Entre a classe suíça e a irreverência colombiana, uma das seleções dará adeus à Copa nesta terça-feira
Chegou a hora do mata-mata, e talvez esse seja um daqueles jogos que já deixam uma pontinha de tristeza antes mesmo da bola rolar. De um lado, a Suíça, organizada, elegante e cada vez mais confiante. Do outro, a Colômbia, intensa, irreverente e cheia de jogadores que parecem carregar uma energia diferente em campo. Para mim, são duas seleções que encantaram durante essa Copa tão inesperada, de tantas surpresas, e a eliminação de qualquer uma delas certamente deixará a competição um pouco menos interessante. São duas equipes que jogaram para frente, que buscaram o resultado e que chegaram às oitavas de final por mérito, mostrando um futebol agradável de assistir.
Suíça e Colômbia se enfrentam nesta terça-feira (7), às 17h (horário de Brasília), no BC Place, em Vancouver, valendo uma vaga nas quartas de final da Copa do Mundo. Quem avançar enfrentará o vencedor do confronto entre Argentina e Egito. A partida terá transmissão da Globo, SporTV e CazéTV.

A Suíça chega embalada por uma campanha bastante consistente. Depois de estrear com um empate frustrante diante do Catar, quando dominou completamente o jogo e sofreu o empate apenas nos acréscimos, a equipe respondeu da melhor maneira possível. Primeiro goleou a Bósnia por 4 a 1 e depois passou com tranquilidade pela Argélia, mostrando uma seleção muito mais agressiva ofensivamente do que aquela que o torcedor acostumou a ver em Copas anteriores.
Muito desse crescimento passa pelo trabalho de Murat Yakin e também pelo surgimento de Johan Manzambi. O jovem de apenas 20 anos virou um dos grandes nomes desta Copa do Mundo e parece confirmar que a Suíça encontrou mais uma geração capaz de competir em alto nível. Ao lado da experiência de Granit Xhaka, Akanji, Embolo e Ricardo Rodríguez, Manzambi representa justamente aquilo que talvez faltasse aos suíços em outros Mundiais: um jogador capaz de desequilibrar individualmente uma partida.
Do outro lado está uma Colômbia que também chega invicta e cheia de moral. Os colombianos lideraram um grupo complicado, que contava com Portugal, RD Congo e Uzbequistão, e depois superaram Gana por 1 a 0 na fase anterior. É uma seleção que mistura a experiência de James Rodríguez com a velocidade de Luis Díaz, a intensidade de Richard Ríos e o talento de Jhon Arias, formando um time muito vertical e que costuma acelerar bastante o jogo quando recupera a posse de bola.

Mas nem tudo são boas notícias para os cafeteros. Às vésperas do confronto, James revelou que parte do elenco enfrenta um surto de gripe, problema que vem causando desgaste físico em diversos jogadores. Além disso, a equipe perdeu Jhon Córdoba por lesão muscular, obrigando Néstor Lorenzo a reorganizar o setor ofensivo. A tendência é que Luis Suárez assuma a vaga no ataque.
As duas equipes chegam praticamente com força máxima dentro das possibilidades. A Suíça não possui desfalques e deve repetir a base que vem encantando na competição, com Kobel; Widmer, Akanji, Elvedi e Ricardo Rodríguez; Xhaka e Freuler; Ndoye, Aebischer e Manzambi; Embolo.
Já a Colômbia deve entrar em campo com Camilo Vargas; Daniel Muñoz, Davinson Sánchez, Lucumí e Johan Mojica; Jefferson Lerma, Richard Ríos; Jhon Arias, James Rodríguez e Luis Díaz; Luis Suárez.
Existe ainda um ingrediente histórico que torna o duelo ainda mais interessante. A Suíça tenta alcançar as quartas de final pela primeira vez desde 1954, justamente quando sediou a Copa do Mundo. Já a Colômbia busca repetir a campanha de 2014, no Brasil, até hoje considerada a melhor de sua história em Mundiais. Ou seja, não é apenas uma vaga que está em jogo. É também a oportunidade de escrever mais um capítulo importante na trajetória dessas duas seleções.
Confesso que, como espectadora, esse talvez seja um dos confrontos que eu mais aguardava nesta fase eliminatória. Não apenas pela qualidade técnica, mas porque são duas equipes que parecem entender o espírito de uma Copa do Mundo: competir sem medo, jogar para vencer e respeitar sua própria identidade. Em um Mundial que já derrubou favoritos e mostrou que camisa pesa menos do que organização e entrega, Suíça e Colômbia chegam como candidatas reais a surpreender ainda mais.
No fim das contas, resta saber o que vai prevalecer em Vancouver. A organização quase cirúrgica da Suíça ou a irreverência colombiana, que tantas vezes transforma talento em espetáculo. Independentemente do resultado, fica a sensação de que uma seleção que fez por merecer seguirá sonhando, enquanto outra deixará a Copa talvez antes da hora. E isso, por si só, já mostra o quanto o mata-mata consegue ser tão cruel quanto apaixonante.
Por Laura Assis Ferreira
*Esclarecemos que os textos publicados nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.