Cruzeiro em sinal de alerta


Sem peças chaves e à espera de um novo técnico, Raposa mostra lampejos de reação, mas esbarra em erros fatais e revive fantasmas do passado

Na noite desta quarta-feira (18), o Cruzeiro enfrentou uma realidade dura em Curitiba. Ao ser derrotado pelo Athletico Paranaense por 2 a 1, o time encarou a falta que fazem Matheus Pereira e Kaio Jorge, vivendo uma jornada de pouca inspiração e muita preocupação.

A paz do torcedor, que parecia reconquistada, torna-se novamente um artigo de luxo. Em pleno 2026, a memória da boa campanha de 2025 é colocada à prova enquanto a qualidade do futebol desaparece em campo. Agora, o clube busca desesperadamente um novo técnico, alguém capaz de resgatar a identidade celeste e elevar o desempenho técnico de um elenco que parece perdido.

Da forma como as coisas estão, o fantasma da Série B volta a assombrar de perto. O tempo para correções é curto, e a margem de erro, inexistente.

Foto: Igor Barrankievicz

Primeiro tempo: O Drama Celeste na Arena

É difícil ser Cruzeiro, não existe um dia de paz para quem torce. Na noite em que a bola rolou na Arena, o Athletico Paranaense começou avassalador e precisou de pouquíssimo tempo para mostrar sua força. Logo no primeiro minuto, em uma jogada construída com precisão pela esquerda, Mendoza soltou um chute espetacular de fora da área, sem chances para o goleiro. Foi um golaço, daqueles que mudaram o clima do jogo antes mesmo de o adversário conseguir respirar.

Apesar do golpe, o Cruzeiro tentou responder de imediato. Aos dois minutos, Villalba avançou em velocidade e finalizou firme, obrigando o goleiro a trabalhar. Naquele momento, a Raposa mostrava que não se intimidaria, buscando o empate com intensidade e coragem.

No entanto, a fase terrível do Cruzeiro logo se tornou evidente outra vez. Antes mesmo que o time pudesse se reencontrar em campo, o desastre se repetiu: um pênalti foi marcado para o adversário. Com pouco mais de dez minutos de jogo, o time paranaense já ampliava o placar, marcando o segundo gol e transformando o início da partida em um verdadeiro pesadelo para a Nação Azul.

Atrás no marcador, o Cruzeiro tentou se reorganizar, buscando intensidade para reagir. A equipe rodou a bola, explorou os lados do campo e procurou espaços na defesa paranaense, na tentativa de construir a jogada que resultasse no primeiro gol.

A pressão aumentou gradativamente e o time mostrou mais presença ofensiva, embora seguisse encontrando dificuldades na finalização. O objetivo era claro: buscar o empate para retomar a confiança de um clube acostumado a grandes conquistas.

Já nos minutos finais do primeiro tempo, o Cruzeiro tentou diminuir o prejuízo em uma jogada de insistência. Jhon apareceu bem na entrada da área e finalizou com firmeza, levando perigo e arrancando suspiros da torcida. A bola, porém, parou na boa intervenção do goleiro adversário, que evitou o gol celeste e manteve a vantagem paranaense. Foi mais um momento que simbolizou a luta da equipe mineira, que, mesmo acuada, seguiu buscando alternativas para reagir antes do intervalo.

Fim do primeiro tempo, um time que não se encontrou no jogo.

Segundo tempo: Em busca redenção

A Raposa voltou para o segundo tempo sem alterações, mas buscando uma postura diferente, já que, na etapa inicial, jogou muito abaixo do esperado.

O Cruzeiro continuou jogando muito abaixo do esperado, sem exercer pressão sobre o adversário e com extrema dificuldade para chegar ao ataque. Para um time que estava perdendo, faltava a garra necessária para buscar o empate. Mas comparado ao primeiro tempo, o time jogou um pouco melhor.

Tentando melhorar o volume de jogo, a primeira substituição foi a entrada de Wanderson no lugar de Japa.

O gol finalmente saiu após uma pressão insistente do Cruzeiro. Em uma jogada iniciada por Kaiki, Neiser balançou as redes e abriu o placar para o Cabuloso. Aquele gol era o combustível que o time precisava para buscar energia e tentar a virada no jogo.

Após o gol, a torcida Celeste, mesmo em minoria, começou uma bela festa nas arquibancadas. O time aproveitou o embalo e conseguiu imprimir mais pressão, a entrada de Walace deu o fôlego necessário à equipe, que passou a buscar o empate com muito mais intensidade.

E vieram mais alterações: Chico da Costa e Rhuan Gabriel entraram para renovar o fôlego da equipe, na última tentativa de buscar o gol de empate.

Mesmo com as alterações, o Cruzeiro não conseguiu o empate necessário para garantir ao menos um ponto fora de casa.

Agora, a torcida clama: que venha logo o novo técnico e a “virada de chave” de que o clube tanto precisa. Desejamos ver de volta a coragem, a vontade de jogar e as vitórias que todos nós, cruzeirenses, merecemos. Ao presenciar essa situação, o sentimento é de um déjà vu amargo, as semelhanças com 2019 são assustadoras, quando vimos um cenário parecido culminou no rebaixamento para a Série B.

Próximo Desafio

O Cruzeiro volta a campo contra o Santos, neste domingo (22/03), às 16h. Esperamos que venha a vitória necessária para resgatar a nossa autoestima e afastar de vez os fantasmas do passado.

Por Mury Kathellen

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


Deixe um comentário

Veja Também:

Faça o login

Cadastre-se