Após empate sem gols no tempo normal, decisão vai para as penalidades e o campeonato fica com o rival
Mesmo lutando até o último instante, o Tricolor viu o título do Campeonato Carioca de 2026 escapar na noite deste domingo (8), no Maracanã. Após um empate em 0 a 0 no tempo regulamentar, a equipe Fluminense foi superada pelo Flamengo por 5 a 4 na disputa de pênaltis. O clássico teve um equilíbrio no início, que logo se transformou em imposição tática do Time de Guerreiros na etapa final, mas que esbarrou na falta de gols e, posteriormente, no goleiro adversário durante as cobranças decisivas.
Mas não se engane: a perda da taça não apaga a trajetória sólida do Tricolor das Laranjeiras, que apresentou o futebol mais consistente e seguro de todo o estadual. O peso da derrota dói na arquibancada, mas o desempenho coletivo deixa claro que o Tricolor está no caminho certo. Com uma equipe guerreira, há totais condições de absorver o impacto e manter a ambição alta para uma temporada longa e pesada.

Um clássico sob controle
O primeiro tempo começou com muito estudo e forte marcação de ambos os lados. Inicialmente, o adversário chegou a controlar um pouco mais a posse de bola e assustou em um chute que parou em boa defesa de Fábio. Porém, a volta do intervalo mostrou a verdadeira força do Fluminense. A equipe assumiu as rédeas, empurrou o rival para o campo de defesa e passou a ditar o ritmo da final.
Logo aos 3’ do segundo tempo, Lucho Acosta teve a chance de ouro ao tabelar, invadir a área e finalizar rasteiro, obrigando o goleiro Rossi a fazer uma grande defesa. O Flu seguiu pressionando intensamente, com muito volume no setor ofensivo e forçando erros da zaga rubro-negra. Foi um domínio tático claro de Zubeldía sobre o rival, mas a bola teimou em não entrar.
Nos minutos finais, o medo de perder superou a vontade de vencer. O Tricolor recuou suas linhas, apostando em segurar o empate para levar a decisão para os pênaltis, confiando no goleiro Fábio, que oferece ao Fluminense uma segurança que poucos clubes no Brasil possuem.
O desafio das penalidades
Apesar da dor do placar, a atuação coletiva do Fluminense foi de um time muito bem organizado. A equipe soube neutralizar as peças mais perigosas do adversário e encontrou espaços para criar seu jogo, entregando consistência tática superior ao que se viu nas primeiras rodadas da temporada. O grande problema estrutural da noite, que culminou no vice-campeonato, foi justamente o desempenho nas penalidades máximas. O próprio técnico Luis Zubeldía, em sua leitura de jogo, reconheceu que vencer disputas de pênaltis é algo que ficou “pendente” e que a equipe precisa evoluir nesse aspecto, pensando nos torneios eliminatórios como a sonhada Libertadores e a Copa do Brasil.
Com uma escolha questionável de escolher Guga e Otávio num momento crucial, a escolha dos batedores acabou sendo um fator determinante. Por decisão técnica, o treinador optou por não colocar Canobbio e Martinelli na lista inicial dos cobradores. Segundo Zubeldia, a decisão foi baseada no desempenho nos treinos. No fim, o goleiro rival brilhou defendendo duas batidas, escancarando o padrão recorrente de que o volume de jogo amassador no tempo normal precisa ser convertido em bola na rede.

Cabeça erguida e foco no Brasileirão
Este vice-campeonato serve apenas como combustível e maturação. O Fluminense provou ser uma equipe guerreira, sustentando o nível competitivo diante de adversários de peso, e não há tempo para lamentações profundas.
O calendário curto não deixa tempo para pensar: a equipe já vira a chave e viaja para Belém do Pará, onde enfrenta o Remo na próxima quinta-feira (12), no Mangueirão. O duelo é válido pela 5ª rodada do Campeonato Brasileiro, onde o Tricolor tem a missão de buscar os 3 pontos e subir na tabela.
A situação da equipe é de muita perspectiva técnica. Basta aproveitar os momentos de superioridade no meio-campo para finalizar com mais contundência e seguir com a mentalidade vencedora para as grandes conquistas que 2026 ainda reserva.
Por Adrielle Almeida | 09/03/2026
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