Quando o roteiro insiste em se repetir


América goleia o Laguna, mantém a sina do 4 a 1 e retoma a liderança do Potiguar

Neste domingo (18), na Arena América, o América de Natal voltou a campo para escrever mais um capítulo do Campeonato Potiguar. Diante do Clube Laguna, pela quarta rodada da competição, o Mecão entrou sabendo exatamente o que precisava acrescentar ao enredo: gols, saldo e liderança. E, fiel ao que vem sendo escrito nas últimas páginas, o Orgulho do RN repetiu o placar pela terceira vez consecutiva e venceu por 4 a 1, retomando a ponta da tabela.

Foto: Gabriel Leite

O capítulo começou com a mesma cadência dos anteriores, com intensidade, posse de bola e o melhor de tudo, gol logo nos primeiros minutos. O detalhe que diferencia este capítulo está justamente em quem assumiu a caneta. Evandro e Lucas Mendes, reservas de ofício, entraram como titulares e responderam com personalidade, intensidade e impacto direto no resultado. 

A participação decisiva na construção do placar ainda no primeiro tempo veio diretamente dos pés deles, que participaram ativamente da construção dos quatro gols marcados. Mais do que boas atuações individuais, a resposta reforça um ponto que já vinha sendo sugerido desde a estreia: o elenco do América não apenas tem opções, como conta com jogadores prontos para mudar o ritmo da história quando chamados a escrever.

Sedento por fazer saldo de gols e retomar a liderança, o Mecão iniciou a partida com as linhas bem altas, ocupando todo o terceiro terço do campo e pressionando a saída de bola adversária. Assim, o gol não demorou a sair. Logo aos 5 minutos, Evandro cruzou pela esquerda, a defesa adversária se atrapalhou e Salatiel apareceu de forma oportunista, como um camisa 9 deve ser, e abriu o placar, incendiando a arquibancada.

Aos 16 minutos, foi a vez do outro estreante brilhar. Lucas Mendes apareceu com liberdade pela lateral e desenhou um cruzamento milimétrico para Souza, o maestro, subir sozinho e ampliar o marcador. Com triangulações bem feitas, passes precisos e uma leitura clara de como explorar os espaços, o América se sobressaiu na partida, não lembrando em nada o time que enfrentou o Algodão Doce na temporada anterior.

Dez minutos depois, a construção foi coletiva e o desfecho, autoral. Em mais uma jogada bem trabalhada pela lateral, Lucas Mendes tocou na medida para Aruá, em tarde inspirada, que chegou batendo forte para marcar o terceiro. 

A página mais bonita do capítulo, porém, ainda estava por vir. Aos 40 minutos, Evandro recebeu a bola entre o círculo central e a meia-lua, ajeitou o corpo e soltou uma finalização precisa, no ângulo, em um chute lá do meio da rua, ao melhor estilo Téssio Cajá. Um golaço para coroar um primeiro tempo quase impecável e justificar, com sobras, a aposta feita pela comissão técnica.

@americafcnatal

Como todo livro que insiste em repetir certos trechos, o roteiro também trouxe sua redundância. No último minuto da primeira etapa, em um lance isolado, Renan Bragança falhou na única vez em que foi acionado. Vendido na jogada, o paredão não percebeu o atacante adversário, que apenas escorou com a cabeça um belo lançamento e descontou para o Laguna. Um erro pontual, evitável, que manteve viva a curiosa sina do 4 a 1.

O segundo tempo foi tão infrutífero que pode ser resumido em um parágrafo. Com o resultado confortável, o América reduziu o ritmo, administrou o jogo e pareceu optar por preservar energia para os próximos capítulos. O adversário até tentou ocupar mais espaço, mas esbarrou na própria dificuldade ofensiva. O placar, já bem definido, permaneceu inalterado até o apito final.

Ao fim de mais um capítulo, o América não apenas retoma a liderança do Campeonato Potiguar, como reforça um aspecto fundamental desta história em construção: o elenco responde. Seja com mudanças ao longo do jogo, seja com jogadores que assumem a responsabilidade quando chamados a iniciar a narrativa, o Mecão mostra que não depende de um único núcleo para sustentar o enredo.

A história, agora, vira a página para um trecho especial. No próximo sábado (24), às 16h, o América encara o rival no primeiro Clássico-Rei do ano, na Arena das Dunas. Um capítulo que promete tensão, demanda leitura atenta e, quem sabe, trará mais uma repetição de roteiro. Empatados em pontuação e saldo de gols, as equipes chegam com sangue nos olhos pela disputa da liderança isolada.

Por Carmen Gabrielli

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo


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