Inglaterra se acovarda, é dominada pela Argentina e dá adeus à disputa pelo título
A Inglaterra enfrentou a Argentina nesta quarta-feira (15), em Atlanta, às 16h, em partida válida pela semifinal da Copa do Mundo da FIFA de 2026. Os ingleses foram superados de virada por 2 a 1 e vão disputar o terceiro lugar da competição.

Mesmo depois de tanto tempo sendo uma “vítima” do amor pelo futebol, algumas coisas ainda me deixam com dúvidas, ou até mesmo, com raiva. Para mim, particularmente, enfrentar a dor da derrota no futebol é desafiador ainda. E não, não fica mais fácil aceitar e nem mais tolerante o sabor amargo do revés. Mas a única coisa que eu tenho certeza, independente da situação que minha equipe se encontrar, é que se há 90 minutos para tentar, tudo pode acontecer.
Mas como na vida tudo passa por uma decisão, decidir lutar por nossos objetivos integralmente também faz parte do processo. E desta vez, a Inglaterra escolheu não jogar. Não é querendo estender um papo moralista por aqui, longe disso. Porém, sinto que é necessário começar esse texto mostrando o tamanho da minha frustração. Não só minha, presumo, mas de todos os amantes do futebol que esperavam da Inglaterra tudo o que ela vinha mostrando até aqui.
Sem dúvidas, escrever um texto sobre partidas como a desta quarta-feira, dói. A dor vem da quebra da expectativa, da sensação que se em um minuto a postura mudasse, talvez tudo seria diferente agora.
Dessa vez, “Wonderwall” não vai pedir passagem, por mais que ainda tentemos trazer Oasis para essa melancolia. É justo que eles terminem o que começaram e que por pouco, por muito pouco, não protagonizaram o momento mais feliz para uma nação de apaixonados por esse esporte tão amado, ainda que muito traiçoeiro.
A Inglaterra adiou o sonho do bicampeonato e vai aguardar mais 4 anos com um sentimento que, pode, sim, beirar a vergonha. Perder faz parte do jogo e da vida, mas até para isso precisa-se ter disposição. De alguma forma, o futebol não perdoa os covardes e hoje, os leões ingleses não foram nada muito além disso.
DE OLHO NA PARTIDA
Desde o primeiro minuto, os ânimos, para ambos os lados, estavam à flor da pele. Nos primeiros 24 minutos de jogo, já eram contabilizadas 11 faltas cometidas, sendo seis da Argentina e cinco da Inglaterra. As emoções eram tantas que, aparentemente, as equipes esqueceram de chutar a gol. Chutes em falta e porrada em dia, exatamente como esperávamos para uma semifinal de Copa do Mundo.
Após a parada para hidratação, finalmente, saiu a primeira oportunidade de gol. John Stones cabeceou para fora após cobrança de falta de Declan Rice. A partir desse lance, os caminhos foram abertos e a Argentina fez o que já é muito habituada: usou e abusou do chute forte de fora da área com Enzo Fernández e a bola passou a centímetros de distância do gol de Pickford.
A primeira etapa foi marcada por essas oscilações entre faltas duras e boas chances de gol. A Inglaterra tentava acionar Saka e Gordon pelas bordas, procurando ser letal no contra-ataque. Apesar das boas articulações rápidas realizadas pelo time inglês, a Inglaterra sofria com a marcação alta e pesada dos argentinos.
Na segunda etapa, a intensidade pareceu ter dobrado. Ainda no primeiro minuto, Dibu Martínez deu chutão para frente, Giuliano Simeone desviou de cabeça, e Julián Álvarez saiu na cara do gol após drible em Djed Spence. O camisa 9 chutou forte, mas Pickford defendeu com segurança.
O jogo era intenso! Se a Inglaterra tentava, a Argentina respondia com perigo. Piscou, perdeu! Podíamos observar, com certa frequência, a movimentação do atacante Harry Kane na recomposição da bola, tentando articular o time em alta velocidade, rompendo a barreira scaloneta formada.
Sabe aquele ditado, né? Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. Aos 10 minutos, furou! Harry Kane foi buscar a bola na defesa e fez o lançamento para Rogers. Se aproveitando do mal corte argentino, Rice completou o passe para Gordon, que se antecipou a marcação de Molina e fez o gol de alívio inglês.
Inglaterra 1, Argentina 0.
Depois do gol, a seleção com mais nomes de qualidade em um só elenco simplesmente escolheu recuar. Thomas Tuchel adotou uma postura conservadora e agora se podia ver, com certa frequência, os 10 homens como cabeças de área.
Em que mundo se joga uma semifinal de Copa do Mundo de uma forma tão covarde?
Como resultado da passividade inglesa, a Argentina se viu dominando o jogo. O gol de empate parecia inevitável e foi exatamente o que aconteceu. Após escanteio curto cobrado por Messi, De Paul passou a bola para Enzo Fernández, que acertou um chute forte de fora da área.
Inglaterra 1, Argentina 1.
Mesmo com o gol de empate, a Inglaterra não conseguiu reagir. Já a Argentina, ampliou a intensidade e não dava descanso para os ingleses. Já nos acréscimos, Messi puxou para a perna direita e cruzou na segunda trave. Lautaro subiu mais que todo mundo e fez o gol da virada.
Inglaterra 1, Argentina 2.

CONSIDERAÇÕES
O que fica é o pesar. É como se todo potencial tivesse sido jogado por água abaixo por atitudes erradas no momento errado. Eu sou da velha filosofia que até os perdedores precisam deixar uma marca positiva; algo que a Inglaterra não passou nem perto de fazer.
Agora, surgem os “engenheiros de obra pronta”, os famosos especialistas dos perdedores. Eles vão apontar erros, debilidades, vão culpar Tuchel por não ter levado Palmer e companhia, mas quem acompanhou a trajetória da Inglaterra sabia que, independente do que faltou na convocação, a equipe mostrava comprometimento dentro das 4 linhas.
É sofrível terminar dessa forma. A Inglaterra foi passiva, “desrespeitou” a grandeza do confronto com a velha e conhecida “arte da retranca”. Difícil pensar que se as coisas tivessem dado certo, eu teria uma opinião diferente. Até porque, mesmo com um placar favorável, a Inglaterra ainda perderia. Moralmente, mas sim. Covardes não podem, jamais, protagonizar as prateleiras mais altas do futebol mundial.
Tuchel esqueceu, por um crucial momento, ainda que breve, que o jogo só acaba quando termina. E se ele pensou que estava guardando energia para a final, agora vai assistir a Argentina embarcando na terceira final em 4 copas. Não se brinca com seleção campeã, muito menos com a atual.
A partir daqui, só resta lutar para terminar a competição de maneira digna. O terceiro lugar não vai consolar, mas pode deixar explícito que apesar do erro da partida desta quarta-feira, a Inglaterra vai continuar tentando, não importa o tempo que demore. Que ainda haja espaço para buscar o futuro mais bonito desse 1966, ainda que não seja neste ano.
Assim, a vida segue! Olhando para frente, mas sempre revisando os erros cometidos, para aprender com eles e jamais voltar a assumir uma postura perdedora, mesmo a frente do placar.
Eu prometi que ainda encaixaríamos Oasis aqui e mesmo que não seja com o que queríamos, com Wonderwall, seguiremos com o plano! O passado não volta, mas o futuro se constrói.
Stop Crying Your Heart Out
“Cause all of the stars
Are fading away
Just try not to worry
You’ll see them someday
Take what you needAnd be on your way
And stop crying your heart out”
PRÓXIMO JOGO
A Inglaterra vai enfrentar a França no sábado (18), em Miami, às 18h, em partida válida pelo terceiro lugar da Copa do Mundo da FIFA.
Cabeça erguida! Vamos juntos!
C’mon, England!
Por Julia Aveiro
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.