Equipe de Murat Yakin chega ao Mundial embalada por campanha invicta nas Eliminatórias e tenta superar a barreira das oitavas de final
Falar da Suíça em Copa do Mundo já deixou de ser falar apenas de uma seleção organizada, pragmática e difícil de enfrentar. A equipe suíça chega ao Mundial de 2026 querendo mais do que cumprir tabela ou incomodar favoritos. Depois de uma campanha invicta nas Eliminatórias e de atuações consistentes em competições europeias recentes, a seleção desembarca na América do Norte com a missão de provar que regularidade também pode ser sinônimo de ambição.

A Suíça está no Grupo B, ao lado de Catar, Bósnia e Herzegovina e Canadá. A estreia será no dia 13 de junho, contra o Catar, em Santa Clara. Depois, a equipe enfrenta a Bósnia, no dia 18, em Los Angeles, e encerra a fase de grupos contra o Canadá, no dia 24, em Vancouver. É um grupo que, no papel, permite sonhar com classificação, mas a Copa do Mundo tem uma mania cruel de não respeitar roteiro pronto.
A campanha nas Eliminatórias ajuda a explicar o otimismo. A seleção comandada por Murat Yakin venceu Kosovo, Eslovênia e Suécia nos três primeiros jogos, empatou fora com os eslovenos, goleou os suecos por 4 a 1 e confirmou a vaga com novo empate diante de Kosovo. Ao todo, foram 14 gols marcados e apenas 2 sofridos, em uma campanha invicta que mostrou equilíbrio defensivo, mas também um ataque mais participativo.
E aqui vale uma curiosidade: a seleção suíça também é conhecida como Nati, apelido que vem de Nationalmannschaft, expressão alemã para seleção nacional. O nome combina bem com uma equipe que talvez não chegue cercada de oba-oba, mas costuma aparecer em Copas com uma identidade muito clara: competitiva, disciplinada e quase sempre incômoda.

No comando da equipe está Murat Yakin, que conhece bem o peso da camisa suíça. Ex-jogador da seleção, ele defendeu o país entre 1994 e 2004 e foi capitão na Euro de 2004, embora nunca tenha disputado uma Copa do Mundo como atleta. Como treinador, assumiu a seleção em 2021, substituindo Vladimir Petkovic, e vai para seu segundo Mundial à frente da equipe. Sob seu comando, a Suíça manteve a solidez que já era característica, mas também passou a mostrar mais recursos ofensivos, algo que ficou evidente na campanha das Eliminatórias.
O principal nome dessa geração segue sendo Granit Xhaka. Capitão, líder técnico e emocional da equipe, o meio-campista vai para sua quarta Copa do Mundo e carrega a responsabilidade de ditar o ritmo da seleção. Com passagens por Arsenal e Bayer Leverkusen, e atualmente no Sunderland, Xhaka é o termômetro da equipe e um dos jogadores mais experientes do elenco. Ao lado dele, Ricardo Rodríguez também aparece como um dos nomes históricos da seleção, dividindo com o capitão a marca de 12 jogos disputados em Copas do Mundo.
A convocação suíça mistura experiência e juventude. Entre os goleiros, aparecem Marvin Keller, Gregor Kobel e Yvon Mvogo. Na defesa, Murat Yakin chamou nomes como Manuel Akanji, Nico Elvedi, Ricardo Rodríguez e Silvan Widmer. Já entre meio-campistas e atacantes, a lista conta com Michel Aebischer, Zeki Amdouni, Breel Embolo, Remo Freuler, Dan Ndoye, Noah Okafor, Fabian Rieder, Djibril Sow, Ruben Vargas, Granit Xhaka e Denis Zakaria. É um elenco com jogadores acostumados ao futebol europeu de alto nível e com peças suficientes para variar entre segurança defensiva e chegada ao ataque.
A história suíça em Copas também merece atenção. Esta será a 13ª participação do país no torneio e a sexta consecutiva. As melhores campanhas aconteceram em 1934, 1938 e 1954, quando a seleção chegou às quartas de final. Desde a década de 1990, a Suíça se acostumou a frequentar o mata-mata, mas ainda convive com o incômodo de parar cedo demais, especialmente nas oitavas de final.

Em 2022, no Catar, a equipe avançou na fase de grupos, mas caiu de forma dura diante de Portugal, com derrota por 6 a 1. O trauma ainda pesa, mas também serve como combustível. Agora, a seleção chega ao Mundial tentando mostrar que sua estabilidade não é apenas sinônimo de resistência, mas também de ambição.
A Suíça talvez não seja daquelas seleções que chegam fazendo barulho, cercadas de favoritismo exagerado. Mas é justamente aí que mora o perigo. Organizada, experiente e cada vez mais ofensiva, a equipe de Murat Yakin tem tudo para ser uma daquelas adversárias que ninguém quer encontrar quando o torneio começa a afunilar.
Por aqui, a missão será acompanhar cada passo dessa seleção que quer deixar para trás a fama de coadjuvante e mostrar que também sabe jogar Copa do Mundo com personalidade.
Por Laura Assis Ferreira
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo