Com derrota por 2 a 1, Alvinegro vê gordura para o Z-4 diminuir e expõe desajuste preocupante sob o comando de Tite
Santos, em um clássico de extrema tensão marcado por falhas defensivas graves, gols anulados no detalhe pelo VAR e uma inacreditável onda de desfalques médicos. A apresentação alvinegra escancarou a falta de encaixe do time após o período de treinos com Tite, pecando na proteção pelo meio-campo e entregando bolas decisivas ao adversário. A passividade em momentos determinantes da partida virou um traço preocupante que ameaça diretamente a estabilidade do Alvinegro na sequência da temporada.
A derrota em casa travou o Glorioso nos 35 pontos na tabela do Campeonato Brasileiro, caindo para a 13ª colocação e vendo a margem para a zona de rebaixamento descer para apenas cinco pontos. O ambiente de cobrança da torcida se soma à apreensão física pelas implicações do clássico, já que o desgaste técnico veio acompanhado de dois atletas encaminhados diretamente ao hospital. Tropeçar em casa para um rival direto e perder peças fundamentais traz um peso imenso e acende o sinal vermelho no planejamento do clube.

Primeiro tempo
O pré-jogo já começou com surpresas negativas, visto que Álvaro Montoro foi cortado do jogo por uma lesão domiciliar. Quinze dias de descanso e uma lesão pra conta: que fase!
Em campo, o Botafogo começou tentando uma pressão inicial e, logo aos 2’, Matheus Martins ia invadindo a área quando escorregou sem jeito — até tentou pedir uma falta, mas o replay não engana.
Aos 13’, Cuiabano, ele mesmo, que adora uma lei do ex, experimentou do lado esquerdo tentando pegar o goleiro Gabriel Batista de surpresa, mas felizmente a bola parou na rede pelo lado de fora.
Com um meio-campo muito seguro formado por Sosa e Thiago Mendes do lado visitante, o Botafogo começou a ser engolido. O contraste do nosso setor central para o deles era gritante.
Aos 15’, Medina recebeu um cruzamento e não conseguiu dominar. Em seguida, aos 16’, num lançamento em profundidade, Medina cruzou para ninguém. O momento foi ofuscado pela falta de Arthur Cabral em Sosa, mas não dá para deixar batido: Medina está devendo.
Aos 21’, surgiu a primeira grande chance do Glorioso: um passe de primeira de Ziyech transformou a triangulação numa oportunidade e Medina chegou à área com espaço para finalizar, mas Léo Jardim impediu o gol.
O castigo veio aos 27’: Thiago Mendes passou de três dedos para Bruno Duarte, que ficou no mano a mano com Vitinho, fez o corte e cruzou na área para Lescano mandar na caçapa e abrir o placar.
Aos 33’, Colidio testou Gabriel Batista com um chutaço na entrada da área, exigindo uma defesaça de ponta de dedo do nosso goleiro.
Aos 35’, Ferraresi fez um lançamento em profundidade para Arthur Cabral, mas Léo Jardim chutou para fora. Logo aos 36’, Vitinho chutou com muito perigo raspando a trave vascaína — pena que era o Vitinho na bola.
Aos 37’, foi dada a largada das lesões graves no clássico. Numa dividida normal com Ferraresi, o atacante Bruno Duarte acabou batendo o peito no joelho do zagueiro. O lance acabou deixando o jogador desacordado com falta de ar, e ele precisou ser substituído de emergência.
Já nos acréscimos, aos 45+4’, Ferraresi fez a enfiada para Danilo, que passou da bola, mas sobrou para Matheus Martins bater de chapada para fora.
Matheus foi o jogador mais acionado para acelerar e gerar jogadas individuais na ponta esquerda. Do outro lado, Ziyech trouxe mais vida trabalhando por lá com Vitinho, mas o primeiro tempo acabou com o Botafogo buscando algo sem o devido capricho.
Segundo tempo
O Botafogo começou a segunda etapa em cima, buscando reagir no placar.
Aos 47’, Medina recebeu passe de Ziyech e cruzou por cima, não encontrando Danilo na pequena área — aiii se essa bola fosse rasteira!
Porém, aos 49’, depois de um escanteio mal cobrado por Ziyech, Huguinho errou um passe e deu a bola de presente na defesa. No contra-ataque, Colidio ganhou a disputa de corpo com Medina sem falta e deixou David na cara do gol para ampliar: 2 a 0 para eles.
E quando você pensa que sua noite não pode ficar pior, aos 50’ o camisa 6 (Medina) saiu para a entrada do camisa 7 (Júnior Santos). E sim, a comentarista anunciou a transmissão como “substituição 67”.
Aos 58’, Alex Telles sofreu falta clara de cartão amarelo por Marino, mas o juiz só marcou falta no lance seguinte, entre David e Huguinho. Mas há males que vem para o bem…
GOOOOOOOOL DO BOTAFOGO! Aos 60’, na falta frontal, o magnífico cobrador Alex Telles fez um golaço de esquerda no ângulo. Aqueles gols de falta para aquecer o coração de todos e reacender a esperança no Nilton Santos! O gol deu a chance de o Botafogo entrar no jogo e empurrar a torcida.
Aos 69’, o Glorioso desceu pela esquerda com Kauan Toledo cruzando para Arthur Cabral, que passou da bola. Sobrou para Júnior Santos, que chutou todo desengonçado para fora. Arthur Cabral, como de costume, sempre no lugar errado na hora errada.
Aos 70’, numa tabela com Ziyech, Vitinho dividiu com o goleiro e a bola foi para fora. O lateral sentiu a cabeça na jogada, mas seguiu em campo.
Aos 74’, Colidio cruzou cobrança de falta e Thiago Mendes mandou para as redes, mas fomos salvos pelo gongo: o impedimento semiautomático pegou a ponta da chuteira milimetricamente à frente e anulou o gol deles.
Aos 78’, Vitinho caiu sozinho na área ainda tonto pela dividida anterior e teve de ser substituído por Mateo Ponte. Tite aproveitou para gastar suas últimas alterações com Tiquinho Soares e Kadir Barría.
Aos 79’, o rival chegou no ataque e Thiago Mendes finalizou livre na entrada da área, mas aqui não entra NADA, pois o goleirão Gabriel Batista foi buscar com grande defesa.
Aos 84’, na falta alçada por Alex Telles na intermediária, Tiquinho Soares subiu de cabeça para colocar no fundo do gol: GOOOOOOOOOOL! A torcida foi à loucura no Niltão e até o técnico Tite se empolgou, invadindo o campo para comemorar e levando cartão vermelho direto.
Mas o futebol é cruel. Se teve gol milimétrico anulado do lado de lá, o VAR retribuiu: a semiautmático pegou um impedimento milimétrico na manga da camisa de Tiquinho, anulando o gol de empate e acabando com o fogo da torcida.
Para fechar o enredo trágico, aos 87’, durante escanteio, o zagueiro Arthur Chaves caiu na grande área, sentiu a bacia e precisou sair de maca direto para a ambulância. Como não havia mais substituições, o Glorioso jogou os acréscimos com um jogador a menos até o apito final.

Atuação do time
Individualmente, a partida expôs peças que não podem vestir a camisa titular nesse momento. Cristian Medina fez mais uma partida horrorosa: totalmente omisso na marcação, errando passes bobos e sendo facilmente superado no corpo no lance do segundo gol vascaíno. No ataque, Arthur Cabral foi nulo, arrastado em campo e sem capacidade de reter uma bola sequer. Huguinho também comprometeu com saídas de bola afobadas.
O trabalho de Tite neste início merece severas críticas. Mesmo após duas semanas inteiras de treinamento durante a Data FIFA, o time voltou sem nenhuma organização defensiva, desprotegido no meio-campo e repetindo os mesmos vícios estruturais. Para coroar o desastre tático, sua reação destemperada ao invadir o gramado resultou em uma expulsão patética por um gol que sequer valeu, deixando a equipe sem comando na beira do campo para o próximo compromisso.
Salvam-se poucas atuações. Alex Telles foi um dos melhores em campo pelo Botafogo, coroado com um golaço de falta antológico e liderança nas bolas paradas. Gabriel Batista evitou um vexame maior com defesas difíceis. Ziyech mostrou extrema qualidade em seus passes, Matheus Martins tentou acelerar o jogo, e Tiquinho Soares entregou em dez minutos mais presença de área do que Cabral em todo o jogo.
Alerta ligado: sem espaço para deslizes
O próximo compromisso do Botafogo é na próxima segunda-feira, dia 12 de outubro, às 16h, contra o Coritiba, no Estádio Couto Pereira, em Curitiba, pela 30ª rodada. O Botafogo tem que começar a querer ganhar, se não a situação vai ficar complicada de verdade nas rodadas finais. Tem muitos times no samba do rebaixamento, e o Botafogo vem fazendo um esforço descomunal para entrar na roda.
Com Arthur Chaves e Vitinho no hospital, Montoro no departamento médico e Tite suspenso, o Glorioso terá que buscar a reabilitação fora de casa com um time desfalcado. Chegou a hora de parar de dar desculpas e apresentar futebol antes que a temporada termine da pior forma possível.
Por Adrielle Almeida | 08/10/2026 02h37
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo