Turquia vence os EUA no apagar das luzes e salva sua honra em despedida eletrizante


Em noite de reviravoltas e marcado pelo retorno do astro Christian Pulišić e o talento de Arda Güler, seleção turca vence por 3 a 2 no limite dos acréscimos

Na noite desta quinta-feira (25), a Turquia venceu os Estados Unidos por 3 a 2 no SoFi Stadium, em duelo válido pela última rodada do Grupo D da Copa do Mundo de 2026. De um lado, os turcos lutaram desesperadamente pela glória após uma campanha desastrosa, enquanto os americanos pouparam quase toda a sua cavalaria titular de olho no mata-mata. Com momentos de eficiência precoce e apagões técnicos bizarros, muitos passes errados de ambos os lados e jogadas morrendo antes mesmo de chegar ao ataque, o Grupo D finalizou sua campanha com um jogo caótico.

Com os Estados Unidos já classificados na liderança isolada do grupo, o técnico Mauricio Pochettino aproveitou o clima de amistoso para rodar o elenco e testar peças reservas. A Turquia, por outro lado, entrou sob imensa pressão pública por sua eliminação precoce, usando o que tinha de melhor. Diante de uma atmosfera de 70.492 torcedores e sob a agradável noite de 20°C de Los Angeles, os turcos conseguiram evitar um vexame histórico, mas deixaram no ar questionamentos profundos sobre sua gritante desorganização coletiva e dependência extrema de seus prodígios individuais.

Ganhou, mas não levou: seleção se despede do Mundial na lanterna do Grupo D com apenas 3 pontos — Foto: Reprodução: Milli Takimlar/X

O caos aéreo e a faísca de Güler no primeiro tempo

O jogo começou elétrico, mostrando a força do líder do grupo. Logo no primeiro minuto, em cobrança de escanteio de Berhalter, a bola passou rasteira, a zaga turca se embananou e entregou nos pés de Trusty. O defensor mandou uma pancada de perna esquerda, obrigando o goleiro Uğurcan Çakır a espalmar para a linha de fundo.

O castigo não demorou: aos 2’, após nova cobrança de escanteio de Berhaler, Trusty, completamente esquecido pela zaga, recebeu na segunda trave e bateu firme para o fundo das redes: 1 a 0 e o soccer queria mais!

A Turquia, cambaleando coletivamente, parecia presa fácil, mas aos 9’, a joia apareceu. Arda Güler recebeu passe na medida de Yılmaz após uma rápida tabela, venceu a falta de pontaria que assolava a seleção nesta Copa e bateu colocado para empatar. Güler assumiu a responsabilidade de craque no auge de seus 21 anos.

Aos 18’, a partida ganhou contornos de drama quando Berhalter deu uma dividida dura, com os pitons levantados, no tornozelo de Salih Özcan, rasgando até a meia do turco. Por sorte o pé não ficou preso, e o cartão amarelo acabou de bom tamanho, embora em outras condições pudesse ser um vermelho que prejudicaria o soccer americano.

Pouco depois, aos 20’, Güler teve a chance de virar em cobrança de falta promissora, mas chutou direto para fora. Se a estrela do time desperdiça um lance desses, o sinal de alerta acende.

O jogo caiu de produção, mas o hydration break ajeitou os turcos, que passaram a pressionar. Aos 28’, em novo escanteio de Berhalter, Robinson desviou de cabeça e McKenzie empurrou para as redes, mas o lance foi anulado por impedimento claro de McKenzie e Ricardo Pepi.

No minuto seguinte a resposta veio: aos 30’, Yıldız clareou a jogada na esquerda, achou Güler que tocou de primeira para Eren Elmalı, que cruzou firme e na medida para Kökçü escorar, sacramentando a virada turca.

Os minutos finais do primeiro tempo seguiram truncados. Aos 44’, McKennie arriscou um chute forte de fora da área que Çakır espalmou com tranquilidade. Aos 45+2’, em mais um cruzamento de Berhalter, Trusty cabeceou perigosamente por cima do gol, evidenciando as sérias falhas da Turquia na bola aérea.

Para fechar, aos 44+4’, a arbitragem assinalou um impedimento um tanto quanto controverso e mal marcado de Timothy Weah, parando um ataque que prometia muito.

Segundo tempo: Turquia guerreira joga balde de água fria no soccer

O segundo tempo começou em ritmo similar, com a Turquia sonolenta e os Estados Unidos em cima. Se Berhalter fez um primeiro tempo questionável e tenso, ele voltou do intervalo disposto a calar a boca de todos.

Aos 48’, após arremesso lateral longo de McKenzie para a área, a zaga turca afastou mal. A bola ficou viva na entrada da área e caiu nos pés do camisa 14: Berhalter emendou uma pancada de primeira e morreu no canto. Golaço e tudo igual no SoFi Stadium!

Aos 57’, o estádio quase veio abaixo com a entrada de Christian Pulišić no lugar de Weah. O “LeBron James of Soccer” fez seu retorno oficial após se recuperar de uma lesão na panturrilha sofrida na estreia. O camisa 10 organizou o meio-campo com maestria, mostrando sua classe de craque.

Aos 62’, após jogada de Pulišić, a bola desviou na zaga e explodiu na trave de Çakır! Na sobra, Brenden Aaronson pegou o rebote com o gol aberto e mandou para McKenzie, que teve seu chute bloqueado pela marcação.

Após mais uma pausa para hidratação, a Turquia novamente se organizou defensivamente e começou a encontrar brechas. Aos 71’, Kenan Yıldız encarou a marcação pela ponta esquerda e bateu colocado, mas a bola foi para fora. O outro pilar da juventude turca queria o dele, mas pecou no chute.

Aos 76’, Pochettino mexeu: saíram Reyna, Aaronson e Weah — trio que teve atuação bem questionável — para as entradas de Dest, Zendejas e Freeman. Pepi, que foi um verdadeiro cemitério de jogadas o jogo todo, também devia ter saído nessa leva. Logo após as trocas, aos 76’, Sergiño Dest serviu Pulišić, que bateu cruzado tirando tinta da trave.

A pressão americana continuou. Aos 82’, McKennie recebeu na área com chance de finalizar, mas se embananou todo e perdeu a bola, armando um contra-ataque espetacular para a Turquia. Yıldız arrancou e passou para Güler, que limpou os marcadores, mas a zaga americana conseguiu se recuperar a tempo.

Aos 87’, Pulišić buscava espaço na área para bater, mas a arbitragem parou o lance marcando mais um impedimento pra lá de questionável. Já aos 90+4’, Pepi teve a chance de se redimir, mas bateu em cima da defesa e, no rebote, a bola bateu em seu próprio braço, matando mais uma boa chance.

O castigo final veio aos 90+8’, quando o The Last Dance turco se desenhou. Em lateral perto da linha de escanteio, Arda Güler fez uma jogada simplesmente espetacular, aplicando uma caneta humilhante no craque Pulišić. A bola correu para Özcan, que cruzou fechado. Can Uzun escorou para o meio e, após desvio desesperado na linha, Kaan Ayhan empurrou para dentro. GOOOOOOL DA TURQUIIIIIA!!

USMNT fecha a fase de grupos com campanha histórica e descansa a cavalaria para o mata-mata — Foto: Reprodução: USMNT/X

A conquista da honra e trabalho negativo de Vincenzo Montella: como atuou a Turquia

A vitória por 3 a 2 garantiu o objetivo de salvar a dignidade nacional diante de seus torcedores. Montella mandou a campo sua força máxima disponível, enquanto os EUA jogavam totalmente com reservas. Justamente por isso, o resultado não apaga as severas críticas ao trabalho do treinador italiano.

É inevitável questionar: por que a seleção só conseguiu marcar seus primeiros gols e apresentar um futebol competitivo no último jogo, quando já estava matematicamente eliminada? E ainda precisou estourar os acréscimos para bater uma equipe cheia de suplentes.

O desempenho coletivo da Turquia continua desorganizado e sem encaixe tático, evidenciando uma dependência crônica do brilho individual de Arda Güler e Kenan Yıldız. Se não fossem os lampejos geniais de seus jovens prodígios, a Turquia teria saído da Copa com uma vergonha histórica.

Teste de fogo para os reservas: como atuou os Estados Unidos

Para os Estados Unidos, o confronto teve um claro clima de amistoso de luxo, perfeito para testar a profundidade do elenco. No entanto, a comissão técnica precisa acender o sinal de alerta.

Nomes que precisavam mostrar serviço, como Timothy Weah, Brenden Aaronson e Ricardo Pepi, decepcionaram. Weah esteve apático e sem a intensidade física necessária. Aaronson, apesar de correr bastante, falhou na tomada de decisões e perdeu um gol inacreditável com a baliza desguarnecida. Já Pepi foi o retrato do isolamento e da ineficiência no ataque, sendo facilmente anulado pela zaga turca e desperdiçando lances fáceis.

A grande notícia positiva — além do excelente retorno de Christian Pulišić, que mostrou estar recuperado da lesão — foi Sebastian Berhalter. Questionável defensivamente no primeiro tempo por conta de faltas afobadas, ele acabou calando tudo e todos no segundo tempo com um golaço e liderança técnica na saída de bola.

Adeus, Turquia! Hello, Round of 32!

Apesar dos pesares, foi uma bela despedida para a seleção da Turquia. O futebol envolvente que o mundo tanto esperava demorou demais para dar as caras e, infelizmente, quando os rapazes acordaram, já era tarde demais para sonhar. Que essa promissora geração tire lições valiosas deste Mundial e volte revigorada para 2030.

Já para os States, a classificação antecipada garantiu que a party in the U.S.A. continuasse. Agora é hora de focar 100% e entrar de cabeça no round of 32! Os divos entregaram entretenimento, mostraram seu soccer de alto nível para o mundo e agora voltam a campo na próxima quarta-feira (1) contra a Bósnia e Herzegovina no Levi’s Stadium, em Santa Clara. A Bósnia avançou em terceiro lugar, mas chega com moral após eliminar ninguém menos que a Itália na repescagem, então é bom o time de Pochettino se preparar muito bem para não dar zebra no mata-mata!

Por Adrielle Almeida

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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