Glorioso bate a Chapecoense por 1 a 0 no Nilton Santos, conquista os 3 pontos, mas irrita a torcida com um futebol burocrático e digno de preocupação
O Botafogo venceu a Chapecoense por 1 a 0 na noite deste sábado (17), no Estádio Nilton Santos, em duelo válido pela 31ª rodada do Campeonato Brasileiro. O triunfo alvinegro foi selado com um gol relâmpago de Tiquinho Soares aos 7 minutos da primeira etapa, em um lance que acabou se tornando o único momento de verdadeira inspiração da equipe em toda a noite.
A partir dali, o confronto foi marcado por uma acomodação assustadora, pouca velocidade e uma passividade tática impressionante de um time que parecia satisfeito com a vantagem mínima. Essa apatia e a falta de capacidade para matar partidas teoricamente acessíveis se consolidam como a característica mais perigosa do Botafogo para a sequência da temporada, exigindo correções urgentes se o clube quiser ter paz até o fim do campeonato.
Em termos numéricos e de tabela, o resultado traz um suspiro de alívio: o Alvinegro alcançou os 39 pontos, subiu para a 12ª colocação e conseguiu abrir sete pontos de vantagem em relação à zona de rebaixamento. Foi também a primeira vitória sob o comando do técnico Tite, interrompendo uma sequência incômoda sem triunfos. No entanto, o contexto e o peso da exibição deixaram um ambiente muito mais próximo do descontentamento do que da celebração.
Diante de um adversário virtualmente rebaixado e com recursos escassos, o Glorioso não conseguiu se impor com autoridade. As vaias e murmúrios que surgiram em diversos momentos no Nilton Santos deixam claro que a torcida sentiu a falta de ambição em campo, aumentando a pressão sobre o trabalho da comissão técnica.

Primeiro tempo: o brilho precoce de Tiquinho e a ilusão de um show que não existiu
Se o Botafogo fez um esforço com promoções para chamar a torcida para o espetáculo praticamente confirmado contra a já rebaixada Chapecoense, a torcida foi incendiada logo no minuto mais especial.
Aos 7′, Montoro passa pra Matheus Martins, de 3 dedos IMPECÁVEL pra Tiquinho na pequena área, que bota de cabeça. TIQUINHO SOARES É F0DA! Depois de um anulado cruel no clássico, um golaço pra unir a torcida e manter a chama acesa durante todo o jogo.
A vantagem no placar logo no início, contudo, acabou anestesiando a própria equipe alvinegra em vez de embalá-la rumo a uma goleada tranquila. O time trocava passes sem objetividade no campo intermediário, sem impor aceleração ou jogadas de infiltração.
Aos 23′, Danilo recuperou pro Botafogo, tocou pro Tiquinho no meio, que bateu e teve desvio.
Pouco depois, aos 38′, Montoro faz um lançamento buscando Danilo, que vinha entrando na área e saindo na cara do gol. Na disputa com 2 jogadores da Chape, ele acaba perdendo com um corte preciso do Bruno Pacheco.
Quando parecia que o primeiro tempo terminaria sem mais sustos, veio o último suspiro ofensivo: aos 45+1′, Ziyech passa uma bola esticada pra Tiquinho na lateral direita, cruza pro Telles, que lança pra Matheus Martins na cara do gol, mas o goleiro Anderson pega com uma defesa espetacular.
O apito do intervalo veio com a incômoda sensação de que o Glorioso havia feito apenas o mínimo do mínimo.
Segundo tempo: apatia alvinegra e milagres de Anderson
No segundo tempo, o Botafogo seguiu aproveitando muito da estrela de Tiquinho e seu talento no cabeceio.
Aos 49′, quase na saída do escanteio, Montoro recupera e toca para Vitinho, que faz tabela com Ziyech e cruza lindamente para Tiquinho, mas o cabeceio acaba nas mãos do goleiro Anderson.
A resposta do frágil adversário não demorou: aos 50′, a Chape começou a tentar apresentar algum perigo com Garcez, que foi acionado na grande área e conseguiu ganhar os zagueiros, fez a finta e passa para Camilo, que acaba apenas isolando a bola.
Nosso meio campo segue apresentando falhas. Aos 53′, Vitinho toca para Allan, que não chega na bola e sobra para a Chape, que joga pra frente, mas o atacante Túlio Eduardo pecou no excesso de confiança e acabou tocando a bola para ninguém.
O Botafogo insistia no jogo aéreo sem criatividade por baixo. Aos 59′, Allan toca na esquerda, que encontra Alex Telles, olha pra área e cruza fechado para a área, mas Danilo cabeceia pra fora. Bem mal. A ruindade de repertório na criação era evidente.
Aos 70′, Telles cruza, a defesa sobe para afastar, mas Danilo Pereira briga pela segunda bola, que acaba sobrando para Ferraresi, que arrisca e bate pro gol, mas são nesses momentos que lembramos que Ferraresi é zagueiro e não atacante. A bola passa sem perigo.
A reta final reservou milagres do goleiro rival e doses desnecessárias de nervosismo. Aos 79′, o Botafogo vai chegando na grande área, Matheus Martins rola a bola para trás encontrando Medina livre, que chuta pro gol mas encontra mais uma defesa espetacular do goleiro Anderson.
Já nos acréscimos, aos 90+2′, Telles faz uma tabela com Kauan Toledo e chuta pro gol, que acaba mais uma vez encontrando o goleiro Anderson.
Como se não bastasse a fraca exibição, o Botafogo ainda conseguiu deixar a Chape viva até o último minuto, cedendo um escanteio sem perigo aos 90+4′.
FIM DE JOGO!

Atuação do time
Se há algo a salvar da noite no Nilton Santos, é a figura de Tiquinho Soares. O camisa nove foi o grande ponto positivo, brigando com os zagueiros, movimentando o ataque e mostrando o oportunismo de sempre para fazer o gol que garantiu a vitória. Matheus Martins também merece menção pelo belo passe de trivela e pelas poucas jogadas de velocidade, além de Kauan Toledo, que deu um sopro de vida ao time quando entrou no fim.
Por outro lado, a lista de atuações lamentáveis é longa. Montoro teve uma participação pífia, passando 75 minutos praticamente andando em campo sem acrescentar rigorosamente nada na armação. Ziyech teve a sua primeira partida ruim com a camisa alvinegra, arrastando-se fisicamente, errando decisões simples e comprovando que ainda está longe do ritmo ideal do futebol brasileiro. Para piorar, Danilo Pereira entrou no segundo tempo e viveu uma noite de terror técnica, mascando chutes e errando domínios elementares.
A cobrança principal, contudo, recai sobre a comissão técnica. Tite foi mal na montagem e na leitura do jogo. Escalar Allan em um jogo em que o Botafogo precisava de mobilidade e passe rápido foi um erro. O volante teve atuação lenta, recheada de passes pro lado e perdas de bola bobas no setor central. A insistência com Allan torna incompreensível a ausência do jovem Huguinho, que poderia ter entrado para dar o dinamismo e a intensidade que a partida exigia no meio-campo. Tite demonstrou excesso de cautela diante do lanterna do campeonato, mexeu mal na estrutura do time e demorou a colocar pontas agressivos. O resultado veio, mas a convicção no trabalho passa longe de existir.
Acorda, Botafogo!
A vitória leva o Botafogo aos 39 pontos, na 12ª posição da tabela, proporcionando uma margem momentânea de sete pontos em relação à zona da degola. A matemática imediata traz certo alívio, mas a sequência do calendário promete cobrar um preço altíssimo caso o padrão de atuação não mude drasticamente.
Na próxima rodada, o Alvinegro terá um desafio duríssimo contra o Internacional no Beira-Rio. Jogar fora de casa com a postura burocrática e lenta apresentada neste sábado será pedir para ser derrotado. Tem que começar a querer ganhar, se não a situação vai ficar complicada. Tem muitos times no samba do rebaixamento, e o Botafogo vem fazendo um esforço descomunal para entrar na roda. É hora de acordar antes que seja tarde demais.
Por Adrielle Almeida | 17/10/2026 23h26
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