Vergonha… Vergonha! Time sem vergonha!


Corinthians é eliminado da Libertadores em plena Neo Química Arena, com direito a pênalti desperdiçado por Memphis Depay

É, Fiel… que balde de água fria tomamos nesta noite de Libertadores, não é mesmo? E, olha, não era só a noite paulistana que estava congelante. Em Itaquera, diante de quase 50 mil corinthianos, o frio parecia ter tomado conta também do futebol apresentado pelo Timão. O Corinthians conseguiu a proeza de ser eliminado da Copa Libertadores da América em plena Neo Química Arena.

Foto: Miguel Schincariol/AFP

Depois do empate por 1 a 1 no jogo de ida, na Argentina, bastava uma vitória simples para avançar às semifinais. No entanto, o que vimos foi um Corinthians apático, pouco criativo e incapaz de transformar o apoio da Fiel em intensidade dentro de campo. E que noite difícil de explicar…

O primeiro tempo foi sem emoção. O jogo começou truncado e com poucas oportunidades para os dois lados. As equipes praticamente não conseguiram ameaçar os goleiros. O Corinthians, que precisava se impor dentro de casa, encontrou enormes dificuldades para criar. A bola até circulava, mas faltava objetividade, velocidade e, principalmente, vontade de atacar.

Enquanto isso, o Estudiantes fazia o seu jogo. Catimbava quando precisava, diminuía o ritmo e esperava pacientemente por uma oportunidade. E ela não veio para nenhum dos dois lados.

O Timão terminou o primeiro tempo com pouquíssimo perigo ofensivo. Carrillo foi responsável por uma das raras finalizações corinthianas na direção do gol. Os goleiros? Praticamente não precisaram sujar o uniforme. Que lástima!

Se estava ruim, conseguiu piorar. Na segunda etapa, a esperança era de que o Corinthians voltasse diferente, mas não voltou. O time continuou apático, sem conseguir criar jogadas capazes de levar perigo ao Estudiantes. A Fiel fazia sua parte nas arquibancadas, empurrava, cantava e acreditava até o último segundo. Mas dentro de campo faltava futebol.

O Estudiantes, por sua vez, parecia confortável com o cenário. Sabia que uma oportunidade poderia ser suficiente para decidir a classificação. E foi justamente isso que aconteceu.

Aos 41 minutos do segundo tempo, Alexis Castro acertou um belo voleio e colocou a bola no fundo das redes de Hugo Souza. Corinthians 0 x 1 Estudiantes. O silêncio tomou conta de Itaquera. O pesadelo que ninguém queria viver estava acontecendo justamente diante da Fiel.

O futebol, porém, é um esporte cruel. E, às vezes, ele oferece uma última oportunidade antes de arrancar o coração do torcedor.

Já nos acréscimos, o Corinthians ganhou uma chance de ouro. Após cruzamento de Matheus Bidu, Gustavo Henrique fez o corta-luz e, no bate e rebate dentro da área, a bola tocou no braço de González Pírez. Pênalti.

Aos 51 minutos do segundo tempo, o Corinthians tinha a chance de empatar a partida e levar a decisão para as penalidades. E quem assumiu a responsabilidade? Memphis Depay. O holandês, um dos principais nomes do elenco e recentemente renovado pelo clube, tinha diante de si a oportunidade de se transformar no herói de uma noite que já parecia perdida.

Era a bola que poderia devolver a esperança à Fiel. Mas Memphis isolou. A bola subiu e, junto com ela, pareceu subir também o último fio de esperança corinthiana na Libertadores. Que tristeza, fim de sonho, Coringão eliminado.

Foto: Miguel Schincariol/AFP

O empate por 1 a 1 no jogo de ida não foi suficiente. O Estudiantes avançou às semifinais, enquanto o Corinthians viu o sonho do bicampeonato continental terminar dentro de sua própria casa. E talvez o que mais doa não seja apenas a eliminação. É a maneira como ela aconteceu.

O Corinthians teve a Fiel. Teve a Neo Química Arena. Teve a oportunidade de decidir em casa. Teve uma torcida que não parou de apoiar. Mas faltou o principal: RAÇA. Agora, sem Libertadores, resta ao Corinthians o Campeonato Brasileiro. E a situação está longe de ser confortável: o Timão ocupa a parte de baixo da tabela e precisa reagir para se afastar da zona de rebaixamento.

O próximo compromisso será contra o Fluminense, novamente na Neo Química Arena. Vergonha? Sim. Mas é hora de reagir. Que essa derrota sirva de alerta para todos, principalmente para quem veste essa camisa e para quem toma decisões dentro do clube.

O Corinthians é grande demais para aceitar atuações como esta. A Fiel não exige que o time vença todas as partidas, mas exige entrega. Exige respeito, exige que cada jogador entenda o tamanho da camisa que veste.

Não dá para escolher quando jogar. Não dá para entrar em uma decisão de Libertadores em casa e assistir o adversário controlar o jogo. E não dá para desperdiçar oportunidades quando toda uma torcida está depositando seus últimos fios de esperança naquele momento.

Agora é hora de juntar os cacos, olhar para os erros, assumir responsabilidades e principalmente, de reagir. Porque o Corinthians pode até cair, pode até perder, pode até viver momentos difíceis, mas jamais pode perder a sua essência.

Vai, Corinthians!

Eternamente com você.

Por Jessica Gomes

*Esclarecemos que os textos publicados nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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