O Congo vence o Uzbequistão, emociona do primeiro ao último minuto e escreve um novo capítulo da sua história
A RD Congo venceu o Uzbequistão por 3 a 1 neste sábado (27), no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, e fez história ao garantir, pela primeira vez, a classificação para o mata-mata da Copa do Mundo. O duelo, válido pela terceira e última rodada do Grupo K da competição, confirmou a seleção africana na fase eliminatória do Mundial.

O jogo
Se havia uma seleção que entrou em campo com o coração na mão, era a República Democrática do Congo.
Depois de uma campanha marcada por superação, os Leopardos sabiam que apenas a vitória manteria vivo o sonho de continuar na Copa do Mundo.
E eles corresponderam.
Do primeiro ao último minuto, foi um jogo intenso, disputado e carregado de emoção. Não houve espaço para respirar. Cada ataque parecia decisivo. Cada desarme era celebrado como um golo. Era o tipo de partida que faz qualquer amante do futebol permanecer de pé até ao apito final.
O Uzbequistão vendeu caro a derrota.
Mesmo já eliminado, nunca deixou de lutar, tornando a missão congolesa ainda mais difícil.
Mas o Congo mostrou algo que caracteriza as grandes equipas.
Resiliência.
Quando precisou sofrer, sofreu. Quando precisou atacar, atacou. E quando teve a oportunidade, foi letal.
A vitória por 3-1 foi construída com coragem, personalidade e uma vontade enorme de continuar a sonhar.

Quando o árbitro encerrou a partida, não houve apenas uma comemoração.
Houve um desabafo.
O desabafo de um país que esperou décadas para voltar a uma Copa do Mundo e que agora vê a sua história ganhar mais um capítulo inesquecível.
Os Leopardos seguem vivos. Seguem a acreditar. Seguem mostrando ao mundo que nunca deixaram de sonhar.
Os 16 avos de final já esperam por esta seleção.
E independentemente do que acontecer daqui para frente, uma coisa já ficou provada.
Este não é o fim de uma história.
É apenas o primeiro passo de um novo começo.
A República Democrática do Congo continua a escrever um sonho que esperou gerações para voltar a ser vivido.
OBRIGADO, UZBEQUISTÃO!

A Copa do Mundo termina, mas o orgulho desta seleção permanecerá para sempre.
Toda Copa do Mundo tem despedidas.
E algumas delas doem mais do que outras.
O Uzbequistão encerra hoje a sua caminhada no Mundial de 2026.
Os resultados não foram suficientes para levar a seleção à próxima fase.
Mas reduzir esta campanha apenas aos números seria profundamente injusto.
Esta equipa entrou em campo representando um país inteiro.Lutou contra adversários fortíssimos. Nunca deixou de competir. Nunca deixou de acreditar.
Mesmo quando a classificação parecia escapar, os jogadores continuaram a correr, a disputar cada bola e a honrar a camisola que vestiam.
É isso que torna o futebol tão bonito.
Nem sempre os vencedores são apenas aqueles que avançam de fase.
Às vezes, vencer também significa inspirar. Significa mostrar coragem. Significa deixar tudo em campo até ao último segundo. Foi exatamente isso que o Uzbequistão fez.

Hoje chega o adeus. Mas também chega o obrigado.
Obrigado pela entrega. Obrigado pela raça. Obrigado por fazer milhões de pessoas acreditarem que o futebol continua a ser muito mais do que resultados.
O sonho termina aqui.
Mas nenhuma grande história acaba numa eliminação. Ela continua na memória dos adeptos. Continua nas crianças que voltaram a acreditar. Continua nos jogadores que certamente regressarão ainda mais fortes.
Até breve, Uzbequistão.
O Mundial despede-se de vocês com respeito. Porque antes de qualquer resultado, vocês foram guerreiros.
Próximo jogo
Após garantir uma classificação histórica para o mata-mata da Copa do Mundo de 2026, a RD Congo volta a campo na próxima quarta-feira (1º), às 13h (horário de Brasília), para enfrentar a Inglaterra. A partida, válida pela segunda rodada da fase eliminatória, será disputada no Lincoln Financial Field, na Filadélfia, e vale vaga nas oitavas de final do Mundial.
Por Clara Bordignon
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo