primeira boa oportunidade dos paulistas: Wallace Yan apareceu na área e cabeceou para boa defesa de Gabriel Batista. O goleiro precisou trabalhar porque a marcação, naquele momento, já começava a dar sinais de desorganização.

O gol saiu aos 30 minutos. O atacante do Bragantino recebeu pela direita, arrancou com espaço e cruzou para dentro da área. Na tentativa de afastar, Lucas Monzón desviou contra o próprio gol. O lance teve o azar do gol contra, mas a origem da jogada é mais preocupante: o adversário conseguiu avançar pelo setor direito e colocar a bola na área sem grande dificuldade.

Nos acréscimos, veio o lance mais importante do primeiro tempo. O camisa 47 acertou Fabinho e, inicialmente, o árbitro não marcou a falta. O VAR chamou para a revisão, e o cartão vermelho acabou confirmado. O jogador deixou o campo chorando e, no caminho para o vestiário, levantou o calção e mostrou a tatuagem da Libertadores para a torcida do Botafogo. Um detalhe curioso de uma expulsão que mudaria completamente o cenário da partida.

Com um jogador a mais, o Botafogo voltou para o segundo tempo tendo uma obrigação clara: aproveitar a vantagem numérica. E não demorou para conseguir pelo menos o empate. Aos 11 minutos, Vitinho subiu bem após cruzamento e cabeceou para o fundo das redes de Thiago Volpi.

O empate mudou o comportamento do Botafogo, que passou a pressionar mais e encontrou espaço para finalizar. Menos de dois minutos depois, Danilo Pereira recebeu em boa condição e obrigou Volpi a fazer uma bela defesa. Na sequência, o Botafogo ainda teve outras duas oportunidades importantes. O problema passou a ser menos a criação e mais a conclusão das jogadas.

O Bragantino, mesmo com dez, conseguiu encontrar alguns espaços no contra-ataque. Em uma dessas jogadas, Lucas Barbosa recebeu a sobra completamente livre dentro da área do Botafogo. Teve tempo para finalizar, bateu forte, mas mandou por cima do gol de Gabriel Batista. Um aviso bastante claro de que o time paulista ainda conseguia chegar, mesmo em inferioridade numérica.

A partir daí, o Botafogo manteve maior posse de bola e passou a jogar praticamente todo o restante da partida no campo ofensivo. Mas o domínio territorial não se converteu em volume de chances proporcional à vantagem que tinha. O Bragantino conseguiu se defender, fechar os espaços e diminuir a velocidade das jogadas alvinegras.

E esse foi o principal problema do segundo tempo: o Botafogo teve um jogador a mais por praticamente toda a etapa, mas não conseguiu transformar a superioridade numérica em superioridade suficiente no placar. A equipe pressionou, circulou a bola e chegou algumas vezes, mas faltou mais objetividade no último terço do campo.

O Bragantino, por sua vez, terminou a partida com menos posse, mas ainda conseguiu ameaçar quando encontrou espaço. O Botafogo teve mais controle territorial depois da expulsão, enquanto os paulistas apostaram principalmente nas transições. No fim, a partida terminou empatada, com o time alvinegro tendo a maior parte da posse no segundo tempo, mas sem conseguir produzir o suficiente para confirmar a virada.

SE NÃO MUDAR, VAI COMPLICAR

O que mais incomoda em tudo isso é o tamanho do retrocesso. Depois de 2024, não esperávamos que o Botafogo simplesmente repetisse aquela temporada — mas esperava, no mínimo, que soubéssemos aproveitar o que foi construído.

A conquista da Libertadores e do Brasileiro deveria ter servido como ponto de partida para uma nova realidade do clube, e não como um breve intervalo antes de voltarmos a discutir crise, instabilidade e luta contra o rebaixamento. É frustrante porque não estamos falando de um passado distante: faz pouco tempo que esse mesmo Botafogo nos mostrou que podia competir no mais alto nível.

Hoje, porém, parece novamente preso aos problemas que tantas vezes impediram o clube de avançar. E, para mim, é justamente isso que torna essa temporada tão decepcionante: não é apenas estar na parte de baixo da tabela, mas a sensação de que, depois de finalmente chegarmos ao lugar que sempre quisemos, não soubemos permanecer lá. Ou melhor, não permitiram que tivéssemos essa sequência. A sensação é que estaremos sempre à mercê da ganância de quem tem o controle administrativo do clube.

No final, só espero que não sucumbamos. Mais uma vez, precisaremos resistir! Deus nos ajude!

PRÓXIMA PARTIDA

O Botafogo volta a campo na quarta-feira (16), no estádio Nilton Santos, em horário ainda não definido, em duelo válido pela vigésima primeira rodada, anteriormente adiada. Vamos juntos, meu Glorioso! Contra tudo e contra todos!

Por Julia Aveiro

Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo


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