Sem vencer no Brasileirão, o Internacional chega pressionado para enfrentar o Bahia no Beira-Rio
O relógio corre. E, para o Clube do Povo, ele parece correr ainda mais rápido. Chega a sexta rodada do Campeonato Brasileiro Série A e, dentro de casa, o Colorado vê o passo do tempo apertar contra si mesmo enquanto busca romper a barreira que ainda o separa da primeira vitória na competição.
Não faz exatamente muito tempo que o mesmo Inter se viu à beira do precipício de uma segunda divisão. Em 2026, o Colorado alcança a 6ª rodada do campeonato sem conhecer o gosto de vencer uma partida. Assim, neste domingo (15), no Estádio Beira-Rio, recebe o Bahia — e vencer deixa de ser apenas desejo: torna-se obrigação.

Já na metade do mês de março, o time colorado amarga a vice-lanterna do campeonato. É como se 2025 tivesse apenas tirado uma breve folga e decidido retornar sem avisar. O pavor de um time que tenta, insiste e ainda assim é incapaz de vencer volta à tona. Reexibe-se, no cinema do futebol brasileiro, o cartaz de um time pavoroso que se mistura entre uma direção por vezes confusa e atuações perdidas entre seus próprios personagens.
Após a derrota desastrosa em Minas Gerais na última quarta-feira (11), o Inter comandado por Paulo Pezzolano reapresentou-se na tarde de quinta-feira (12), iniciando os primeiros trabalhos já com o foco voltado para o adversário de domingo.
Mais uma vez sem muito tempo entre uma partida, uma viagem e outro confronto, o grupo dividiu-se inicialmente entre recuperação física e atividades táticas direcionadas ao Tricolor Baiano. À beira do gramado, no entanto, o time não contará com o comandante. Pezzolano recebeu o terceiro cartão amarelo e cumpre suspensão. Assim, o auxiliar técnico Esteban Condé será o responsável por dirigir a equipe.
As mudanças não ficam restritas apenas à casamata vermelha e branca. Na escalação, alterações são aguardadas em relação ao time que iniciou o confronto diante do Clube Atlético Mineiro. Bruno Gomes deve retomar a lateral direita, enquanto o meio-campo pode ser recomposto por Ronaldo ou até mesmo Villagra. Na zaga, a recomposição deve contar com Gabi Mercado, enquanto no ataque Rafael Borré deve reassumir atitularidade.
O grupo teve poucos dias de preparação. As atividades foram finalizadas já neste sábado (14). Mais do que decisões técnicas, no entanto, o momento expõe uma preocupação que já não parece precoce: a incapacidade que o time demonstra em reagir.
A defesa tem sido frágil e desatenta, oferecendo chances perigosas aos adversários. E do outro lado estará um time que, definitivamente, de bobo não tem nada.
Em campo, o provável XI inicial deve ser formado por: Sérgio Rochet; Bruno Gomes, Gabi Mercado, Victor Gabriel e Bernabei; Ronaldo, Paulinho, Vitinho, Alan Patrick e Carbonero; Rafael Borré.
Na frente, é aterrorizante o compilado de erros diante do gol. Seja cara a cara, seja em posição privilegiada, toda vez que o time atravessa o último terço do campo parece ter o cérebro sugado por comensais da morte. Como se os dementadores arrancassem do torcedor colorado a capacidade de ser feliz —tudo se torna frio, vazio e silencioso.
Neste domingo quente à beira do Guaíba, o Inter não entra em campo apenas para disputar mais três pontos do campeonato. Entra para enfrentar algo maior: o peso de suas próprias dúvidas.
Neste domingo quente e ensolarado à beira do Guaíba, o Inter precisará recorrer à magia que envolve o Estádio Beira-Rio como um antigo feitiço de proteção. O Colorado precisará invocar o seu Patrono mais poderoso: o seu torcedor. É preciso ir, é preciso estar, é preciso empurrar. Fazer novamente do Beira-Rio o endereço mais encardido de se jogar.
Porque, quando a bola rolar, já não será apenas sobre tática, escalação ou estratégia. Será sobre resistir. Sobre acreditar. Sobre lembrar ao próprio Sport Club Internacional que, mesmo quando os dementadores parecem rondar e sugar a esperança, ainda existe um feitiço capaz de mudar qualquer destino: jogar juntos.
Por Jéssica Salini
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.