Brasil dá adeus ao sonho do hexa


Seleção brasileira é superada pela Noruega nas oitavas de final e vê o sonho do hexa ficar para 2030

Saudações, amantes de futebol!

Acabou. E talvez o mais doloroso nem seja a eliminação em si, mas perceber que ela não surpreendeu ninguém. Faz tempo que temos essa sensação, né? De um roteiro que se repete mais uma vez.

A Seleção Brasileira está fora da Copa do Mundo de 2026 depois da derrota por 2 a 1 para a Noruega, no MetLife Stadium, em Nova Jersey.  Com dois gols do “temido” Erling Haaland, o atacante decidiu a partida e confirmou a classificação europeia.

Foto: Getty images

Todo mundial começa com esperança renovada, promessas de mudança, discursos sobre reconstrução e a famosa frase: “agora vai”. Mas aí chegam os jogos decisivos e a realidade aparece.

Dessa vez, ela apareceu vestida de vermelho e com o nome de Haaland nas costas.

O início do jogo até deu a impressão de que poderia tomar outro caminho. Bruno Guimarães teve a chance de colocar o Brasil em vantagem ainda no primeiro tempo, mas desperdiçou a cobrança de pênalti. 

Endrick também teve uma oportunidade clara. Só que seria injusto colocar a queda nas costas de um jogador ou outro. A eliminação foi muito maior que isso. Aos poucos, a partida foi ficando com a cara que a Copa do Brasil teve inteira: um time sem controle, sem equilíbrio e sem identidade clara.

Na segunda etapa, a Noruega simplesmente tomou conta do jogo. Dominou a posse, trocou mais que o dobro de passes e fez o Brasil correr atrás da bola. 

Em alguns momentos, era difícil acreditar que a Seleção pentacampeã mundial era quem estava perdida em campo. Enquanto os noruegueses estavam organizados, confortáveis e sabendo exatamente o que fazer, o Brasil parecia um time procurando respostas que nunca encontrou.

E quando a partida pediu alguém decisivo, apareceu Haaland. Dois gols, classificação garantida e mais um trauma brasileiro em Copa do Mundo.

CBF via instagram

Mas talvez a dor do torcedor não esteja só no placar. Está no cansaço.

Porque já faz tempo que o problema deixou de ser apenas dentro das quatro linhas. O que se vê em campo é consequência direta de um ambiente que há anos vive em instabilidade.

A CBF atravessou ciclos marcados por crise política, mudanças de gestão e decisões que nunca conseguiram apontar para uma direção única. Faltou projeto, sobrou improviso.

O Brasil passou por quatro treinadores em menos de quatro anos: Ramon Menezes, Fernando Diniz, Dorival Júnior e Carlo Ancelotti. Cada um com uma ideia diferente, chegando em momentos diferentes, sem tempo real de construção. Não existe identidade que sobreviva a tanta troca.

Mais do que nomes, o problema é a ausência de direção. Cada tentativa parece começar do zero, como se a Seleção estivesse sempre recomeçando e nunca evoluindo.

E isso aparece em campo.

Um meio-campo desconectado, dificuldades na construção ofensiva, pouca consistência defensiva em momentos decisivos e uma dependência crescente de soluções individuais. Não é apenas um detalhe técnico, é reflexo direto de um trabalho que não se consolida.

Fora que, Ancelotti também tem sua parcela de responsabilidade. Algumas escolhas durante a Copa pareceram insistência por nomes, e não por desempenho. 

A aposta em Danilo em uma posição fragilizada, a manutenção de Casemiro em um meio-campo que claramente sofria fisicamente e a tentativa de encaixar Neymar a qualquer custo acabaram desmontando o pouco de equilíbrio que a equipe ainda apresentava.

E como se não bastasse, depois da eliminação, a ausência do treinador diante da imprensa deixou uma sensação amarga. O torcedor merecia respostas. Merecia ouvir diretamente de quem comandou o projeto quais foram os critérios, os erros e as justificativas para um trabalho que terminou cedo demais.

O Brasil agora chega a 24 anos sem conquistar uma Copa do Mundo e amplia um dado que assusta: SÃO SEIS eliminações seguidas para seleções europeias em jogos de mata-mata. Antes, a Seleção caiu para França, Holanda ou Alemanha.

Não é só perder. É perceber que o torcedor brasileiro está começando a se acostumar com a decepção.

A eliminação não pode ser tratada apenas como mais um resultado de Copa do Mundo. Ela expõe um ponto de esgotamento. Um ciclo que já não se sustenta como antes e que pede mais do que ajustes pontuais ou mudanças superficiais. 

Precisamos repensar o nosso caminho de forma profunda, desde a organização fora de campo até as escolhas dentro dele. Não se trata apenas de trocar nomes ou corrigir detalhes, mas de reconstruir uma identidade que se perdeu ao longo dos últimos anos.

Porque, em algum momento, continuar insistindo no mesmo modelo deixa de ser continuidade e passa a ser repetição. E estamos cansados disso.

Enfim, até 2030!

Getty Images

Por Thayná Carvalho

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo


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