Mais uma favorita cai na dança e empata na estreia


Egito joga melhor, mas falha em matar o jogo contra a Bélgica

Quem olhava para o papel antes do apito inicial previa o início de mais um monólogo europeu nos Estados Unidos. O que se viu no gramado, no entanto, foi um daqueles confrontos caóticos, elétricos e deliciosos de acompanhar, onde a tática engessada deu lugar a um lá e cá cheio de falhas defensivas que puniram os dois lados. No Lumen Field, em Seattle, o Egito sobrou em postura, flertou seriamente com uma vitória histórica, mas a Bélgica arrancou o empate em 1 a 1 graças ao peso bruto do seu principal argumento ofensivo na reta final.

Meu goleador comemorando seu gol, SEU LINDO! – Sarah Stier – FIFA

Desde os primeiros minutos, ficou claro que os Faraós não entraram em campo para pedir licença. Com uma transição em velocidade que rasgava o meio-campo adversário, a seleção egípcia dominou as ações e expôs a lentidão da linha de defesa belga. O gol que abriu o placar foi um prêmio à inteligência tática: uma roubada de bola precisa seguida de uma finalização cirúrgica de Emam Ashour no canto, que explodiu a torcida nas arquibancadas. O Egito jogava solto, com personalidade e uma coragem rara de se ver em estreantes diante de gigantes.

A vantagem africana foi aberta aos 20 minutos e só não foi maior porque faltou capricho no último passe para transformar os inúmeros contra-ataques em goleada. E também porque, do outro lado, a Bélgica resolveu acordar quando a água bateu no pescoço.

A reação belga e a confirmação do seu favoritismo passaram diretamente pelas alterações no segundo tempo, especialmente pela entrada imponente de Romelu Lukaku. O centroavante mudou a rotação do ataque. Sua presença física intimidou a zaga egípcia, arrastou marcadores e limpou os caminhos. No abafa gerado pelo camisa 9, a Bélgica encontrou o gol de empate, mostrando que, mesmo quando o coletivo bate cabeça, a hierarquia individual de uma potência da Copa do Mundo ainda cobra o seu preço. A FIFA marcou como gol contra do lateral Mohamed Hany, mas nada teria acontecido sem o ímpeto de Luking!

Se o ataque belga resolveu o prejuízo, o setor defensivo ligou o sinal de alerta, muito por conta de uma tarde completamente infeliz de Thibaut Courtois. Conhecido pela segurança debaixo das traves, o goleiro pareceu tenso e falhou bizarramente nas saídas de bola. Em pelo menos três ocasiões, Courtois abandonou a meta de forma estabanada, caçando borboleta em cruzamentos e quase entregando o segundo gol de bandeja para os atacantes egípcios. Uma atuação insegura que destoou completamente do seu patamar.

Lukako de mãozinha dada com o De Bruyne depois do gol – REUTERS/Agustin Marcarian

E, é claro que tendo Ramon Abatti Abel estreando nesta Copa do Mundo, também teríamos um fechamento com chave de ouro: um pênalti claríssimo não assinalado a favor do Egito já nos acréscimos. Após uma jogada em velocidade pela ponta, o atacante egípcio antecipou a marcação dentro da área e foi atropelado pelo defensor belga, que passou longe de achar a bola.

Mesmo com a evidência do choque e a revolta imediata de todo o banco de reservas dos Faraós, a arbitragem de campo ignorou a infração e o VAR, em uma letargia inexplicável, optou por mandar o jogo seguir. Um erro crasso que tirou dos egípcios a chance legítima de coroar a grande atuação com uma vitória histórica e legítima na estreia. Talvez Abatti Abel tenha se sentido apitando no Brasil, pois foi recompensado com uma sonora vaia vindo das arquibancadas…

No balanço final, o Egito deixou o campo aplaudido. Mostrou futebol para brigar de igual para igual com qualquer um do grupo e só não saiu com os três pontos por detalhes. Para a Bélgica, fica o alívio de ter evitado o pior graças ao poder de decisão de seu artilheiro, mas a certeza de que há muito o que corrigir para as próximas rodadas.

Próximo jogo

Ambos voltam a jogar no domingo (21) para disputar seus próximos jogos na fase de grupos. Às 16h, os Rode Duivels entram em campo para enfrentar o Irã, enquanto os Faraós enfrentam a Nova Zelândia às 22h. Os jogos acontecem no Los Angeles Stadium, em Inglewood, e no BC Place Vancouver, em Vancouver, respectivamente.

Por Luiza Corrêa

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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