Embalada pela goleada anterior, Bélgica enfrenta a Espanha para seguir viva
Na tarde desta sexta-feira (10), os Diabos Vermelhos encontram La Furia para travar uma batalha rubra no gramado do Los Angeles Stadium, em Inglewood. A bola rola às 16h e definirá o futuro das seleções na Copa do Mundo 2026. A vencedora avança às semis com altas possibilidades de chegar à final. A perdedora dá adeus à competição e terá de esperar mais quatro anos pela chance de marcar seu nome na história.

Para a Bélgica, este confronto representa muito mais do que a oportunidade de figurar entre as quatro melhores seleções do planeta. É o teste definitivo de caráter para uma equipe que passou o torneio inteiro sob desconfiança, mas que lavou a alma ao atropelar os Estados Unidos e o sistema por 4 a 1 em Seattle. Se contra os estadunidenses a motivação era o sentimento de revolta e justiça, contra a Espanha o combustível terá de ser a perfeição tática.
La Furia chega credenciada por um futebol de altíssima rotação, posse de bola asfixiante e transições milimétricas. Para os comandados de Rudi Garcia, qualquer pane defensiva ou espaço concedido entre as linhas será fatal. A Bélgica já provou que tem casca para sofrer, mas contra um rival deste calibre, errar menos é a única regra de sobrevivência.
O grande quebra-cabeça para a comissão técnica belga está no coração do meio-campo. A ausência de Amadou Onana, que deixou o campo aos prantos no último jogo após uma grave lesão no joelho direito, abre um buraco físico e de sustentação difícil de preencher. A tendência natural é que Hans Vanaken assuma a titularidade absoluta no 4-2-3-1, respaldado pela atuação de gala, onde saiu do banco para dar uma assistência e marcar um gol.
Ao lado de Tielemans, Vanaken terá a ingrata missão de frear a engenharia criativa espanhola, ditando um ritmo que não deixe os Diabos Vermelhos correrem atrás da bola feito bobos. Na frente, a grande expectativa fica por conta da manutenção de Lukebakio ou a presença de Doku na ponta direita e de De Ketelaere flutuando no ataque, alimentados pela criatividade de Trossard.
Contudo, todas as câmeras e esperanças da nação belga estarão apontadas para ele: Romelu Lukaku. O camisa 9 é o verdadeiro termômetro espiritual deste elenco. Ele pode não começar entre os onze iniciais por conta do desgaste físico e das escolhas de Rudi Garcia, mas a sua presença – seja em campo ou liderando no vestiário – é o que mantém esse time vivo e pulsante.
Lukaku transformou-se no símbolo de uma Bélgica operária, que entendeu que o talento sem entrega não ganha Copa. Quando ele pisa no gramado, o respeito dos adversários muda e a energia dos companheiros dobra. Ele sabe o peso de enfrentar a história e sabe, acima de tudo, que esta pode ser a sua última grande dança no topo do mundo.
Assim, a formação inicial dos comandados do questionado Rudi Garcia deve contar com Courtois; Timothy Castagne, Nathan Ngoy, Mechele e De Cuyper; Nicolas Raskin, Hans Vanaken e Youri Tielemans; Jérémy Doku (Lukebakio), Leandro Trossard e Charles de Ketelaere (Lukaku).
A Bélgica finalmente chegou onde queriam, mas o topo da montanha exige oxigênio extra. Os tempos de “quase” ficaram para trás e a desculpa da transição de gerações já não cola mais. Diante de uma Espanha favorita na teoria, os Diabos Vermelhos entram em campo com o peito estufado de quem já derrubou os donos da casa e os bastidores. Se jogarem com a mesma alma, raiva e imposição física da última eliminatória, Inglewood testemunhará a consolidação de uma potência que se recusa a ceder. É matar ou morrer em Los Angeles.
Por Luiza Corrêa
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.