Harry Kane brilha, Inglaterra vira o jogo nos minutos finais e se classifica para as oitavas da Copa do Mundo
A Inglaterra enfrentou a República Democrática do Congo nesta quarta-feira (1), em Atlanta, às 13h (horário de Brasília), em partida válida pela fase de 16-avos de final da Copa do Mundo da FIFA de 2026. Os ingleses venceram o confronto de virada, com dois gols de Harry Kane.

Quantas vezes na vida você escutou que tudo muda em um “estalar de dedos”? Acredito que inúmeras. Agora, quantas coisas você já pensou que pudessem acontecer em uma partida de futebol que já se encaminhava para uma resolução que não parecia fugir do que parecia ser o mais justo?
Acontece que o futebol foge do lógico em momentos que a razão parece prevalecer. Se bobear, ele vai lá e surpreende. Onde se espera o epílogo, ele acrescenta um capítulo no livro de coisas improváveis.
E foi dessa forma que a Inglaterra chegou. Teve sofrimento, teve improviso, força coletiva e também teve um craque disposto a salvar a noite de uma nação e a prolongar o sonho que apenas uma competição que acontece de 4 em 4 anos pode proporcionar.
Mesmo em meio ao nervosismo e a uma atuação não tão boa, saber se adaptar ao imprevisto também é estratégia dentro das quatro linhas. Resultado: classificação heróica e que fortalece a caminhada.
Dessa vez, calm before the storm ficou mais para storm before the calm. E tá tudo bem! Questione meus métodos, mas não meus resultados.
GIGANTE, Lions!
DE OLHO NA PARTIDA
O duelo começou e diferente do que esperou o técnico da Inglaterra, Thomas Tuchel, a República Democrática do Congo mostrou que ficar na retranca não era uma alternativa passível de consideração.
Desde os primeiros minutos, as duas equipes pressionavam a saída de bola uma da outra. A equipe africana, em especial, tentava encurralar a Inglaterra em seu campo de defesa e era incisiva nas tentativas de desarmar o adversário e sair em contra-ataque.
E foi em uma dessas oportunidades que a defesa inglesa se viu desconsertada. Aos 7 minutos, o capitão Chancel Mbemba levantou para a área, a bola passou por Wissa – destaque da seleção nesta copa– e sobrou para Brian Cipenga, que chutou com personalidade e colocou a RD do Congo a frente no placar.
Inglaterra 0, RD do Congo 1.
Depois do gol sofrido, a Inglaterra tentou reagir, mas era ineficiente ao tentar ultrapassar a defesa do adversário. Depois da parada para hidratação, os Lions conseguiram se organizar melhor, mas quando chegaram com perigo, pararam na grande defesa do goleiro Lioniel Mpasi.
A partir dos 35 minutos, a Inglaterra tentava explorar as laterais do campo com velocidade, procurando o artilheiro Harry Kane perto da grande área, fugindo da marcação pesada proposta pela RD do Congo.
Do outro lado do campo, Wan-Bissaka construiu uma grande jogada: o lateral cruzou para a pequena área e encontrou Wissa, que acertou a trave antes de sair pela linha de fundo.
Na segunda etapa, o jogo continuou muito disputado, mas o domínio inglês era mais do que evidente. A Inglaterra já conseguia se aproveitar do cansaço maior dos congoneses, que já não se expunham tanto e tinham uma marcação mais baixa para evitar deixar espaços para os ingleses trabalharem a bola.
A Inglaterra tentava com Reece e parava na defesa de Mpasi. Também tentava muito com Bellingham, que teve até a mais clara das oportunidades do segundo tempo, aos 8 minutos, impedida pela defesa do goleiro Mpasi.
Por mais difícil que fosse, o elemento surpresa dos ingleses tem nome, sobrenome e aparece quando mais precisam. Sim, ele mesmo, o furacão Harry Kane. Na marca dos 30 minutos, os africanos já não conseguiram segurar o talento e a maestria do artilheiro. Anthony Gordon fez o levantamento e colocou a bola na cabeça do camisa 9 da Inglaterra, que testou forte para o fundo da rede. O goleiro congolês chegou a encostar na bola, mas não evitou o gol inglês.
Inglaterra 1, RD do Congo 1.
O gol de empate reacendeu a esperança. A Inglaterra se lançava para o ataque incessantemente. Na mistura do nervosismo e da eficiência, os ingleses tentavam achar um equilíbrio. E, honestamente, quem mais poderia guiar os Three Lions nessa missão tão árdua senão o segundo maior artilheiro da seleção?
Sim, ele mesmo, o gênio Harry Kane, que aos 41 minutos recebeu a bola na entrada da área, carregou para a direita e chutou tão forte que o goleiro não teve nem chance de fazer um “milagre”.
Inglaterra 2, RD do Congo 1.
Nos pés do craque, uma luz. No “olho” do Furacão, uma nova chance de sonhar.

CONSIDERAÇÕES
A Inglaterra chegou! Venceu! Se superou! Se reinventou! Tudo isso em 90 minutos. Quando as circunstâncias se tornaram adversas, recalcular a rota foi a parte essencial.
Porque a gente sabe, lá no fundo, que saber lidar com o não planejado é o que conta na Copa do Mundo. Ter o melhor time, o melhor técnico, a melhor estrutura com certeza te coloca um passo à frente dos demais, mas nada adianta se você não souber lidar com essa vantagem.
A Inglaterra provou que o coletivo constrói bons resultados e que a soma de talentos que entendem o peso de cada partida é o caminho mais óbvio para o sucesso. Mas além disso, a seleção também entendeu que sempre há tempo para reformular o estilo de jogo e a postura.
Como um grande diferencial, a equipe ainda conta com o craque decisivo Harry Kane, que está sempre no lugar certo e na hora certa. Um jogador que traduz o espírito de vitória e arrasta o exemplo de liderança por onde passa. O maior artilheiro da história da Inglaterra em Copas do Mundo, agora com 13 gols, também se consagra como goleador da temporada, com 72 gols, sendo dono do segundo maior recorde da história.
Ele sempre estará lá. Quando a sua gente precisar então…não precisa nem pensar duas vezes.
HurriKane, maybe you’ll always be the one that saves us.
E seguimos, Inglaterra! We are a wonderwall to each other!

PRÓXIMO JOGO
A Inglaterra volta a campo no domingo (5), para enfrentar o México, no estádio da Cidade do México, às 21h (horário de Brasília) em partida válida pelas oitavas de final da Copa do Mundo da FIFA 2026.
Football’s coming home! (I can feel it)
Por Julia Aveiro
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo