América sofre contra o Tirol, empata em casa e precisa dos pênaltis para avançar na Copa do Brasil
Não bastasse a tristeza, a depressão e o clima para baixo deixados pela desclassificação contra o Atlético no último domingo (1), o torcedor que foi ao Independência neste horário terrível, na esperança de um jogo tranquilo contra o rebaixado no Campeonato Cearense, quase teve a semana definitivamente frustrada ainda na quarta-feira (4) — falo inclusive por mim. O América empatou em 1 a 1 com o Tirol no tempo normal e só conseguiu garantir a classificação para a próxima fase da Copa do Brasil nas cobranças de pênaltis, vencendo por 4 a 3, em uma noite que passou longe de qualquer sensação de alívio para quem estava nas arquibancadas do Independência.

É inacreditável, para quem assistiu a um jogo de igual para igual contra o Atlético — em que, ao meu ver, jogamos muito melhor que um adversário do grande escalão da Série A — ver o América não conseguir a vitória no tempo regulamentar contra o Tirol. Isso escancara uma questão que já vem incomodando: finalização. É um time que, em muitos momentos, consegue dominar a posse de bola, mas não transforma esse controle em resultado. Ao mesmo tempo, não sei se concordo com críticas tão rápidas da torcida, ainda mais considerando o pouco tempo de descanso e o peso emocional do último domingo. Mas é algo a se pensar para o técnico Alberto Valentim, que eu, pessoalmente, continuo defendendo.
O jogo foi mais ou menos aquilo que a gente já estava temendo: o América até controlou as ações, teve mais posse de bola, mas foi acumulando chances desperdiçadas e finalizações ruins, como se o gol fosse sempre “para depois”. No primeiro tempo, as melhores chegadas vieram com Willian e Person, mas a bola insistiu em não entrar. No segundo, o Coelho finalmente abriu o placar aos 15 minutos, com Willian Bigode, e por alguns instantes parecia que a noite iria, enfim, se ajeitar.

Só que a vantagem durou pouco: três minutos depois, Welton apareceu livre e empatou para o Tirol. A partir daí, virou ansiedade pura no Independência, com o América insistindo, parando no goleiro Frank e chegando ao fim do tempo normal sem conseguir evitar os pênaltis, como narrou João Marcelo Cardoso, na Itatiaia. Na coletiva após o jogo, o próprio Valentim admitiu que a equipe precisa ter mais cuidado nas finalizações.
Ainda não sei se é o momento de acender qualquer tipo de alerta pensando na Série B, até porque a competição nem começou. O América mostrou, nas últimas semanas, que consegue fazer grandes jogos contra adversários qualificados e competir de igual para igual, mas também vem passando por esses altos e baixos de desempenho que deixam o torcedor com a pulga atrás da orelha. A Série B é outro tipo de campeonato: longo, desgastante e que exige, acima de tudo, consistência rodada após rodada. A pergunta que fica é se Alberto Valentim será capaz de virar essa chave para esse tipo de disputa. Eu, particularmente, espero que sim. Gosto do trabalho do técnico, que parece entender bem a realidade financeira do clube e as limitações do elenco com que precisa trabalhar ao longo da temporada.
E, enquanto essa chave não vira de vez, a Copa do Brasil vai seguir sendo um termômetro cruel. Passar é ótimo, claro, mas passar sofrendo em casa, precisando de pênaltis contra um adversário inferior no papel, deixa recado. O América tem elenco para competir e tem ideias de jogo, mas precisa transformar domínio em resultado, porque nem sempre vai ter tempo, sorte ou um goleiro salvando na última bola. Classificamos, mas o sentimento não é de alívio completo — é de que ainda há muita coisa para ajustar antes do que realmente importa no ano.
No fim, a classificação veio, mas o torcedor saiu do Independência com aquela sensação incômoda de que o time ainda não se encontrou do jeito que precisa para o que vem pela frente. É uma vitória que vale vaga e vale dinheiro, mas também vale reflexão, porque não dá para viver de susto em jogo único e, ao mesmo tempo, achar que na Série B tudo vai se resolver sozinho. A boa notícia é que ainda é início de temporada e há tempo para ajustar. A ruim é que esse ajuste precisa começar ontem, para que a gente pare de transformar partidas teoricamente controláveis em noites de desespero.
Laura Assis Ferreira
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