A boa fase se faz com boas peças


Em Porto Alegre, Gurias Coloradas recebem as Gloriosas em baixa

No entardecer desta segunda-feira (11), o Internacional entra em campo no no estádio do SESC Protásio Alves, na capital gaúcha, para enfrentar o Botafogo pela décima rodada do Brasileirão A1. A bola rola às 18h e a transmissão está confirmada no canal do youtube da NSports. Esta partida tem tudo para engrenar realmente a boa fase das Gurias na competição. Uma vitória – ou, quem sabe, uma goleada – pode ser exatamente o que o time precisa para se estabelecer na região de classificação.

( Crédito: Gustavo Martins/Cruzeiro)

As equipes vêm de momentos bem diferentes na competição. Nos últimos cinco jogos, as Gurias Coloradas perderam o clássico Gre-Nal e empataram com o Mixto, contudo, venceram as últimas três partidas contra Cruzeiro, Juventude e Santos. Enquanto isso, as Gloriosas só conseguiram empatar um jogo com as Sereias e perderam os outros quatro. Aliás, o Botafogo ainda não venceu desde o triunfo sobre as Gurias Jaconeras na primeira rodada.

O time parece ter se ajeitado na mão de Maurício Salgado – o que é uma grande surpresa. O que o treinador demorou a entender é que os reais motores do time são exatamente as Gurias que ele estava se recusando a usar. Aninha não é banco em nenhuma hipótese, não importa quem seja a opção. Assim como ela, Myka só pode ficar de fora das 11 iniciais se estiver se sentindo mal. Joana e Gabi Inácio precisam participar sempre que possível. Alice, que foi retirada de um lugar de liderança no Juventude para ser uma eterna reserva em Porto Alegre, precisa de mais espaço. Nada disso é negociável. 

Além do uso esporádico e acertado das Pirralhas Coloradas, a boa fase do Internacional pode, sim, ter um pouco a ver com momentos um pouco abaixo de seus adversários. Encontrar um Santos fragilizado pela troca de técnico e um Cruzeiro desconcentrado após a pausa para a FIFA Series têm sua parte nisso, mas não apenas. Para esta colunista, a parte mais importante deste momento positivo tem nome e sobrenome: Valéria Cantuário.

Analisando suas notas no Sofascore, vemos que a jogadora não teve um jogo abaixo de 6,5 desde o início do ano. Mesmo que seu estilo de jogo não combinasse muito com a proposta do Flamengo, onde estava anteriormente, Valéria sempre demonstrou sua inteligência tática. No Internacional, sendo usada em um local entre uma ala e uma ponta direita, seu posicionamento e suporte no ataque têm se mostrado cada vez mais sólidos. 

( Crédito: Gustavo Martins/Cruzeiro)

A camisa 23 tem três participações em gol nos últimos três jogos, mas sua importância para o grupo não para por aí. Atuando pela primeira vez no Rio Grande do Sul, Valéria já entendeu o peso da Camisa Vermelha. Desde que desembarcou em Porto Alegre, ela já mostrou o respeito que sentia pelas cores do Internacional e a cada dia ela faz questão de mostrar isso com mais afinco. 

Ter Valéria em campo é saber que temos alguém que sabe exatamente a importância de cada jogo lá dentro. Essa autoconsciência da atleta, misturada com a torcida explícita incorporada das Pirralhas Coloradas – principalmente de Aninha -, transformam o grupo em uma muralha alvirrubra reforçada com a potência da torcida. Nada me faz mais feliz do que ver essas meninas que eu já critiquei, justamente, me mostrando que querem trabalhar e levar o Internacional ao nível que ele merece – apesar do tanto que a diretoria tenta boicotar as Gurias.

De qualquer maneira, estamos em uma boa fase e esta deve se confirmar ao enfrentar confiantemente um Botafogo fragilizado. Levando em consideração o que tem funcionado em campo, Salgado não deve fugir muito das últimas formações com os seguintes nomes: Gabi Barbieri; Bianca Martins, Sorriso e Débora; Aninha, Myka, Pati Llanos e Soll; Valéria Cantuário, Darlene e Sole Jaimes. 

Nenhuma partida é fácil. Nenhum jogo está decidido antes que o apito final soe. Não existem previsões, apenas possibilidades. A única certeza que é possível que eu tenha antes mesmo da bola rolar é que eu tenho orgulho do grupo que escolheu se juntar ao Internacional e defender as Gurias Coloradas com tanta vontade. Não é sempre que tudo vai dar certo, mas é certo que elas sempre vão dar tudo!

Por Luiza Corrêa

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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