França vence a catimba paraguaia e o racismo de Chilavert para avançar no Mundial
A partida entre França e Paraguai, pelas oitavas de final da Copa do Mundo 2026, disputada neste sábado (4), foi um típico duelo de ataque contra defesa. Tentando frear outra favorita, a Albirroja passou a maior parte do tempo postada inteira na defesa. Sem conseguir infiltrar e usar seu talento, os Bleus contaram com uma ajudinha do banco de reservas: Doué entrou, rasgou a defesa adversária e sofreu a penalidade que resolveu a disputa. Gol de Mbappé e França classificada.

Praticando, com certeza, um dos melhores futebóis desta Copa, a França sabia as dificuldades que enfrentaria. Com DNA sul-americano, os paraguaios jogaram “à la Libertadores”, fechados com linhas de 5 e 4 jogadores na defesa, apostando na sobra e no contra-ataque. Por vezes, os 11 paraguaios apareciam na linha defensiva, formando um verdadeiro pelotão.
A catimba imperou. Enquanto Barcola, Olise, Dembelé e Mbappé tentavam furar o bloqueio latino, a Albirroja apostava em faltas duras. Cáceres e Galarza estavam sempre no “bolinho”, no empurra-empurra. Didier Deschamps, que não é bobo nem nada, tentava conter os ânimos franceses, pedindo concentração aos atletas.
Perseguido, sempre sofrendo faltas e até mesmo a deslealdade paraguaia, restou a Mbappé sorrir. Determinado e pronto para a guerra, o camisa 10 não caiu nas provocações. Os franceses souberam sofrer e foram coroados com a classificação.
Após um primeiro tempo sem grandes emoções, na etapa final, Barcola deu lugar a Doué. Com poucos minutos em campo, a jovem promessa do PSG foi derrubada na área por Diego Gómez. O árbitro, que muitas vezes deixou faltas claras passarem, não viu e mandou seguir. No entanto, o VAR recomendou a análise do lance e o pênalti foi assinalado. Mbappé partiu para a cobrança e guardou.
Depois do gol, a França respondeu à pancadaria adversária com deboche. Mbappé tentava driblar sabendo que provocaria os adversários. Deu certo, e as faltas se acumularam, amarrando ainda mais o duelo. Era a catimba europeia, com franceses demorando a se levantar após faltas, além da distribuição de pancadas de Olise e Koné, que acabaram amarelados.

Depois de duelos tranquilos, a França soube sofrer. Faltava um jogo que testasse os limites dos Bleus. Agora não falta mais. A equipe de Deschamps sabe sofrer, sabe guerrear.
Fora das quatro linhas, o clima também ferveu. Chilavert, ex-goleiro da Albirroja, disse em tom xenófobo e racista que o Paraguai enfrentaria uma “seleção da África”. A frase veio em resposta ao ex-atacante Christophe Dugarry, que havia apostado que a França humilharia o adversário. Os Bleus têm, sim, sangue africano e ascendência africana, e usaram isso como combustível para se classificar. Tentar diminuir o poder de uma equipe se baseando nas raízes dos atletas é deprimente e desrespeitoso, mas a melhor resposta veio dentro de campo.
Agora, os franceses encaram o Marrocos, enquanto os paraguaios voltam para casa. A partida válida pelas quartas de final será na quinta-feira, às 17h (de Brasília), em Boston.
Por Mariana Alves
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do Portal Mulheres em Campo