Alemanha: Equilíbrio em busca do sonho


A renovação geracional é a aposta da seleção alemã para a Copa do Mundo de 2026

Sem muita euforia e com cautela, a tetracampeã Alemanha vem para a sua 21ª participação em Copas do Mundo, buscando se livrar dos traumas das duas últimas edições (2018 e 2022), nas quais foi eliminada ainda na fase de grupos. Para isso, a seleção foi atrás de mudanças. 

Foto: soccer scorpion

Os alemães vão para a Copa sob o comando do treinador Julian Nagelsmann, que assumiu a seleção após a saída de Hansi Flick, em 2023, e terão uma mescla de experiência e juventude na equipe para trazer de volta a identidade do futebol alemão.

“Acredito que não vamos começar o torneio como favoritos, mas sim como desafiantes. E acho que esse papel nos faz bem.” — Julian Nagelsmann, em entrevista ao site da FIFA.

Números e Recordes em Copas:

A seleção da Alemanha é uma gigante quando o assunto é Copa do Mundo, sendo uma das seleções mais vitoriosas tanto em títulos quanto em partidas, além de possuir uma longa história na competição. A Copa do Mundo de México, Canadá e Estados Unidos marca a 19ª participação consecutiva da Mannschaft em Mundiais e a 21ª no total. Sua trajetória começou em 1934, na Itália, quando participou pela primeira vez, vencendo a Bélgica na estreia por 5 a 2. Na ocasião, a equipe terminou o torneio na terceira colocação após derrotar a Áustria por 3 a 2, na disputa pelo terceiro lugar.

Além de conquistar a Copa do Mundo quatro vezes, a seleção alemã já disputou oito finais — um recorde. A Alemanha também é a seleção que mais vezes chegou às semifinais, com 13 participações.

A seleção alemã também protagonizou momentos inesquecíveis em Copas do Mundo, como o “Jogo do Século”, em 1970, no México, contra a Itália, conhecido como uma das maiores partidas de todos os tempos. A equipe também entrou para a história ao vencer a primeira disputa de pênaltis em Copas do Mundo, em 1982, na chamada “Noite de Sevilha”.

Foto: Números da seleção em Copas/Flashscore

Lothar Matthäus é o jogador que mais disputou partidas de Copa do Mundo pela Seleção da Alemanha, com 25 jogos. O atleta participou de cinco edições do torneio (1982, 1986, 1990, 1994 e 1998). Lothar Matthäus também foi o primeiro jogador a conquistar o prêmio de Melhor Jogador do Mundo da FIFA.

O alemão Miroslav Klose é o maior artilheiro da história das Copas do Mundo, com 16 gols marcados em quatro edições. Seu último gol na competição foi marcado na goleada por 7 a 1 sobre o Brasil, em 2014.

A maior goleada da Mannschaft em Copas do Mundo aconteceu em sua estreia na fase de grupos de 2002, quando venceu a seleção da Arábia Saudita por 8 a 0, com o artilheiro Miroslav Klose marcando três gols de cabeça naquela partida.

O caminho até a Copa de 2026:

A Seleção da Alemanha garantiu vaga para a Copa de 2026 com uma campanha vitoriosa no Grupo A das eliminatórias. Ao lado de Eslováquia, Luxemburgo e Irlanda do Norte, os alemães começaram sua trajetória com um susto, ao serem derrotados pela Eslováquia por 2 a 0. De lá para cá, a seleção só venceu e confirmou sua classificação com uma goleada por 6 a 0 sobre a própria Eslováquia, fechando a campanha com 15 pontos, cinco vitórias, uma derrota, 16 gols marcados e apenas três sofridos em seis jogos.

Durante a fase eliminatória, o treinador Julian Nagelsmann teve que lidar com muitos desfalques no elenco por conta de lesões. Jogadores como Musiala, Havertz, Rudiger e ter Stegen perderam boa parte da campanha. Mesmo assim, o treinador conseguiu fazer uma boa rotação no elenco e administrar as ausências.

Os 26 escolhidos:

Sem dúvidas, a grande surpresa na lista de convocados foi a volta do experiente e vitorioso goleiro Manuel Neuer. O jogador, que participou das Copas de 2010, 2014 — quando foi campeão —, 2018 e 2022, havia se aposentado da seleção após a Eurocopa de 2024. Porém, após conversas com o novo treinador, o atleta reconsiderou a aposentadoria e surpreendeu a todos ao aparecer na pré-lista para a Copa do Mundo. 

O anúncio dos 26 convocados por Julian Nagelsmann para o Mundial confirmou a volta de Neuer, que será titular e, aos 40 anos, disputará sua quinta Copa. Já a principal ausência da lista é o atacante Serge Gnabry. O jogador, que foi muito importante durante a fase classificatória, sofreu uma grave lesão na coxa poucos meses antes do início da Copa e não conseguirá se recuperar a tempo.

Goleiros: Oliver Baumann (Hoffenheim), Manuel Neuer (Bayern de Munique) e Alexander Nubel (Stuttgart).

Defensores: Waldemar Anton (Borussia Dortmund), Nathaniel Brown (Frankfurt), Pascal Gross (Brighton), Joshua Kimmich (Bayern de Munique), Felix Nmecha (Borussia Dortmund), Aleksandar Pavlovic (Bayern de Munique), David Raum (Leipzig), Antonio Rudiger (Real Madrid), Nico Schlotterbeck (Borussia Dortmund), Angelo Stiller (Stuttgart), Jonathan Tah (Bayern de Munique) e Malick Thiaw (Newcastle).

Meias/Atacantes: Nadiem Amiri (Mainz), Maximilian Beier (Borussia Dortmund), Leon Goretzka (Bayern de Munique), Kai Havertz (Arsenal), Lennart Karl (Bayern de Munique), Jamie Leweling (Stuttgart), Jamal Musiala (Bayern de Munique), Leroy Sané (Galatasaray), Deniz Undav (Stuttgart), Florian Wirtz (Liverpool) e Nick Woltemade (Newcastle).

“O mais importante é que estamos convencidos de que esta é a melhor equipe, uma que funciona bem como grupo. Temos alguns jogadores novos e também alguns que estão conosco há algum tempo. Trabalhar com a equipe é incrivelmente prazeroso; todos se qualificaram tanto fisicamente quanto pessoalmente. Recentemente, as equipes que venceram a Copa do Mundo sempre foram aquelas em que os jogadores tinham um vínculo muito forte como grupo.” — Julian Nagelsmann, em entrevista ao site oficial da seleção alemã.

Destaques da Seleção:

Ao que parece, o sistema defensivo é um dos pontos importantes da equipe do jovem treinador Julian Nagelsmann, de 38 anos. Começando pelo gol, onde o comandante optou pela experiência e segurança de Neuer, e mais à frente com a juventude de Nico Schlotterbeck e a experiência de Rudiger, um dos pilares da defesa alemã.

Organizando o time dentro de campo, o treinador conta com Joshua Kimmich, que vai para a sua terceira Copa do Mundo. O jogador é peça fundamental do seu time Bayern de Munique, e uma liderança na seleção. Kimmich, que tem a versatilidade e pode atuar no meio ou na lateral direita, será o capitão da equipe nesta Copa. 

Foto: Site oficial da FIFA 

Já no setor ofensivo, a seleção alemã terá a juventude de Musiala e Florian Wirtz para dar mais criatividade, velocidade e ousadia ao ataque, que atua com transições rápidas. Ainda no ataque, o treinador conta com nomes importantes do cenário mundial e confia muito em Kai Havertz para ser o homem gol da equipe. 

O jogador, que acabou de ser campeão da Premier League com o Arsenal e vai disputar a final da Liga dos Campeões, deve jogar mais centralizado, embora também possa atuar aberto pela direita. Outro nome para ficar de olho é o meia atacante Lennart Karl, do Bayern de Munique, que aos 18 anos fará a sua estreia em Copas do Mundo. 

Provável time titular para a estreia na Copa: Neuer; Kimmich, Jonathan Tah, Schlotterbeck e Raum; Leweling, Pavlovic, Musiala, Goretzka, Wirtz e Havertz. 

“Entre as nossas qualidades está a força individual dos jogadores, que competem no mais alto nível da Europa. Mas o que tem nos feito especialmente fortes recentemente é a mentalidade do time. Todos trabalham uns pelos outros, e temos uma boa mistura de jogadores jovens e experientes, com vontade de vencer. Acima de tudo, há uma filosofia de jogo clara, que, a esta altura, já está bem internalizada” — disse o lateral David Raum, em entrevista ao GE.

Agenda de jogos:

A Mannschaft está no grupo E ao lado de Curaçao, Costa do Marfim e Equador. Porém, antes do início da Copa do Mundo, os alemães terão dois amistosos de preparação para o torneio.

(31/05) — Alemanha x Finlândia, em Mainz

(06/06) — Estados Unidos x Alemanha, em Chicago

Copa do Mundo:

(14/06) — Alemanha x Curaçao, em Houston (EUA)

(20/06) — Alemanha x Costa do Marfim, em Toronto (CAN)

(25/06) — Equador x Alemanha, em Nova Jersey (EUA)

Durante a Copa do Mundo de 2026, a seleção alemã vai estabelecer a sua base na Carolina do Norte, visando a proximidade dos campos de treinamento na Wake Forest University.

Os títulos de uma potência em Copas do Mundo:

O milagre de Berna (1954)– A seleção alemã conquistou seu primeiro título na Suíça, uma conquista muito marcante em sua história. A Alemanha não chegava nem perto de ser uma das favoritas do torneio, principalmente após perder na fase de grupos por 8 a 3 para o adversário da grande final, a poderosa seleção da Hungria. Comandada pelo treinador Sepp Herberger e sob a liderança do capitão Fritz Walter, a seleção começou perdendo por dois gols, mas conseguiu virar a partida para 3 a 2, superando a forte pressão húngara e levantando a taça. A surpreendente conquista teve um significado simbólico para o país, que estava em processo de reconstrução nove anos após a Segunda Guerra Mundial, recuperando a identidade nacional e a autoestima de seu povo.

Copa da Alemanha (1974)– O segundo título teve um sabor especial, já que a seleção alemã foi campeã em casa. A equipe do craque Franz Beckenbauer venceu, na final, a grande favorita da competição, a seleção da Holanda, pelo placar de 2 a 1, também de virada, com o artilheiro Gerd Müller fazendo o gol do título.

Consagração na Itália (1990)– O tricampeonato da Alemanha consagrou a seleção treinada pela lenda Franz Beckenbauer, que contava com nomes importantes da história do futebol alemão, como Lothar Matthäus — eleito o melhor jogador do mundo —, Jürgen Klinsmann e Rudi Völler. Na final, a seleção venceu a Argentina por 1 a 0, com um gol marcado por Andreas Brehme aos 40 minutos do segundo tempo. Com o título, Beckenbauer entrou para a história do futebol mundial, sendo um dos poucos que conseguiram ser campeões por sua seleção como jogador e treinador. O título também teve um contexto histórico importante, sendo o último antes da reunificação do país, que aconteceu em outubro do mesmo ano.

Um verão inesquecível no Brasil (2014)– A seleção alemã conquistou seu tetracampeonato com um time recheado de estrelas, que contava com nomes como Neuer, Philipp Lahm, Toni Kroos, Schweinsteiger, Müller, Özil e Miroslav Klose, entre outros já bastante conhecidos no cenário do futebol mundial. 

A seleção alemã fez história na campanha daquele ano, deixando para trás seleções como Portugal, França e Brasil, contra quem aplicou a maior goleada da história das semifinais de Copas do Mundo: 7 a 1, jogando no Mineirão. A Alemanha chegou à grande final no Maracanã diante da Argentina e venceu por 1 a 0, com Mario Götze saindo do banco para marcar o gol do título no segundo tempo da prorrogação, conquistando o primeiro título da Alemanha reunificada.

A Seleção da Alemanha pode não ser uma das equipes com favoritismo absoluto nesta Copa do Mundo por ainda estar em um processo de reconstrução, porém é uma equipe mais confiante e que quer recuperar a fase vitoriosa perdida nas campanhas traumáticas anteriores.

“O futebol é a coisa mais linda do mundo. Houve inúmeras discussões, muitas perguntas a serem feitas e tentativas de tomar as decisões certas. Agora, tudo o que importa é a expectativa. Será um grande desafio, mas estamos prontos para ele. Estamos motivados.”- Julian Nagelsmann ao site oficial da seleção 

#DFBteam 

Fontes: FIFA.com, site oficial da seleção alemã (teamdfb.de) e Wikipédia. 

Por Jessica Martins

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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