ESTÁDIO DO CAFÉ: QUE LONDRINENSE NÃO FOI FELIZ AQUI?


O Estádio Municipal Jacy Scaff, mais conhecido como Estádio do Café, está localizado a 4 km do marco 0 da cidade de Londrina. A casa do Tubarão fica na região norte, ao lado do Autódromo Internacional Ayrton Senna.

O Estádio foi feito às pressas para o Londrina Esporte Clube pudesse entrar no grupo de elite do futebol brasileiro. Construído no formato de ferradura, com abertura para o centro da cidade, o Estádio do Café foi projetado para proporcionar uma vista privilegiada da cidade de Londrina.

Foto: Wilson Vieira

A História:


O estádio do Café foi construído na gestão do então prefeito José Richa, e a iniciou-se realmente no dia 1 de agosto de 1974, mas em ritmo lento. Em julho de 1975, já com a campanha de vendas de cadeiras cativas a pleno vapor atingiu seu ritmo normal. Mas, foi em 1976, a partir do mês de maio, com a perspectiva do clube vir a participar do Campeonato Nacional, que todo o processo de construção sofreu uma aceleração “incrível”.

A mídia anunciou na época que a construção tinha capacidade para 40 mil pessoas, podendo comportar até 60 mil. Além disso, os planos eram que esta capacidade pudesse, caso necessário, ser ampliada para 100 a 120 mil pessoas.


A inauguração:

A inauguração do Estádio do Café aconteceu no dia 22 de agosto de 1976 e levou cerca de 50 mil pessoas ao jogo Londrina x Flamengo, gerando uma renda recorde de Cr $857.720,00. Uma apresentação da Banda dos Fuzileiros Navais do Rio de Janeiro foi a grande atração preliminar.

Dentro das quatro linhas, Londrina e Flamengo fizeram um belo jogo e coube a Paraná, do Londrina, cobrando pênalti, marcar o primeiro gol do novo estádio. Junior, aquele mesmo da Seleção Brasileira, fez o gol de empate e o jogo terminou em 1 a 1. Afonso Vitor de Oliveira foi o árbitro, auxiliado por Célio Laudelino Silva e Tancler Pavani.

O Londrina jogou com Paulo Rogério, Odair (Milton), Pontes, Arenghi e Fio; Freyer (Toquinho) e Sérgio Amêrico, Paraná, Carlos Alberto Garcia, Willian (Anderson) e Caldeira (Marco Antonio).

Três dias depois da inauguração oficial, o Estádio do Café viveu outra festa, a da inauguração do seu sistema de iluminação. Jogaram Londrina e Corinthians Paulista. O Londrina ganhou por 1 a 0, gol de Carlos Alberto Garcia, aos seis minutos do segundo tempo, gol este que hoje é referência a comemoração que rendeu ao Bem Amado uma estátua.

As partidas marcantes até os anos 2000:

Foto: Rodrigo Saviani:


E as emoções que foram sentidas? Nas derrotas, nos lances polêmicos, nas vitórias e nos títulos conquistados no Estádio do Café.

Nossas conquistas no Café começaram já em 1980, com a Taça de Prata:

O Londrina foi o terceiro campeão da Segunda Divisão do Brasileirão, em 1980. Na conquista da Taça de Prata, o Londrina disputou onze jogos na primeira fase, passando pelos adversários Atlético-PR, Criciúma, Brasil de Pelotas, Juventude, Juventus, Chapecoense, Grêmio Maringá, Sampaio Corrêa, Anapolina e Bonsucesso.

Na semifinal veio o Botafogo-SP e  o Tubarão ganhou os dois jogos: 2 a 1 em Ribeirão Preto e 1 a 0 no Café.

A grande decisão foi contra o CSA. Houve empate no primeiro jogo, em Maceió, no dia 11 de maio; Paulinho marcou para o Londrina e Dentinho para os alagoanos. O jogo final foi no Café, dia 15 de maio, e o LEC foi brilhante e goleou por 4 a 0. A torcida não se conteve e invadiu o campo três minutos antes do final. José Roberto Wright, o árbitro, entendeu a euforia e a festa foi total.

Paulinho marcou dois, Lívio e Zé Antônio fizeram os outros dois gols. O público pagante foi de 36.489 pessoas. A renda, recorde, foi de Cr $2.400.280,00.


Em seguida veio o Campeonato Paranaense de 1981:


29 de novembro de 1981, quando o Londrina, no estádio do Café tomado por 43.412 pagantes (e, calcula-se, dois mil penetras), derrotou o Grêmio Maringá por 2 a 1, e com todos os méritos, sagrou-se campeão.

Uma semana antes, a 100 km dali, na rival Maringá, o Tubarão conseguiu o que parecia impossível: bater o seu velho rival por 3 a 2, depois de estar vencendo por 3 a 0, na primeira partida da decisão. Durante a semana, nas conversas na Avenida Paraná, centro nervoso dessa jovem cidade de 400 mil habitantes (na época), não se falava outra coisa.

Se lá na casa do adversário, vencemos, em casa a facilidade seria ainda maior. Terrível perigo, como ensina o passado do futebol. “Não podemos esquecer, do que aconteceu com a Seleção Brasileira em 50”, advertiam os mais velhos. Excesso de cautela, quem sabe. Pelo sim, pelo não, no fundo nenhum londrinense duvidava: chegou a hora do LEC.

1992 e mais um campeonato Paranaense:

“Agora no Paraná, não existe mais o trio de ferro. Mas sim, um quarteto.”


A frase emocionada do técnico Varlei de Carvalho, logo após a vitória por 1 a 0 na terceira partida com o União Bandeirante. Vitória que garantiu o terceiro e mais difícil título paranaense de sua história. Com a conquista de 1992, que se juntou às de 1962 e 1981, o LEC tornou-se o clube do interior que mais se aproxima dos clubes da capital.

A volta do Londrina forte não é obra do acaso, mas sim de um mutirão pela vitória que envolveu a prefeitura da cidade e alguns empresários. Assim o time recebeu um empurrão extra na fase final, que ultrapassou a casa dos 400 milhões de cruzeiros. Os resultados não tardaram a aparecer. O Tubarão devorou o Atlético Paranaense com uma vitória por 3 a 2 e uma derrota por 2 a 0 e novo triunfo nos pênaltis, por 4 a 3. O União Bandeirante era o último obstáculo na direção do título, e, com ele, havia um tabu: o Londrina não vencia o rival a quase 7 anos.

Foram necessárias três partidas, todas em Londrina (o estádio do União não atendia à exigência mínima de 15 mil lugares). Mas valeu a pena, com dois empates (0 a 0 e 2 a 2, com gol do zagueiro Márcio, no último minuto) e uma sofrida vitória de 1 a 0, o Tubarão fez de Londrina, a capital do futebol do Paraná.

A campanha do Tubarão no Paranaense de 1992 foi: 30 jogos, 11 vitórias, 15 empates, 4 derrotas, 38 gols a favor e 24 contra. Tadeu e Cláudio José, com nove gols, foram os artilheiros do time. Além destes títulos, o estádio do Café foi a casa da seleção Brasileira no pré Olímpico de 2000.

O recorde: 

Público recorde: 54.178 pessoas

Data recorde: 15 de fevereiro de 1978

Confronto:  Londrina 1×0 Corinthians

     

O dia histórico foi em 15 de fevereiro de 1978, em partida válida pelo Grupo S do Campeonato Brasileiro de 1977, o Londrina Esporte Clube recebia o Corinthians, no Estádio do Café, jogo que marcava a 4ª rodada do grupo e também o maior recorde de público da história do ainda jovem. Foram registradas 54.178 pessoas no Estádio Municipal Jacy Scaff, com menos de dois anos de inauguração.

Nota final:

A história por mais que não tenha sido vivida por muitos que estão lendo este texto, tenho plena certeza como torcedora e amante deste clube e deste estádio, que elas remetem a muitas memórias boas. Os momentos históricos do Londrina até hoje nos levam a realidade que possuímos de um clube amado por todos, por um estádio que nos deu quase todos os nossos momentos de alegria.

Entrar no estádio do Café sempre tem um sentimento especial, o cheiro, o calor da tradicional arquibancada de concreto, mesmo com todas as suas falhas e problemas nos torcedores e londrinenses amamos esse patrimônio que é de todos nós e que perdurará por várias e várias gerações, o meu desejo é que meu filho comemore aqui títulos do Londrina, que ele abrace desconhecidos, chore ao lado de seus amores. O Estádio do Café é responsável por quase todas as minhas melhores memórias, e escrever este texto me emocionou e espero que emocione você também!

Obrigado pela sua visita!

por Ananda Teixeira

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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