Sangrar sem deixar de lutar


O Inter já está dentro do furacão e, neste momento, sobreviver também é uma questão de honra

Na tarde deste domingo, 6 de setembro, às 16h, o Internacional recebe o Santos no Beira-Rio, pela 26ª rodada do Campeonato Brasileiro. O 18º colocado na tabela tem diante do Peixe uma batalha importante pela permanência na elite, mas precisa vencer também uma briga contra si mesmo.

Precisa se desvencilhar da derrota acachapante sofrida na última quinta-feira, pela Copa do Brasil, justamente em um Gre-Nal que terminou em 3 a 1 para o maior rival. A eliminação escancarou, mais uma vez, problemas que já vinham sendo empurrados para depois. E precisa, sobretudo, encontrar alguma resposta para a inoperância de um time que, rodada após rodada, parece cada vez mais próximo de uma segunda divisão.

Foto: Ricardo Duarte/Sport Club Internacional

Ao Internacional, na temporada de 2026, restou buscar defender a sua dignidade e a sua honra. E defender a dignidade e a honra de um clube do tamanho do Sport Club Internacional significa, mais uma vez, brigar para não cair.

É doloroso escrever isso. É doloroso transformar em frase aquilo que, para o torcedor colorado, já é uma realidade difícil demais de encarar. Porque toda vez que precisamos dizer que nos restou, em 2026, lutar novamente contra o rebaixamento, como aconteceu em 2025, e ainda tratar essa luta como uma forma de defender a honra de um clube que já foi campeão mundial, há alguma coisa profundamente errada nessa história.

É como enfiar uma faca no peito de quem ama esse clube. E talvez só quem gosta de futebol de verdade consiga compreender o tamanho da dor de ver um time dessa grandeza reduzido, mais uma vez, à luta pela própria sobrevivência. Para se defender, ou para defender esse pedaço de dignidade que ainda restou ao Inter, vencer dentro de casa neste domingo não é importante. É fundamental.

O Colorado hoje enxerga o Campeonato Brasileiro pelo lado de baixo da tabela, na beirada de um precipício, tentando se agarrar a alguma árvore de esperança que pareça ter raízes fortes o suficiente para mantê-lo em algum lugar minimamente estável. Só que, para isso, não basta segurar. É preciso reagir. É preciso lutar.

E vamos para essa partida sem conseguir, talvez, nos desvencilhar do que aconteceu há menos de 72 horas. De uma eliminação ridícula. De um jogo ridículo. De uma atuação burra, incompreensível, daquelas que parecem não ter sequer cabimento quando lembramos o tamanho do que estava em disputa.

Uma partida em que o Internacional não conseguiu competir à altura do Gre-Nal, da camisa que vestia ou da própria responsabilidade que carregava. O problema é que o calendário não espera a nossa indignação passar. Ele não oferece tempo para lamber as feridas. Simplesmente coloca o Santos no caminho e exige que o Internacional volte a jogar futebol.

Ainda com o horizonte bastante nublado pelo que aconteceu recentemente, e que não conseguimos simplesmente bloquear e deixar no passado de uma forma tão fácil quanto talvez fosse necessário, o Inter vai precisar sangrar sem permitir que os tubarões o consumam. Porque a temporada não oferece ao Colorado o direito de parar. A ferida está aberta, o cenário é incômodo e a tabela não espera. No domingo, será preciso entrar em campo carregando tudo isso, mas sem permitir que o peso do que aconteceu na quinta-feira seja maior do que a urgência do que precisa acontecer agora.

O Inter entra em campo completamente pressionado. A ausência de resultados, a falta de poder de reação e a escassez de pontuação nas últimas rodadas colocam um peso imenso sobre esta partida. E esse peso vai, inevitavelmente, recair sobre os ombros de cada jogador que vestir a camisa colorada neste domingo.

Não há mais como separar uma coisa da outra. A crise está dentro e fora de campo, está na tabela, está no futebol apresentado e está, principalmente, na necessidade urgente de encontrar uma resposta. O que preocupa é que estamos falando de um time que já demonstrou não saber lidar nem mesmo com momentos de estabilidade. Como esperar que consiga atravessar um cenário em que o Inter não está à espera de um furacão? O Inter está dentro dele.

Não bastasse todo o desgaste emocional, o Colorado ainda vai precisar lidar com ausências importantes para esta partida. Bernabei cumpre suspensão, assim como Pezzolano, que também não estará na casamata colorada. E a ausência de Bernabei pesa justamente porque ele é um dos expoentes técnicos dentro de um time extremamente limitado.

Quando falta qualidade individual, cada jogador capaz de criar alguma coisa diferente passa a ter um peso ainda maior. Sem ele, o Inter perde uma das suas válvulas de escape e precisa encontrar, mais uma vez, uma solução onde parece haver cada vez menos alternativas.

Pezzolano, por sua vez, terá de assistir de fora enquanto alguém encontra uma maneira de fazer esse time apresentar, no mínimo, alguma possibilidade de reação. Porque a gente sabe que o elenco colorado tem enormes dificuldades para cumprir aquilo que deveria ser o objetivo mais básico de qualquer equipe de futebol: jogar, criar e, principalmente, enfiar a bola na rede.

E a alternativa projetada para este domingo passa por uma mudança estrutural. O Inter deve abandonar o desenho mais tradicional e apostar em uma formação com três zagueiros, tentando ganhar presença pelos lados e aproximar seus homens de criação do ataque.

A provável escalação tem Matheus Cunha no gol; Maripán, Mercado e Bruno Gomes formando a linha defensiva; Matheus Bahia, Villagra, Bruno Henrique e Vitinho no meio; Alan Patrick e Carbonero mais adiantados; e Alerrandro como referência.

É uma tentativa de encontrar alguma coisa que o Inter não apresentou no Gre-Nal: agressividade. Mais gente próxima da área, mais mobilidade e, principalmente, alguma capacidade de incomodar o adversário. Porque, neste momento, talvez não seja necessário encontrar uma fórmula brilhante. O Inter precisa, antes de qualquer coisa, encontrar uma fórmula que funcione. Precisa voltar a ser minimamente competitivo, precisa demonstrar que ainda existe vida dentro daquele grupo e que a camisa não entrou em campo para ser apenas carregada de um lado para o outro.

O confronto deste domingo não é fundamental apenas porque o Inter precisa pontuar. No contexto de tudo o que tem acontecido, o Colorado precisa pontuar contra o Santos. Somente quatro pontos separam o Inter, 18º colocado, do Peixe, atual 14º. E, em mais uma temporada em que os dois times brigam para não conhecer o caminho da segunda divisão do Campeonato Brasileiro, vencer o Santos é fundamental. Não há uma opção. Não há espaço para mais um tropeço. Há apenas a necessidade de ganhar.

E talvez seja justamente aí que esteja uma das maiores preocupações para este domingo. O Inter precisa vencer, precisa reagir e precisa encontrar uma resposta, mas terá de fazer isso sem uma de suas principais válvulas técnicas e sem o homem que deveria comandar essa reação à beira do campo. Bernabei e Pezzolano estão suspensos.

O time chega ferido, pressionado e cercado por dúvidas, mas não existe mais espaço para escolher quando lutar. A luta já começou. Porque, neste momento, o Internacional está dentro do furacão. E, para sair dele, não basta esperar que o vento diminua. Vai ser preciso encontrar força para continuar de pé enquanto tudo ao redor parece determinado a derrubá-lo.

Por Jéssica Salini

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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