Vergonha no Nilton Santos: um Botafogo irreconhecível e a paciência no limite


Derrota por 3 a 0 escancara um Botafogo apático e perdido no Nilton Santos.

O Botafogo recebeu o Flamengo no Nilton Santos ontem (15), e esqueceu de aparecer. Em uma noite pra ser esquecida (ou lembrada como alerta), o time alvinegro foi simplesmente engolido pelo rival e perdeu por 3 a 0, com direito a olé, provocação e mais um capítulo de vergonha dentro de casa.

Foto1: Vitor Silva 

Pedro abriu o placar ainda no primeiro tempo — sozinho, sem marcação, como se estivesse treinando finalização num rachão de quinta-feira. No segundo tempo, Luiz Araújo ampliou, e Plata fechou a conta. E o Botafogo? Observou. Passivo, previsível e sem reação.

O que mais doeu não foi o placar — foi a diferença de postura. Enquanto o outro lado jogava, o Botafogo parecia satisfeito com um prato requentado.

Nem mesmo o apelo do clássico foi suficiente para encher o estádio. A torcida compareceu em número menor do que o esperado e saíram revoltados. A paciência, que já vinha no limite, ficou pendurada na catraca.

Davide Ancelotti e o time sem alma

A insatisfação com o técnico Davide Ancelotti explodiu de vez. A torcida não aguenta mais ver um Botafogo sem identidade, sem intensidade e sem vergonha na cara. As substituições sem sentido e o futebol burocrático deixaram o clima insustentável.

Durante o jogo, parte das arquibancadas gritou o nome de Textor, enquanto outra pedia a saída de Davide, que parece viver num mundo paralelo — onde posse de bola sem objetividade e entrevistas calmas resolvem tudo. Mas aqui é Botafogo, não é laboratório de estágio europeu.

Clima tenso e brigas nas arquibancadas

Se dentro de campo o time não reagiu, fora dele a revolta explodiu. Após o terceiro gol, começaram as confusões nas arquibancadas do setor norte, com torcedores do Botafogo trocando socos e empurrões entre si — reflexo do descontrole e da indignação que tomaram conta do ambiente.

Muitos deixaram o estádio antes mesmo do apito final, enquanto outros, aos gritos de “vergonha”, cobravam jogadores e diretoria. A cena de brigas entre alvinegros sintetiza o que foi a noite: caos, desespero e um time que parece ter esquecido o que é competir.

O Botafogo que a torcida viu nesta quarta-feira não representa o escudo que carrega. É hora de parar com o discurso bonito e entregar futebol. Porque quem ama o Botafogo já sofreu demais pra continuar vendo esse filme repetido — e com final sempre igual.

Por Rafaela Esteves 

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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