Um gol para recordar


Em meio ao luto, Ferreira marca para o Mecão e traz a vantagem para a decisão na Arena das Dunas contra o Imperatriz-MA

O América de Natal deu, neste domingo (17), um passo firme rumo às quartas de final da Série D do Campeonato Brasileiro. Em um jogo marcado pelo sol forte, pelo gramado castigado e pela estreia do VAR na competição, o Mecão venceu o Imperatriz-MA por 1 a 0, no Estádio Frei Epifânio, e agora poderá jogar por um empate na partida de volta, em casa, diante de sua torcida, para garantir a classificação.

Foto: Edmário de Oliveira

O duelo começou intenso, com os dois times disputando cada centímetro de campo. A primeira boa chance do jogo foi do Alvirrubro visitante, que aproveitou um erro no toque de bola no primeiro terço do campo e quase abriu o placar com Salatiel, ainda aos quatro minutos. A resposta, porém, veio rápido. Aos oito minutos, Fabrício tentou finalizar dentro da área, a bola desviou no braço do estreante Lucas Oliveira e o árbitro assinalou pênalti. Para nossa alegria, o VAR estreou bem na competição e alertou a ocorrência de uma falta da equipe cavalina antes da jogada do pênalti, cometida por Xavier, e a penalidade foi anulada.

Menos de dez minutos depois, os protagonistas da partida – Xavier, Ferreira e o VAR – apareceram novamente. O camisa 20 da equipe maranhense ignorou a bola e cometeu falta dura no nosso camisa 33. O juíz mandou seguir, mas o VAR chamou e não deu outra: expulsão. Quem achava que jogar com um a mais faria o Mecão ganhar volume de jogo, se enganou. Apesar da vantagem numérica e da maior posse de bola, o Orgulho do RN pecava na criação de jogadas, com transição lenta – em partes devido ao estado do gramado -, e não conseguia chegar com perigo à meta defendida por Junior Conceição.

Assim, após alguns minutos de dar sono, o primeiro tempo acabou empatado e o placar não havia saído da inércia. Na volta do intervalo, parecia que o jogo estava realmente começando como parou: sonolento. O América seguia tentando achar brechas na defesa bem postada do Cavalo de Aço, mas sem efetividade. Com direito a uma bola na trave, o jogo parecia que iria se encaminhar para um empate sem gols, até que a água mole em pedra dura furou.

Depois de uma sequência de escanteios, Ricardo Luz cruzou na medida para Ferreira, o heroi da partida, subir sozinho e cabecear firme para o fundo das redes. Um gol carregado de emoção, marcado justamente pelo jogador que, mesmo em luto pela perda do pai, pediu para estar em campo. Um gol que serviu como homenagem ao Sr. João Augusto de Sousa, que partiu na última segunda-feira (11). Um gol importante para dar a vantagem do empate ao América no jogo de volta. Ferreira comemorou apontando para o céu, em lágrimas, e foi abraçado por todo o time. Um lance que ultrapassa o futebol e entra no campo da memória e da emoção.

Édson Júnior

Nos minutos finais, o Imperatriz tentou pressionar, mas parou na organização defensiva do Mecão, que soube administrar a vantagem e garantir a vitória mínima fora de casa. Um resultado que, apesar do placar enxuto, tem enorme peso: no duelo de volta, no próximo domingo (24), às 16h, na Casa de Apostas Arena das Dunas, o América poderá até empatar para avançar às quartas. Já o Cavalo de Aço precisará vencer por um gol de diferença para levar a decisão aos pênaltis, ou por dois gols para se classificar diretamente.

A competição entrou no seu momento decisivo. Agora cada jogo é uma final, cada gol pode valer um acesso. Para voltarmos às divisões de cima do futebol brasileiro, passos como o deste domingo são indispensáveis. Vitória sofrida, em condições adversas, mas carregada de simbolismo. Foi assim em 2022 e há de ser assim em 2025. VAMOS SUBIR, MECÃO!

Por Carmen Gabrielli

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo


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