O favoritismo ficou na fase de grupos


Suíça e Argélia fazem duelo decisivo por uma vaga nas oitavas de final em uma Copa do Mundo que já mostrou que tradição não garante classificação

É chegada a hora da verdade. Depois de uma fase de grupos marcada por surpresas, goleadas improváveis e favoritos ficando pelo caminho, Suíça e Argélia entram em campo na próxima sexta-feira (3), à meia-noite (horário de Brasília), no BC Place, em Vancouver, para disputar uma vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo, conforme informado pela ESPN.

Em outros Mundiais, talvez fosse natural imaginar uma classificação tranquila da Suíça. Afinal, estamos falando de uma seleção tradicional, acostumada a disputar grandes competições, organizada taticamente e que terminou a fase de grupos na liderança da sua chave, como destacou a ESPN. Mas essa Copa do Mundo já deixou claro que tradição pesa muito menos quando a bola começa a rolar.

Foto:Site Oficial FIFA

Foi a Copa que viu a Alemanha se despedir precocemente diante do Paraguai. Foi a Copa em que Congo e Senegal chegaram muito perto de escrever capítulos históricos diante de seleções tão tradicionais quanto Inglaterra e Bélgica. Foi a Copa em que favoritismo deixou de ser garantia para se tornar apenas uma expectativa. E talvez seja justamente isso que torne este confronto tão interessante.

A Suíça chega com uma campanha consistente. Depois de um empate frustrante contra o Catar na estreia, a equipe evoluiu rapidamente, goleou a Bósnia por 4 a 1 e confirmou a liderança do Grupo B ao vencer o Canadá por 2 a 1. O técnico Murat Yakin parece finalmente ter encontrado a formação ideal para o torneio, tendo Granit Xhaka como cérebro da equipe e Breel Embolo como principal referência ofensiva, conforme análise da ESPN.

Foto: Site oficial FIFA

Do outro lado está uma Argélia que talvez represente melhor do que ninguém o espírito de sobrevivência desta Copa. Depois de estrear com derrota para a Argentina, os africanos reagiram ao vencer a Jordânia e arrancaram um emocionante empate por 3 a 3 diante da Áustria, resultado que garantiu a classificação entre os melhores terceiros colocados, conforme informado pela ESPN. Não foi uma campanha brilhante, mas foi suficiente para manter vivo o sonho.

Há também um componente histórico que adiciona pressão aos dois lados. Segundo a CNN Brasil em matéria de Deivid Borges, a Suíça tenta quebrar um tabu que já dura quase nove décadas: a última vez que os suíços conseguiram vencer um confronto eliminatório em uma Copa do Mundo foi em 1938. Desde então, acumulam eliminações sempre que chegam ao mata-mata. A Argélia também tenta escrever sua própria história. Esta será apenas sua segunda participação em uma fase eliminatória de Mundial, e a primeira terminou com eliminação logo na estreia, como também apontou a CNN Brasil.

Dentro de campo, a tendência é de um jogo bastante equilibrado. A Suíça deve manter Kobel; Jaquez, Elvedi, Akanji e Ricardo Rodríguez; Freuler, Sow e Xhaka; Johan Manzambi, Ruben Vargas e Breel Embolo. Já a Argélia deve repetir Benbot; Belghali, Mandi, Bensebaini e Aït-Nouri; Boudaoui, Bentaleb, Chaïbi, Maza e Mahrez; Gouiri, apostando novamente na criatividade de Riyad Mahrez para desequilibrar, conforme prováveis escalações divulgadas pela ESPN.

Quem vencer enfrentará nas oitavas o classificado do duelo entre Colômbia e Gana, mas, sinceramente, pensar no próximo adversário parece até precipitado. Primeiro será preciso sobreviver aos noventa minutos em Vancouver.

E talvez seja justamente essa a maior lição desta Copa do Mundo. Não importa o peso da camisa, o tamanho da história ou o favoritismo construído antes da bola rolar. Nesta edição, tudo isso ficou para trás. Agora, só resta futebol.

Por Laura Assis Ferreira

*Os textos publicados nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


Deixe um comentário

Veja Também:

Faça o login

Cadastre-se