Acerto de contas resolvido


Espanha bate a Áustria, espanta vergonha de 78 e avança para as oitavas

Foto: SEFutbol

Algumas partidas valem muito mais do que uma classificação. Para a Espanha, o duelo diante da Áustria carregava um peso que atravessava gerações. Os jornais espanhóis fizeram questão de lembrar da Copa do Mundo de 1978, quando os austríacos derrotaram a Fúria por 2 a 1 e encerraram precocemente a campanha espanhola naquele Mundial.

Quase cinco décadas depois, o destino resolveu cruzar novamente os caminhos das duas seleções. Desta vez, porém, a história foi escrita de outra forma.

Nesta quinta-feira (2), Espanha e Áustria entraram em campo valendo vaga nas oitavas de final, e o favoritismo espanhol apenas se confirmou dentro das quatro linhas. Vitória por 3 a 0, classificação garantida e um acerto de contas finalmente resolvido.

Apesar de terem feito uma fase de grupos dentro do esperado, os austríacos sabiam da dificuldade que teriam neste duelo, principalmente diante de uma seleção recheada de talento individual. Do outro lado, a Espanha também chegava pressionada. Mesmo invicta, a equipe de Luis de la Fuente ainda não havia convencido nesta Copa do Mundo e precisava mostrar evolução justamente quando o torneio entrava em sua fase decisiva.

Quando a bola rolou, tivemos praticamente um ataque contra defesa. A La Roja dominava a posse de bola, mas seguia encontrando dificuldades para transformar esse domínio em oportunidades claras diante de uma Áustria completamente fechada, que apostava em um contra-ataque ou em qualquer erro espanhol.As poucas chances criadas paravam em Schlager, enquanto a defesa austríaca afastava praticamente tudo. A bola de Cucurella, que chegou a entrar, acabou anulada por falta no goleiro.

A partida caminhava para o intervalo sem alterações no placar, até que, aos 35 minutos, apareceu o artilheiro Oyarzabal. Após um cruzamento na medida, o camisa 21 colocou a bola no fundo das redes e levou tranquilidade para uma equipe que começava a demonstrar certa ansiedade.

A vantagem deixou os meninos de Luis mais soltos em campo. Baena acertou um balaço na trave; um verdadeiro pecado, enquanto Yamal seguia chamando a responsabilidade, distribuindo o jogo, fazendo estragos e buscando criar espaços na defesa austríaca.

Foto: SEFutbol

Se no primeiro tempo a Espanha controlava a partida, na etapa final ela passou a dominar completamente o confronto.Rodri e Pedri assumiram o meio-campo, Baena cresceu ainda mais no jogo e Yamal começou a encontrar espaços que não existiam antes. O jovem não marcou, mas voltou a ser o jogador mais criativo da equipe, flutuando pelo ataque e obrigando a defesa austríaca a viver em constante alerta.

Aos 20 minutos, Baena encontrou Pedro Porro com um cruzamento perfeito. O lateral apareceu livre para testar firme e praticamente colocar a Fúria nas oitavas de final.Mais do que ampliar a vantagem, aquele gol colocava fim a um incômodo tabu. Desde a conquista da Copa de 2010, os espanhóis não sabiam mais o que era vencer uma partida de mata-mata em Mundiais.

As chances continuaram aparecendo, mas faltava o último capricho. Ora era Schlager salvando a Áustria, ora os defensores apareciam para afastar o perigo. Até mesmo Yamal, eleito o melhor jogador da partida, parou na boa atuação da defesa adversária e deixou o gramado sem balançar as redes.

O duelo já caminhava para o fim quando, aos 43 minutos, brilhou novamente a estrela de Oyarzabal. Após mais uma grande jogada de Cucurella, o atacante apareceu livre para marcar seu segundo gol e fechar a vitória por 3 a 0.

Foto: SEFutbol

Talvez essa tenha sido, enfim, a atuação que o torcedor espanhol esperava desde o início da Copa do Mundo.Ainda existem ajustes a serem feitos, mas finalmente deixamos de ver aquela Espanha cansada dentro das quatro linhas. O meio-campo voltou a funcionar, a defesa segue extremamente sólida e o ataque mostrou muito mais confiança para decidir a partida.

Além da classificação, a La Fúria chegou ao quarto jogo consecutivo sem sofrer gols, com Unai Simón ampliando sua sequência de invencibilidade e contando também com o excelente desempenho de toda a linha defensiva, principalmente do jovem Pau Cubarsí.

Se na fase de grupos a Espanha convenceu pouco, no primeiro mata-mata deu o recado que seu torcedor esperava: quando a Copa entra na fase decisiva, a La Fúria também começa a crescer.Enquanto a Áustria se despede da competição, os espanhóis agora realizam um grande duelo contra o Portugal, pelas oitavas de final.

O desafio aumenta, mas, pela primeira vez neste Mundial, a sensação é de que a Espanha começa a reencontrar o futebol que a colocou entre as grandes favoritas ao título.

Por: Thais Santos

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo


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