Conheça Curaçao, a estreante da Copa
Neste ano de 2026 teremos a maior Copa do Mundo de todos os tempos, com 48 seleções. Um torneio tão gigante, que será disputado em três países-sede — Estados Unidos, México e Canadá — nos dá a oportunidade de conhecer histórias incríveis, como a do menor país a disputar o Mundial: a pequena ilha caribenha de Curaçao.

Localizado próximo à costa venezuelana, o país autônomo que integra o Reino dos Países Baixos tem cerca de 150 mil habitantes e é muito conhecido pelo turismo, graças às suas praias de águas azul-turquesa e à arquitetura colonial holandesa de sua capital, Willemstad.
Porém, o ano de 2025 atraiu os olhares de todo o mundo para Curaçao por meio do futebol, que agora divide espaço com o beisebol, o esporte mais popular da ilha. Com uma ótima campanha nas Eliminatórias, a seleção curaçauense conquistou uma vaga para a Copa do Mundo de 2026 e, pela primeira vez em sua história, disputará um torneio tão importante e de tamanha visibilidade.
A classificação colocou a pequena ilha em festa, e os torcedores prometem levar uma “onda azul” por onde passarem.
“Nós fizemos história. Somos a menor ilha a ir para uma Copa do Mundo. Você vê que todo mundo aqui está feliz. A ilha está feliz. Esta não foi uma jornada normal, foi uma jornada espiritual”, disse o treinador Dick Advocaat à TV holandesa Goedemorgen.
O Futebol na Ilha
O futebol chegou a Curaçao por meio de jovens estudantes que retornavam da Holanda no início do século XX. O primeiro clube da ilha foi criado em 1º de fevereiro de 1909 e recebeu o nome de CVV Republic. Na época, Curaçao tinha apenas 25 mil habitantes e ainda não existiam campos de futebol no pequeno território.
A primeira partida da nova equipe aconteceu contra um time de fuzileiros navais, nos jardins da igreja de Santa Famia, e durante muito tempo o esporte foi praticado dessa forma. Por isso, os frades acabaram tendo um papel fundamental na divulgação do futebol por toda a ilha de Curaçao.
Após a dissolução das Antilhas Holandesas, em 2010, e sua transformação em um país autônomo dentro do Reino dos Países Baixos, Curaçao passou a ser membro da FIFA e da Concacaf. A partir disso, disputou suas primeiras Eliminatórias, buscando uma vaga para a Copa do Mundo de 2014, no Brasil.
Em 2017, o país conquistou o primeiro título de sua história: a Copa do Caribe. Na final, derrotou uma das grandes potências da confederação, a Jamaica, garantindo também uma vaga na Copa Ouro.
Em meio a uma crise política na federação e diversos problemas internos, o futebol acabou sendo interrompido em Curaçao por cerca de dois anos e meio. A atividade só foi retomada em agosto de 2024, após uma intervenção da FIFA para reorganizar a estrutura do esporte no país.
No início de 2025, a Federação Curaçauense de Futebol passou a ser comandada por Gilbert Martina, que deu início ao projeto de reconstrução com o objetivo de levar a seleção nacional à Copa do Mundo.
“Eram muitos desafios do ponto de vista da governança. A FIFA instalou um Comitê de Normalização em agosto de 2024 para restaurar a ordem na federação. Eram tantos problemas, tantos conflitos, tantas batalhas, tanto ego. O futebol local foi interrompido por quase dois anos e meio. Você pode imaginar que no Brasil não exista futebol local? Acho que as capitais e todas as grandes cidades seriam incendiadas porque essa é a religião” – afirmou o presidente da Confederação em entrevista a ESPN.

O Sonho Realizado
Sem a participação das grandes potências da Concacaf — Estados Unidos, México e Canadá — por serem países-sede, o caminho de Curaçao rumo à tão sonhada Copa do Mundo foi se tornando cada vez mais real. Sob o comando do treinador holandês Dick Advocaat, a seleção, formada em sua maioria por jogadores nascidos na Holanda com ascendência curaçauense, fez uma campanha histórica e terminou invicta nas Eliminatórias da Concacaf, carimbando sua vaga definitiva após o empate por 0 a 0 com a Jamaica, em Kingston.
Na campanha, a equipe marcou 22 gols e sofreu apenas 4, com destaque para a goleada por 7 a 0 sobre as Ilhas Bermudas.
Logo após o feito de classificar o país para a Copa, o treinador Dick Advocaat deixou a seleção para cuidar de sua filha, que estava passando por problemas de saúde.
“Sempre disse que a família vem antes do futebol. Portanto, essa é uma decisão natural. Sentirei muita falta de Curaçao, do seu povo e dos meus colegas. Estou orgulhoso dos meus jogadores, da minha equipe técnica e dos membros da diretoria que acreditaram em nós.” – Afirmou Advocaat em nota.
Para o seu lugar, o treinador Fred Rutten, com passagens por clubes europeus, foi chamado e passou a comandar a Onda Azul. Após três meses à frente da seleção e já próximo da convocação final para a Copa, veio a surpresa: Rutten pediu demissão. Segundo a imprensa holandesa, o motivo teria sido a pressão de jogadores e de alguns patrocinadores, que pediam o retorno de Dick Advocaat.
Com a melhora no quadro de saúde da filha e após o pedido dos atletas e da federação, o treinador retornou ao comando da seleção para disputar a primeira Copa do Mundo de sua história.
Aos 78 anos, Dick Advocaat será o treinador mais velho a comandar uma equipe em Copas do Mundo. Advocaat comandou a Seleção da Holanda na Copa de 1994 e também a Coreia do Sul em 2006.
Convocação Final
Após o seu retorno, o treinador convocou os 26 jogadores que vão representar o país na Copa. A principal surpresa foi a ausência do principal artilheiro da história do país com 21 gols: Rangelo Janga. O jogador fez parte de boa parte da campanha para a Copa, porém foi perdendo espaço nas últimas convocações.
Goleiros: Tyrick Bodak, Trevor Doornbusch, Eloy Room;
Defensores: Riechedly Bazoer, Joshua Brenet, Roshon Van Eijma, Sherel Floranus, Deveron Fonville, Jurien Gaari, Armando Obispo, Shurandy Sambo;
Meio-campistas: Juninho Bacuna, Leandro Bacuna, Livano Comenencia, Kevin Felida, AR’Jany Martha, Tyrese Noslin, Godfried Roemeratoe;
Atacantes: Jeremy Antonisse, Tahith Chong, Kenji Gorré, Sontje Hansen, Gervane Kastaneer, Brandley Kuwas, Jurgen Locadia, Jearl Margaritha.

Destaques da Equipe
Um dos principais jogadores da equipe é o camisa 10, Leandro Bacuna, de 34 anos. O experiente jogador e capitão de Curaçao já atuou na Premier League por Aston Villa e Reading. O meia, que também pode atuar como lateral e volante, é um dos principais goleadores da história da seleção, com 16 gols.
Leandro Bacuna tem ao seu lado no meio-campo a companhia de seu irmão, Juninho Bacuna, e juntos são conhecidos como o coração da equipe. Juninho é responsável pela criação das jogadas e pela parte ofensiva da seleção, além de também figurar entre os principais goleadores da história do país, com 13 gols.
Quem pode surpreender é o atacante Tahith Chong, o único jogador dos 26 convocados que nasceu na ilha caribenha. O jogador de 26 anos foi formado na base do Manchester United e tem passagens pelo Feyenoord da Holanda, Werder Bremen e Club Brugge. Atualmente joga pelo Sheffield United da Inglaterra e tem 2 gols marcados pela seleção.
Agenda da Seleção
Antes da estreia na Copa, a Onda Azul fará dois amistosos contra Escócia e Aruba. A Seleção Curaçauense está no grupo E juntamente com a tetracampeã Alemanha, o Equador e a Costa do Marfim.
Confira os próximos jogos:
Amistosos
30/5 – Escócia
06/6 – Aruba
Copa do Mundo
14/6 – Alemanha em Houston
20/6 – Equador em Kansas City
25/6 – Costa do Marfim na Filadélfia
Fontes: Wikipédia, Campeõesdofutebol.com.br e Flashscore.
Por Jessica Martins
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.