Em um duelo recheado de catimba e disputado sobre um gramado horroroso na Neo Química Arena, o Coringão não passou do 0 a 0 com o Furacão e ainda saiu de campo com dois desfalques e muita conta pra fazer

Na fria noite desta quinta-feira (30), pela 21ª rodada do Brasileirão, o Corinthians recebeu o Athletico-PR em solo itaquerense com um time semialternativo e não conseguiu furar o bloqueio do Furacão, terceiro colocado da competição. O 0 a 0 garantiu mais um ponto ao Timão, que chegou aos 29 e permanece na 8ª posição. Mas é aquilo: jogando em casa, o Corinthians tinha a obrigação de ganhar.
Apesar do apoio da Fiel e de um volume ofensivo maior em boa parte do confronto, o time paulista esbarrou na noite inspirada de Santos. O goleiro do Athletico foi o grande nome da partida, com quatro defesas importantes (três delas em finalizações dentro da área) e praticamente sozinho segurou o ponto para os visitantes.
O Corinthians tentou controlar a posse desde os primeiros minutos, enquanto o Athletico-PR apostou numa postura cautelosa, explorando os contra-ataques e a velocidade pelos lados do campo. O primeiro tempo foi mais de pegada do que de futebol: muita falta, poucas chances claras e um princípio de confusão nos minutos finais, quando o árbitro distribuiu cartões para vários atletas do Furacão e advertiu até o técnico Fernando Diniz.
Na etapa final, o Timão voltou mais ligado. Com as entradas de Yuri Alberto e Kaio César, o time ganhou peso ofensivo e criou as melhores oportunidades, a maioria parando, de novo, em Santos. Do outro lado, o Furacão também assustou, e Viveros chegou a acertar a trave. No fim, o 0 a 0 acabou sendo um retrato justo de uma noite truncada.
E se o placar já frustra, o restante da noite preocupa ainda mais. O Corinthians deixou o gramado com dois desfalques importantes. Yuri Alberto, que tinha entrado justamente para dar a referência que faltava no ataque, saiu lesionado e chorando, cena que apertou o coração da Fiel. Antes dele, ainda no primeiro tempo, o marroquino Zakaria Labyad sofreu uma torção no joelho após escorregar numa tentativa de drible.
E aqui vale o parêntese: escorregar. Porque o gramado da Neo Química estava simplesmente péssimo. Um tapete que deveria ser vitrine virou vilão, atrapalhando a troca de passes, o controle de bola e o pior colocando a integridade física dos atletas em risco. A lesão de Labyad é a prova mais clara de que campo mal cuidado cobra caro. Não dá pra exigir futebol de qualidade em cima de um gramado que mais parece armadilha.
E por falar em coisa que se arrasta… enquanto o ataque corintiano penava para criar sem uma referência fixa, o camisa 10 Memphis Depay passava a noite ocupado com exames médicos e assinaturas, resolvendo os últimos detalhes de uma renovação que se arrasta há semanas. A ironia é boa: o mesmo clube que não consegue finalizar uma jogada dentro da área também vinha penando para fechar um contrato. Que pelo menos essa negociação termine no gol, porque, no gramado, faltou quem colocasse a bola pra dentro.
Com o resultado, o Timão segue vivo no G-10, mas deixa escapar a oportunidade de subir na classificação e abrir distância da parte de baixo da tabela. O Athletico-PR, por sua vez, levou para casa um ponto valioso atuando fora e se mantém na parte de cima, no G-4.
Próximo desafio
Na próxima rodada, o desafio será ainda maior: o Corinthians vai a Porto Alegre encarar o Internacional, no Beira-Rio, no domingo (2). Fora de casa e com desfalques, o Timão vai precisar de bem mais eficiência do que mostrou diante do Furacão.
Vai, Corinthians!
Por Jessica Gomes
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