Fim do sonho para uns, início da história para outros


Bósnia vence o Catar por 3 a 1, elimina os anfitriões de 2022 e fica muito próxima da primeira classificação ao mata-mata de uma Copa do Mundo

Quando apresentei o Catar antes do início da Copa do Mundo, escrevi que a seleção buscava provar que sua participação em 2022 não havia sido apenas consequência de ser o país-sede, mas o início de uma tentativa real de consolidação no futebol mundial. Do outro lado, embora a Bósnia não tenha sido uma das seleções que apresentei previamente, era impossível ignorar o tamanho do que estava em jogo: a chance de escrever um capítulo inédito em sua história nos Mundiais. Noventa minutos depois, o sonho catari chegou ao fim, enquanto o bósnio ficou muito perto de se tornar realidade. 

A vitória bósnia por 3 a 1, nesta quarta-feira (24), no Lumen Field, em Seattle, praticamente garantiu a equipe europeia no mata-mata pela primeira vez em sua história, enquanto decretou a eliminação do Catar ainda na fase de grupos. Mais do que o resultado, a partida mostrou duas seleções em momentos completamente diferentes de maturidade dentro da competição.

Foto: Reprodução/Site Oficial da Fifa

A Bósnia foi superior desde os primeiros minutos. Sem a ansiedade demonstrada nas duas primeiras rodadas, a equipe comandada por Sergej Barbarez controlou boa parte das ações ofensivas e encontrou em Kerim Alajbegovic o protagonista da tarde. Aos 28 minutos do primeiro tempo, o jovem de apenas 18 anos deixou três marcadores para trás antes de acertar um belíssimo chute no ângulo, abrindo o placar com um dos gols mais bonitos desta fase de grupos. Pouco depois, a vantagem aumentou quando Edin Džeko desviou cruzamento de Kolasinac, a bola bateu em Sultan Al-Brake e acabou registrada como gol contra, conforme relataram a CNN Brasil, Gazeta do Povo e Jogada10.

Quando parecia que a partida caminharia para um domínio absoluto dos europeus, o Catar encontrou forças para reagir ainda antes do intervalo. Depois de boa jogada construída por Akram Afif e Pedro Miguel pela direita, Hassan Al-Haydos apareceu livre na pequena área para diminuir o placar. O gol deu uma falsa impressão de que os cataris poderiam voltar para o segundo tempo em condições de buscar o empate. Mas, ficou apenas na impressão.

Na etapa final, o Catar até tentou adiantar suas linhas e teve alguns momentos de maior presença ofensiva, principalmente com Afif, novamente o jogador mais lúcido da equipe. No entanto, faltou criatividade para transformar posse de bola em oportunidades claras. Aos poucos, a Bósnia retomou o controle da partida e passou a administrar o jogo com tranquilidade. O golpe definitivo veio aos 35 minutos do segundo tempo. Após cobrança de escanteio, a bola permaneceu viva dentro da área até sobrar para Ermin Mahmic finalizar para o fundo das redes, fechando o placar em 3 a 1 e praticamente colocando os balcânicos na próxima fase da Copa do Mundo. Um prêmio para uma seleção que soube controlar emocionalmente uma partida decisiva.

Foto: Reprodução/Site Oficial da Fifa

Se há um personagem que merece destaque especial, esse nome é Kerim Alajbegovic. O jovem não apenas marcou um golaço, como foi o principal articulador das ações ofensivas da Bósnia durante toda a partida. Em um elenco que ainda conta com a experiência de Edin Džeko e Kolasinac, ver uma promessa assumir tamanho protagonismo mostra que o futuro da seleção pode ser ainda mais promissor.

Do lado catari, fica uma sensação agridoce. É evidente que a seleção evoluiu desde 2022. Desta vez, a vaga foi conquistada dentro de campo, a equipe mostrou mais organização e conseguiu competir melhor do que em sua estreia em Mundiais. Ainda assim, a campanha termina novamente sem classificação. O investimento realizado pelo país nos últimos anos elevou o patamar do futebol local, mas ainda parece faltar um passo para transformar esse crescimento estrutural em resultados efetivos dentro da principal competição do planeta.

Já para a Bósnia, a história é completamente diferente. Depois de uma participação discreta em 2014, a seleção está muito perto de alcançar, pela primeira vez, uma fase eliminatória de Copa do Mundo. Independentemente do que acontecer adiante, este elenco já começa a escrever uma das páginas mais importantes da história do futebol bósnio.

Por Laura Assis Ferreira

*Esclarecemos que os textos publicados nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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