18 anos da tragédia da Fonte Nova


Há exatos 18 anos, o futebol baiano viveu um dos capítulos mais dolorosos de sua história. Um dia que deveria ser festa, mas se transformou em luto profundo. 

Foto: Divulgação/ECBahia

Em 25 de novembro de 2007, a Fonte Nova pulsava. O Bahia, depois de uma batalha intensa na Série C, buscava seu retorno à Série B. Cerca de 60 mil pessoas lotavam o estádio, enquanto outras 40 mil, do lado de fora, acompanhavam em um grande espetáculo com trio elétrico, narradores, artistas e muita esperança. Era uma multidão unida pelo mesmo sonho. No auge da alegria, quando o acesso parecia garantido, o destino pregou uma de suas peças mais cruéis. Por volta dos 35 minutos do segundo tempo, uma onda de gritos cortou o ar. A comemoração virou correria. O sorriso virou medo. A festa virou tragédia.

A arquibancada superior da Fonte Nova começou a ceder. No lugar onde famílias, amigos e apaixonados pelo Bahia dividiam emoção, instalou-se o pânico. Pessoas foram pisoteadas, outras despencaram cerca de 30 metros. Em questão de segundos, vidas inteiras foram interrompidas.

Sete torcedores, que saíram de casa vestidos de esperança, nunca mais voltaram: Márcia Santos Cruz, Jadson Celestino Araújo Silva, Milena Vasquez Palmeira, Djalma Lima Santos, Anísio Marques Neto, Midiã Andrade Santos e Joselito Lima Jr. Seus nomes ecoam até hoje como feridas abertas na memória de cada Tricolor.

Foto: Welton Araújo | Ag. A Tarde

Enquanto alguns ainda comemoravam sem saber do que acontecia, outros se desesperavam tentando salvar desconhecidos, abraçando familiares, correndo contra o tempo. A festa se transformou em dor, lágrimas e silêncio. Um silêncio pesado, que se estende até hoje.

As famílias receberam indenizações e pensões, mas nada no mundo é capaz de preencher o vazio deixado pela ausência de quem partiu de forma tão injusta. São 18 anos de saudade, revolta e cicatrizes que jamais se fecham.

O que mais dói é saber que não foi apenas uma tragédia, foi uma tragédia anunciada. A antiga Fonte Nova já apresentava vários pontos de degradação, infiltrações, estruturas comprometidas e sinais evidentes de desgaste que se acumulavam ao longo dos anos. As autoridades, mesmo diante dos alertas, fecharam os olhos para a realidade, ignorando riscos que poderiam ter sido evitados. A omissão e a negligência pesam até hoje sobre a memória de cada vida perdida.

Em 29 de agosto de 2010, a antiga Fonte Nova caiu de vez, implodida em poucos segundos, levando consigo o concreto, mas nunca a memória do que ali aconteceu. Em seu lugar nasceu a Arena Fonte Nova, inaugurada em 2014. Moderna, linda, vibrante… mas construída sobre lembranças que jamais serão enterradas.

Foto: Divulgação/ECBahia

Todos os anos, o Bahia honra seus anjos Tricolores com a frase que se tornou símbolo desse capítulo doloroso: “Duas estrelas no peito e sete no céu”. Na entrada da Arena, no CT Evaristo de Macedo, e no coração de cada torcedor, os nomes das vítimas permanecem vivos.

Hoje, mais uma vez, nos unimos em respeito, saudade e reverência.
Meus pêsames eternos às famílias enlutadas. Que a memória de seus entes queridos continue iluminando a história do Bahia e do futebol brasileiro.

Por Thamires Barbosa Araújo

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo


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