Fluminense procura a derrota e perde de virada para o Vasco


Tricolor abre 2 a 0, mas desmoronou no segundo tempo e viu o rival virar para 3 a 2 nos acréscimos

O que se viu no Maracanã nesta quarta-feira (19) foi um crime contra o torcedor tricolor. O Fluminense conseguiu a proeza de buscar a derrota em um clássico que estava absolutamente controlado, perdendo por 3 a 2 para o Vasco. O enredo foi o mesmo de outras decepções recentes: um time que começa muito bem, controla o jogo, ganha vantagem e, de forma inexplicável, desmonta e desiste de jogar.

Nem mesmo a ausência de Freytes ajudou; pelo contrário, ficou escancarado que a defesa virou uma peneira completa, onde qualquer bola alçada vira um pesadelo. Foi um Fluminense apático na hora de decidir, punido por uma postura frouxa que desperdiçou uma vitória certa e entregou vexame histórico.

O resultado dói não apenas pela rivalidade, mas pela tabela. O Fluminense perdeu a chance de ouro de se aproximar da liderança, que está com Palmeiras e São Paulo, estacionando nos 13 pontos e caindo para a quarta colocação. A pressão sobre o técnico Zubeldía sobe de tom, já que essa foi a primeira derrota do time titular em um clássico este ano, e justamente em um Maracanã onde, apesar de não ser o mandante de direito, o Flu deveria se impor. O clima agora é de cobrança total para a sequência do campeonato, pois o futebol “bonito” de 60 minutos não ganha troféus se o time se acovardar no terço final da partida.

O Time de Guerreiros se acovardou e levou a virada em casa — Foto: Lucas Merçon/FFC

Um primeiro tempo de superioridade

O início da partida foi para enganar o torcedor que foi dormir cedo. Com apenas 1′ de jogo, o Fluminense mostrou por que é um dos times que melhor joga futebol no Brasil hoje. Aproveitando uma falha bizarra de Hugo Moura, Lucho Acosta serviu Canobbio. O uruguaio não perdeu a chance e marcou o primeiro gol.

O meio de campo tricolor, com Martinelli, Lucho e Savarino se procurando o tempo todo, simplesmente engoliu o rival. Foi um domínio tático e técnico, com o Flu trocando passes e criando chances como se fosse um rachão de domingo.

Aos 24′, o Maracanã quase explodiu novamente quando Lucho mandou de cabeça para as redes após um cruzamento de Savarino. No entanto, o VAR anulou o lance por um impedimento milimétrico, o que acabou sendo o primeiro sinal de que a sorte poderia virar.

Mesmo assim, o Fluminense terminou o primeiro tempo com a sensação de que mais gols estavam por vir. Lucho e Martinelli estavam em alta, fazendo o goleiro Léo Jardim trabalhar muito. O sentimento era de que o terceiro e o quarto gols poderiam acontecer a qualquer momento.

Show de humilhação no segundo tempo

A tragédia começou a se desenhar logo após o momento de maior alegria. Aos 8′ da etapa final, Hércules marcou um gol importante, ampliando a vantagem para 2 a 0. Parecia o fatality, mas foi o gatilho que fez o time relaxar. A saída de Martinelli — que foi um herói ao entrar em campo com virose e ardendo em febre — foi o ponto de racha. Sem ele, o meio-campo perdeu o equilíbrio.

Zubeldía então decidiu fazer algumas trocas que acabaram prejudicando o time. O técnico tirou Lucho e Savarino trazendo Otávio e um Ganso que entrou para tentar controlar um jogo que já tinha mudado de rota. O castigo veio rápido. Aos 14′, o Vasco diminuiu com Nuno Moreira aproveitando uma falha de marcação aérea, algo que se tornou rotina.

A partir daí, o Fluminense se acovardou. O time parou de atacar, chamou o adversário para o seu campo e começou a tremer na defesa. A insegurança de Jemmes, que parecia ter voltado aos tempos de segunda divisão, contaminou a zaga. O empate veio aos 43′ com Spinelli, e o golpe de misericórdia aconteceu nos acréscimos, aos 50′, quando Thiago Mendes virou o jogo em um Maracanã que já era dominado pela confiança da torcida cruzmaltina.

Hércules protagonizou o útlimo momento de felicidade do torcedor tricolor — Foto: Marina
Garcia/FFC

Falta de padrão preocupa o torcedor

O Fluminense é dependente demais de seus pilares. Sem Martinelli e Lucho Acosta em campo, o time perde a alma e o padrão de concentração. A entrada de Otávio no lugar de Martinelli mudou o DNA da equipe, tornando-a estática e previsível. Outro ponto que causa muita insatisfação é Rodrigo Castillo. A contratação mais cara da história do clube, que custou US$ 13 milhões, entrou mais uma vez e não fez nada em campo. Um centroavante trazido no desespero do fechamento da janela que, até agora, não mostrou a que veio e não consegue sequer segurar uma bola para o time respirar.

Além das falhas técnicas, a postura de Zubeldía foi classificada como covarde. Em vez de manter a pressão e buscar o que eles chamam de “Time de Guerreiros”, o treinador decidiu segurar um resultado muito magro e acabou entregando os três pontos. A torcida cruzmaltina, que era maioria no estádio, dominou o ambiente e passou a confiança que faltou aos jogadores tricolores. O Flu tremeu diante da pressão e mostrou que o psicológico da equipe ainda é muito frágil quando as coisas não saem como planejado.

Hora de juntar os cacos

Essa derrota vai doer por muito tempo. O Time de Frouxos agora carrega a marca de ter perdido um clássico ganho e precisa dar uma resposta imediata para não ver o sonho do título se distanciar precocemente. O próximo compromisso é no sábado (21), às 18h30, novamente no Maracanã, contra o Atlético-MG pela 8ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Zubeldía terá que trabalhar não só a tática, mas o brio desse elenco. Não dá pra aceitar um time desse nível se acovardando assim. A torcida tricolor espera que os erros de marcação aérea e a passividade após abrir vantagem sejam corrigidos. Caso contrário, o “futebol mais bonito do Brasil” continuará sendo apenas uma estatística vazia diante de resultados decepcionantes.

Por Adrielle Almeida

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo


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