O mito de Gustavo


Em uma verdadeira tragédia grega, Juventude é eliminado na primeira fase da Copa do Brasil

Créditos: Fernando Alves/EC Juventude 

Nesta terça-feira (25), o estádio Willie Davids foi o palco da quarta classificação na primeira fase da Copa do Brasil do Maringá Futebol Clube. O time paranaense venceu a partida contra o Juventude em um 1×0 de encher os olhos de qualquer torcedor do Dogão, mas de despertar o lado mais odioso de qualquer jaconero. Mais uma vez, um jogo apático e sem vontade levou à derrota do Juventude tal qual uma via sacra de chutes para fora que acaba com o primeiro time da série A sendo eliminado do campeonato.

O início do jogo até foi equilibrado, o que é normal para um jogo de Copa do Brasil, tendo em vista que a competição acontece durante a disputa dos estaduais e requer muitas viagens até os locais das partidas. Na apatia do time visitante, o Dogão foi se sentindo confortável para pressionar mais e adiantar suas linhas, incomodando o Ju. Então, aos 16 minutos, veio o gol do Maringá, que agiu sobre o Juventude tal qual olhar bem nos olhos da Medusa. Negueba, atacante do Maringá, cobrou uma falta próxima a área, Maranhão desviou e Cauã Tavares chamou a responsabilidade para abrir o placar.

Apesar de ter sido o único gol do jogo, ele não define em nada o que foi a partida. O único gol ser de falta faz parecer que o jogo foi calmo, com poucas chances e resolvido na bola parada, mas nada disso. O time da casa não baixou a intensidade em momento nenhum e os berros de Fábio Matias traduziam bem o sentimento de estar assistindo Orfeu olhar para trás e matar Eurídice sem poder fazer nada para impedi-lo. 

Porém, o professor podia fazer alguma coisa e tentou tudo que dava: chamou Jean Carlos, Batalla e Giovanny, mas a apatia já tinha tomado conta de todos os jogadores. O banco de reservas pedia uma reação e eles tentaram. No melhor estilo das provações de Hércules, a bola foi sendo finalizada em todos os lugares, menos no alvo. Foram mais de 10 finalizações e menos da metade foram no alvo. 

Aos 37 minutos da etapa complementar, Fábio Matias decidiu soltar o kraken. Nenê entrou no lugar de Daniel Giraldo e contribuiu nas melhores chances do Ju na partida inteira. Marcos Paulo para fora, Jean Mágico chutando firme para a espalmada do goleiro, Abner arriscando e o zagueiro tirando de cima da linha, cabeceio do Ewerthon sendo defendido e uma pressa que não existiu no restante da partida. O jogo se estendeu até os 51 minutos e terminou com apenas um gol na conta.

Créditos: Fernando Alves/EC Juventude 

Apesar da atuação desastrosa do ataque, um jogador do Juventude mostrou desde o início a gana de querer permanecer na Copa do Brasil. O goleiro Gustavo jogou o tempo todo focado e precisou salvar inúmeras bolas que teriam ampliado o placar e tornado tudo mais difícil. Toda vez que o ataque do Maringá trouxe perigo com a bola rolando, lá estava ele para fazer uma defesa espetacular. A bola ia das suas mãos estrategicamente até o jogador que melhor pudesse compor a jogada e de repente ele já precisava defender novamente. Depois de um tempo, Gustavo parecia ser o protagonista do Mito de Sísifo: rei condenado a empurrar uma pedra pesada até o topo de uma montanha e observá-la rolar monte abaixo todos os dias.

O Juventude entra em campo novamente neste sábado (1), às 16h30, para batalhar contra o Grêmio pela vaga na final do Campeonato Gaúcho. Esperamos que essa história tenha um final mais feliz e vitorioso do que essa tragédia que tivemos que assistir.

Por Luiza Corrêa

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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