América abre a decisão do estadual contra o rival na Arena das Dunas e começa a escrever as páginas finais em busca do tetracampeonato
O América de Natal começa a escrever, nesta quarta-feira (18), o capítulo final do Campeonato Potiguar 2026. Às 20h30, na Arena das Dunas, o Mecão enfrenta o rival ABC no primeiro ato da decisão, em confronto que terá continuidade no próximo sábado (21), às 16h, no mesmo palco, mas dessa vez com mando do adversário. Sem vantagem de empate, a final será definida na soma dos dois jogos e, em caso de igualdade em pontos e saldo, a taça será decidida nas cobranças de pênaltis.

A noite promete ser de arquibancada cheia e clima de decisão desde cedo. A partir das 18h30, o setor leste da Arena será tomado pelo esquenta comandado pelo Pagode da União, preparando o ambiente para mais um Clássico-Rei, que carrega não só rivalidade, mas também muita história.
O América entra em campo em busca de um feito que não acontece há mais de quatro décadas: o tetracampeonato estadual, alcançado pela última vez em 1982, coroando a sequência iniciada em 1979. Agora, mais de 40 anos depois, o clube tem novamente a oportunidade de escrever seu nome em sequência na linha do tempo do futebol potiguar.
Os números recentes mostram o quanto esse duelo é equilibrado e, ao mesmo tempo, imprevisível. Nos últimos 14 encontros entre as equipes, foram nove empates, três vitórias americanas e duas do rival, com 14 gols marcados para cada lado. Um recorte que mostra claramente que este confronto será, sempre, decidido nos detalhes. E aqui eu deixo um clichê: não importa qual equipe tenha o melhor elenco: clássico é clássico e vice-versa.
O histórico geral de títulos estaduais costuma ser motivo de debate, mas quando o assunto é final direta, a supremacia alvirrubra é incontestável. Esta será a 31ª decisão entre os clubes e o Mecão leva vantagem: são 17 taças levantadas, contra 13 do time do alfabeto. O retrospecto mais recente também veste vermelho e branco: nas últimas cinco edições, foram três títulos do Mecão, contra apenas um das letrinhas.
Dentro de campo, a final também traz novidades. A arbitragem será totalmente composta por profissionais do quadro da CBF, vindas de diferentes estados, e a decisão contará com o auxílio do árbitro de vídeo, tecnologia inédita nesta edição do campeonato. Que esse ano o VAR seja usado da forma correta e por alguém devidamente capacitado.
Mas nem tudo são FLORES nessa construção. O América chega para a decisão após uma sequência que deixou marcas. Na última quarta-feira (11), o empate sem gols com o Volta Redonda, pela Copa do Brasil, terminou com eliminação nos pênaltis, que custou caro. Literal e metaforicamente. Além da queda na competição e da perda financeira pela não classificação, o time viu dois de seus principais jogadores, Aruá e Taddei, deixarem o campo lesionados.
Sem poder contar com a dupla e precisando administrar o desgaste físico do elenco, o técnico Ranielle Ribeiro optou por um time alternativo na volta da semifinal contra o Potiguar. O empate em 1 a 1 foi suficiente para garantir a vaga na final, mas também teve seu preço: o América perdeu a liderança geral e, com ela, o direito de decidir o título como mandante no segundo jogo.
Para a decisão desta quarta-feira, o cenário não muda muito. Aruá e Taddei seguem como dúvidas fortes e dificilmente estarão em campo, assim como Guilherme Paraíba, que ainda se recupera da apendicectomia. Com isso, a tendência é que nomes como Antonio Villa, Galvan e Renzo ganhem nova oportunidade entre os titulares.
Mais do que um jogo, o que começa nesta quarta-feira é a escrita dos parágrafos finais de uma história que o torcedor americano quer, há muito tempo, ver terminar com final feliz. E, como todo bom capítulo decisivo, não basta apenas estar em campo: é preciso saber escrever.
Provável América: Renan Bragança; Lucas Mendes, Lucas Rodrigues, Renzo e Evandro; Judson (Coppetti), Antônio Villa e Souza; Cassiano, Galvan e Salatiel (Tanque).
Por Carmen Gabrielli
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo