Botafogo se complica, leva virada do Bahia e chega pressionado à pausa da Copa


Alvinegro faz um esforço descomunal para perder um jogo totalmente controlado na Fonte Nova

Na tarde deste sábado (30), o Botafogo perdeu de virada por 2 a 1, na Arena Fonte Nova, pela 18ª rodada do Brasileirão. O resultado final passa longe de refletir uma superioridade tática do adversário. A partida foi uma combinação inacreditável de auto sabotagem dos goleiros com uma arbitragem vergonhosa e sem critérios de Davi de Oliveira Lacerda. O jogo, disputado sob chuva e num gramado horroroso, expôs a fragilidade emocional do nosso setor defensivo. Essa derrota amarga interrompe nossa sequência positiva e nos obriga a passar os próximos 50 dias de pausa para a Copa do Mundo sob intensa pressão e questionamentos internos.

Com a derrota, o Glorioso estaciona nos 22 pontos e cai para a 11ª colocação, vendo o pelotão da frente se distanciar e a zona de perigo se aproximar de fininho no retrovisor. O clima geral após o apito final na Fonte Nova era de pura revolta e incredulidade com a nossa capacidade de entregar um resultado tão controlado. Era a nossa última oportunidade de dar um salto na tabela antes da paralisação do calendário, mas o que era para ser uma viagem tranquila de volta para o Rio se transformou em uma crise escancarada no nosso gol. As implicações são claras: a diretoria não terá paz e precisará usar esse hiato de quase dois meses para reformular um setor que nos deixa completamente desprotegidos debaixo das traves.

Mesmo diante das tempestades e dos problemas extracampo, elenco não se esconde, dá a cara a tapa e prova que a nossa força coletiva segue forte e em alto nível — Foto: Vítor Silva/Botafogo

Primeiro tempo de golaço e descontrole

A partida começou parecendo um roteiro de cinema para o Botafogo. O time dominava as ações, bem postado e neutralizando o desorganizado Bahia.

Aos 6′ do primeiro tempo, o jovem Huguinho, cria da base que assumiu a vaga de Danilo, dominou no meio-campo, se livrou da marcação de Rodrigo Nestor e soltou uma bomba de muito longe, acertando um chute de raríssima felicidade no ângulo de Ronaldo. Um golaço antológico para abrir o placar e dar a lógica ao jogo: 1 a 0 Glorioso!

O domínio alvinegro continuou evidente. Aos 13′, Álvaro Montoro soltou um balaço de fora da área e quase ampliou, parando em grande defesa de Ronaldo.

O Bahia parecia nocauteado e nós mandávamos no jogo. Na marca dos 24′, ocorreu um lance que já mostrava o que seria a arbitragem da noite: Willian José deixou maldosamente o braço no rosto de Huguinho. O nosso garoto saiu de campo com o nariz sangrando, precisando de atendimento médico fora das quatro linhas, e o árbitro sequer mostrou cartão amarelo para o agressor.

Mesmo contra tudo, continuamos empilhando chances. Aos 29′, Arthur Cabral teve a oportunidade de ouro de matar o confronto, mas Ronaldo defendeu. No rebote, Cristian Medina finalizou rasteiro e o volante Erick salvou de forma milagrosa, quase em cima da linha.

O castigo para tantas chances perdidas começou a se desenhar aos 38′, quando Ademir cometeu falta violenta por trás para parar um contra-ataque promissor de Medina. O árbitro aplicou o cartão vermelho direto, mas, após intervenção do VAR de Marcio Henrique de Gois, voltou atrás e deu apenas o amarelo, revoltando nosso banco.

Aos 45′, Willian José cabeceou fraco e Neto defendeu sem dificuldades. Parecia que iríamos para o intervalo com a vantagem, mas o goleiro Neto decidiu que era hora de aparecer. Fazendo cera de forma bizarra, ele segurou a bola por mais de oito segundos. O juiz marcou a infração e deu escanteio para o Bahia.

Em vez de se concentrar em defender a cobrança, Neto partiu para cima de Davi de Oliveira Lacerda com xingamentos infantis (“Foi quatro segundos, filho da p…”) e recebeu o cartão vermelho direto aos 45′. Um descontrole inacreditável que obrigou Franclim Carvalho a queimar a substituição de Lucas Villalba para colocar o goleiro reserva Raul.

Segundo tempo

Voltamos para o segundo tempo com um jogador a menos e a missão de segurar a pressão de um Bahia que, convenhamos, não estava produzindo absolutamente nada para merecer o empate. Os guerreiros em campo se desdobravam na marcação sob a liderança de Ferraresi, mas a nossa própria meta conspirou contra nós.

Aos 56′, o lance mais bizarro do campeonato aconteceu. Sob pressão leve, o zagueiro Nahuel Ferraresi fez um recuo de bola absolutamente normal, rasteiro e na direção correta para o goleiro Raul. Porém, o nosso terceiro goleiro, completamente mal posicionado e desatento, tentou dominar de forma ridícula, colocando a perna errada de apoio. A bola passou por baixo de seu pé e entrou mansamente no gol. Um gol contra creditado a Ferraresi na súmula, mas que é pura e exclusivamente de Raul.

Mesmo com o baque psicológico absurdo da entregada, o Botafogo lutou bravamente e chegou a criar chances reais de perigo com as entradas de Matheus Martins, Mateo Ponte e Santi Rodríguez, assustando o goleiro Ronaldo. Mas jogar com 10 homens num pasto encharcado cobra o seu preço físico.

Aos 90′, Alex Telles ainda salvou uma bola em cima da linha em cabeçada de Erick, dando um sopro de esperança.

Mas no minuto seguinte, aos 91′, a nossa resistência ruiu. Ademir cruzou da direita, Rodrigo Nestor fez o corta-luz inteligente e o zagueiro David Duarte, livre de qualquer marcação, estufou as redes para decretar a virada deles: 2 a 1. Uma punição dolorosa e injusta para quem tanto lutou em campo.

Na entrevista coletiva, o técnico Franclim Carvalho disparou: “Apesar de tudo, vi em campo 15 monstros com uma coragem inexplicável. Com esse compromisso e atitude, vai ser muito difícil bater o Botafogo.” — Foto: Vítor Silva/Botafogo

O vergonhoso colapso dos nossos goleiros inúteis

Se analisarmos apenas a linha, o time foi guerreiro. Huguinho foi um monstro, coroado com um golaço, e o coletivo se desdobrou enquanto teve pernas. Mas é impossível vencer quando os seus próprios goleiros jogam contra você.

O que falar do suposto goleiro Neto? Esse cidadão tem uma falha gravíssima a cada dois jogos pelo clube. Ele já havia sido afastado por conta dos seus frangos históricos, mas foi inexplicavelmente reintegrado e escalado como titular. Tudo bem que o juiz queria aparecer, mas você percebendo isso, com quase 40 anos, passagens por gigantes como BARCELONA e JUVENTUS, como que dá um motivo infantil desses para ser expulso? Ele viu que o Bahia não estava produzindo nada para ele frangar e foi procurar um motivo para atrapalhar o grupo inteiro. É inadmissível!

E aí entra o Raul. Uma falha que é a cara de um terceiro goleiro. Mas o erro real é de quem deixou a nossa situação chegar a esse ponto, nos obrigando a recorrer a ele. Temos três goleiros inúteis no elenco. Nos primeiros sinais de que o goleiro prejudicaria o time, o Cruzeiro afastou o Matheus Cunha e resolveu o problema colocando o jovem Otávio. Mas no Botafogo? O cara faz lambança atrás de lambança, é reintegrado e recompensado sendo titular. Só no Botafogo você vê uma bizarrice dessas.

A culpa do gol de empate jamais pode ser colocada nas costas do Ferraresi. Ele fez o recuo correto, mas o Raul colocou a perna errada de apoio, fez tudo errado e deu no que deu. Para piorar, o contraste psicológico foi de chorar: Ferraresi ficou visivelmente abalado, desolado no vestiário, enquanto o Raul nem pareceu se importar, agindo com uma frieza inexplicável para quem tinha acabado de entregar o jogo.

Falta de critério da “arbitragem” de Davi de Oliveira

O critério do senhor Davi de Oliveira Lacerda foi uma piada de péssimo gosto. A regra implícita era clara: jogador do Botafogo fez falta? Cartão amarelo instantâneo. Foi uma arbitragem lixo, ruim, que amarrou o jogo e nos prejudicou sistematicamente. O lance do Huguinho é a maior prova disso: o garoto foi atingido no rosto por Willian José, saiu sangrando, e o árbitro fingiu que nada aconteceu.

Enquanto isso, para o Bahia, o critério sumia. O cartão vermelho direto para o Ademir, que matou um contra-ataque claríssimo de Medina por trás, foi bizarramente retirado após o VAR chamar. Mas para aplicar o rigor extremo dos oito segundos contra o Neto, o juiz foi um leão.

Na saída de campo, o atacante Arthur Cabral desabafou e foi cirúrgico sobre o sentimento de roubo que ficou no ar. Visivelmente irritado, ele disparou que fomos “muito prejudicados” e revelou que, na época em que jogava na Europa, prometia a si mesmo não falar de arbitragem. No entanto, admitiu que a situação por aqui é intragável: “Porque é muito cansativo, cara. Eu não quero falar da arbitragem, mas da falta de critério”. Ele comparou a nossa partida com o jogo anterior em São Paulo, que teve meros 19 minutos de bola rolando na etapa final, para logo em seguida vir outro árbitro, dar amarelo por cera e expulsar o Neto aplicando um rigor seletivo. “A gente fez uma partida excelente. A gente não merecia sair derrotado hoje”, lamentou o atacante.

A revolta de Arthur também sobrou para as condições da Arena Fonte Nova, a quem ele chamou de “pasto”. O atacante fez questão de rebater a hipocrisia de Fernando Diniz, que havia reclamado anteriormente do nosso gramado sintético. Arthur mandou a real: “Como você cobra um gramado sintético sendo que você dá essas condições de jogo para um adversário? Não tem como você cobrar”. Ele encerrou cobrando dignidade do adversário: “O Bahia é gigante, tem estádio próprio e não consegue dar um campo bom para a Série A do Brasileiro?”.

Quem também rasgou o verbo contra a hipocrisia do apito foi o técnico Franclim Carvalho. O treinador cobrou isonomia ao disparar que “não podemos ter dois pesos e duas medidas”. Ele contou que confrontou Davi de Oliveira ainda no gramado, acusando-o de mentir por não aplicar a mesma regra de tempo em jogos que o árbitro apitou anteriormente na Copa do Brasil. Para coroar a bizarria da arbitragem baiana, Franclim revelou um comportamento asqueroso do quarto árbitro, Lucas, que mandou a comissão técnica do Botafogo se calar instantes antes do gol de empate do Bahia, dizendo “agora não falem mais comigo” ou “agora não me peçam mais faltas”. Franclim foi direto: “Se não tem capacidade para gerir os dois bancos, não deveria estar aqui”.

Sabor amargo para a pausa para a Copa

Essa derrota joga um balde de água fria na nossa torcida bem no início da paralisação de quase dois meses para a Copa do Mundo. Em vez de usarmos a pausa para planejar tranquilamente o topo da tabela, entraremos em julho pressionados, pairando muito perto da temida zona de rebaixamento. Um jogo em que fomos taticamente superiores, mas fomos destruídos por nossos próprios vilões internos.

Não há mais clima para meias-palavras. O suposto goleiro Neto não tem a menor condição de continuar vestindo a nossa camisa. É papo de rescisão imediata de contrato. Esse homem nunca mais pode vestir a gloriosa camisa. Que a diretoria aproveite esses 50 dias para ir ao mercado e trazer um goleiro de verdade, porque o torcedor alvinegro não aguenta mais ser sabotado por quem deveria nos defender.

Por Adrielle Almeida | 31/05/2026 01h47

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo


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