Tudo ou nada em Seattle 


Empatadas e pressionadas, Bósnia e Catar entram em campo precisando vencer para manter vivo o sonho das oitavas de final 

Chegamos à última rodada da fase de grupos e, para Bósnia e Catar, não existe mais espaço para cálculo, planejamento ou desculpa. Na próxima quarta-feira (24), às 16h (horário de Brasília), as duas seleções entram em campo no Lumen Field, em Seattle, sabendo que apenas a vitória interessa. Com apenas um ponto conquistado cada, ambas chegam para a rodada final do Grupo B dependendo não apenas do próprio resultado, mas também de uma combinação favorável envolvendo Suíça e Canadá para sonhar com uma vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo.

Foto: FIFA oficial 


A situação das duas equipes é parecida na tabela, mas muito diferente quando analisamos o futebol apresentado até aqui. A Bósnia estreou empatando em 1 a 1 com o Canadá e depois sofreu uma dura derrota por 4 a 1 para a Suíça. Apesar do placar pesado, o jogo esteve equilibrado durante boa parte do tempo e só desandou completamente nos minutos finais, especialmente após a expulsão do zagueiro Tarik Muharemovic. Já o Catar chega carregando uma marca muito mais pesada: a goleada por 6 a 0 sofrida diante do Canadá, resultado que abalou não apenas a campanha, mas também a confiança de uma seleção que já vinha sendo questionada desde a Copa disputada em casa, em 2022.

E talvez seja justamente aí que esteja a principal diferença para este confronto. Enquanto a Bósnia ainda conseguiu demonstrar competitividade em determinados momentos da competição, o Catar parece ter chegado à última rodada tentando juntar os cacos de um time que foi completamente dominado na rodada anterior. Os números impressionam negativamente: apenas 22% de posse de bola contra os canadenses e somente dois chutes durante toda a partida, nenhum deles na direção do gol.

Do lado bósnio, a esperança segue depositada em um velho conhecido do futebol mundial. Aos 40 anos, Edin Dzeko continua sendo a principal referência ofensiva da seleção. São 73 gols em 149 partidas vestindo a camisa da Bósnia, números que explicam por que toda expectativa continua recaindo sobre ele. Ao seu lado, Demirovic forma uma dupla ofensiva capaz de incomodar uma defesa catariana que chega desfalcada e pressionada.

E os problemas do Catar não são poucos. O técnico Julen Lopetegui perdeu dois titulares importantes após as expulsões diante do Canadá. O lateral Homam Ahmed e o volante Assim Madibo cumprem suspensão e aumentam ainda mais a dificuldade de uma equipe que já vinha apresentando sérios problemas defensivos. Em compensação, os catarianos ainda contam com Akram Afif, principal nome técnico da seleção e um dos jogadores mais talentosos do futebol asiático na última década.

Foto: FIFA oficial 

Quando olhamos para os elencos, a impressão é que a Bósnia possui uma vantagem clara. Há jogadores atuando em ligas mais competitivas, atletas acostumados a enfrentar adversários de alto nível e uma estrutura coletiva que parece mais próxima de algo funcional. O Catar tem qualidade individual em alguns nomes, mas ainda transmite a sensação de uma equipe que depende muito de momentos isolados para competir.

As prováveis escalações apontam a Bósnia com Vasilj; Dedic, Katic, Hadzikadunic e Kolasinac; Alajbegovic, Sunjic, Tahirovic e Memic; Demirovic e Dzeko. Já o Catar deve entrar em campo com Abunada; Al-Oui, Pedro Miguel, Khoukhi e Sultan Al-Brake; Laye, Gaber e Boudiaf; Edmilson Junior, Abdurisag e Akram Afif.

No papel, a Bósnia chega mais preparada. Mas Copa do Mundo raramente respeita lógica, favoritismo ou retrospecto. O que sabemos é que, quando a bola rolar em Seattle, duas seleções entrarão em campo carregando exatamente o mesmo sentimento: a obrigação de vencer para continuar sonhando.

Laura Assis Ferreira

Os textos publicados nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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