Promessa é dívida: Fluminense vence o La Guaira e carimba vaga nas oitavas para espantar o sufoco 



Tricolor vence por 3 a 1 no Maracanã e se garante no mata-mata da Libertadores com aquela ajudinha argentina longe da altitude 

Vencemos e estamos classificados, tricolores!

Na noite desta quarta-feira (27), o Fluminense venceu o Deportivo La Guaira por 3 a 1, em um Maracanã fervendo de emoção e drama. Um puro teste para cardíaco, onde o nosso Tricolor demonstrou sua superioridade técnica na base do abafa, mas também sofreu com aqueles sustos defensivos que já viraram rotina. No fim, o que importa é que conquistamos um resultado gigantesco e essencial para espantar a fase horrorosa que assombrou a nossa fase de grupos. 

Com a vaga direta para as oitavas de final da Libertadores carimbada, temos a paz que tanto precisávamos para sacudir a poeira, ajustar os erros estruturais e nos jogarmos de cabeça no planejamento para o segundo semestre!

Essa vitória não foi apenas sobre somar três pontos, foi sobre sobrevivência e resgatar a nossa alma guerreira. O peso deste jogo era imenso: era vida ou morte no torneio que mais amamos. O clima no Maracanã foi um espelho dessa montanha-russa, com mais de 42 mil tricolores cantando, apoiando e, claro, grudados nas telas dos celulares secando o Bolívar na Bolívia. 

Conseguir essa classificação direta para o mata-mata, depois de termos amargado a lanterna do grupo, traz um alívio. Mas que fique o recado: não queremos mais passar por esse sufoco! Que o aprendizado de uma fase de grupos instável sirva para reestruturar o futebol tricolor antes das oitavas de final.

A definição de família: todo mundo junto, na dor e na glória! Rumo às oitavas!  — Foto: Marcelo Gonçalves/FFC



Primeiro tempo

O jogo começou no ritmo que a gente queria, pressionando lá em cima. Logo aos 4’, Canobbio cruzou da direita e a bola bateu no braço do defensor venezuelano dentro da área. Haja coração! O VAR chamou e o pênalti foi marcado.

Aos 9’, o nosso Savarino bateu com uma frieza espetacular para abrir o placar! Mas minhas amigas, ser Fluminense sem sofrer não é Fluminense. Praticamente no ataque seguinte, aos 11’, Londoño se aproveitou de uma bobeira na nossa transição, deu um chapéu daqueles em Jemmes e empatou. Que banho de água fria!

O Maracanã prendeu a respiração e quase fomos castigadas com a virada logo depois, não fosse uma defesa milagrosa do paredão Fábio.

O controle emocional voltou quando o talento falou mais alto: aos 27’, o mestre Martinelli, de volta ao time, achou um passe pornográfico enfiado para Hércules, que infiltrou livre e mandou uma bomba cruzada para estufar a rede!

Com o 2 a 1, o time diminuiu a intensidade para administrar, o que gerou algumas vaias da arquibancada exigindo mais postura, mas fomos para o intervalo em vantagem.

Segundo tempo

Voltamos para a segunda etapa querendo liquidar a fatura, mas o sofrimento continuava ali.

Aos 48’, Lucho Acosta cobrou uma falta venenosa por cima. Pouco depois, aos 55’, o próprio Lucho fez fila na área e foi derrubado de forma escandalosa. Pênalti claro! Mas o juiz José Cabero e o VAR fizeram pouco caso e mandaram seguir, para a nossa revolta nas arquibancadas.

A justiça tardou, mas não falhou: aos 66’, após Lucho cair reclamando na área, o uruguaio Canobbio brigou pela bola, deu uma caneta humilhante no marcador e mandou um chute de trivela, de três dedos, direto no cantinho. Golaço de cinema para fazer o Maracanã explodir em festa: 3 a 1!

Só que o apito final aos 90’ não encerrou a nossa noite. Em uma cena maravilhosa de união, os jogadores e a comissão técnica ficaram no gramado, abraçados, com os olhos vidrados nos celulares. Nós dependíamos do fim do jogo paralelo, onde o Bolívar empatava em 1 a 1 com o Independiente Rivadavia.

Quando a notícia chegou de que o Rivadavia havia marcado duas vezes nos acréscimos — aos 91’ e aos 94’ —, fechando em 3 a 1 para os argentinos, o Maracanã virou um verdadeiro carnaval fora de época! Enfim, classificados!

Mais de 42 mil corações batendo na mesma sintonia. A nossa força vem das arquibancadas — Foto: Marina Garcia/FFC

Promessa paga de Zubeldía e obrigado, Rivadavia! 

Se hoje estamos comemorando, muito se deve ao retorno triunfal de Martinelli. Que jogador diferenciado! Mesmo voltando de uma lesão muscular na coxa, ele jogou como se nunca tivesse saído. Deu uma aula completa no meio-campo, trouxe a sustentação que a gente precisava para conter os contra-ataques e ainda deu a assistência genial para o gol do Hércules.

Na coletiva pós-jogo, Luis Zubeldía pôde respirar aliviado e bater no peito. Lembram que após a derrota em La Paz ele peitou a imprensa e prometeu que iríamos classificar? Pois bem, o homem cumpriu! Mas ó, Zubeldía, meu querido, vamos trabalhar essa defesa que Jemmes e Freytes nos matam de susto, combinado?

Além disso, precisamos mandar um caminhão de flores para Santa Cruz de la Sierra. A crise social em La Paz levou o jogo do Bolívar para a planície, neutralizando a altitude boliviana e facilitando a vitória do Independiente Rivadavia. Quem deve estar em festa absoluta é a diva esposa do nosso zagueiro Freytes. Unimos o útil ao agradável, salvamos a nossa classificação e o amor familiar continuou em paz. ¡Muchas gracias, lepra mendocina!

Próxima parada: saideira no Mineirão

Agora é hora de curtir a classificação, mas o calendário nacional não para. No próximo domingo, 31 de maio de 2026, às 20h30, o Fluminense vai até o Mineirão enfrentar o Cruzeiro, pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro. Será a nossa última partida antes da tão esperada pausa para a Copa do Mundo.

Uma verdadeira saideira para fecharmos esse ciclo com dignidade. Essa folga do mundial vai ser a nossa salvação: tempo perfeito para Zubeldía treinar, recuperar fisicamente o elenco, esvaziar o departamento médico e deixar o sufoco do primeiro semestre definitivamente no passado. Que venha a segunda metade do ano, porque o Fluminense quer muito mais!

Por Adrielle Almeida | 28/05/2026 01h31

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo


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