Erros pesam e Cruzeiro liga sinal de alerta


Equipe segue cometendo falhas, ainda busca a primeira vitória e vê pressão aumentar

Na noite desta quarta-feira (11), o Cruzeiro enfrentou o Flamengo fora de casa, no Maracanã, em partida válida pelo Campeonato Brasileiro Série A. O confronto terminou com vitória da equipe carioca por 2 a 0. Com o resultado, a Raposa soma apenas 2 pontos em 15 já disputadas nas primeiras rodadas da competição.

O confronto marcou o reencontro do time celeste com o técnico Leonardo Jardim, alvo de críticas da torcida mineira por declarações feitas no ano passado. Dentro de campo, o treinador mostrou que ainda conhece bem os pontos fracos de sua ex-equipe. Além disso, a partida promoveu o reencontro do volante Gerson com seu antigo clube.

O time continua cometendo muitos erros, principalmente pela falta de atenção em lances que poderiam ser evitados. A equipe conhece os próprios problemas, mas a correção ainda demora a aparecer dentro de campo. Além disso, a confiança que a diretoria vem depositando em Tite começa a gerar preocupação, especialmente porque os próximos desafios serão bastante difíceis. Diante desse cenário, será fundamental que o time apresente uma postura mais competitiva para reagir na sequência da temporada.

Primeiro tempo

Foto: Thais Magalhães/Cruzeiro

Sabendo das dificuldades de jogar no Rio de Janeiro, o Cabuloso entrou em campo pressionado pela fase instável na competição. O desafio aumentou com a ausência da nossa principal estrela, Kaio Jorge, que permaneceu em Belo Horizonte para tratar uma lesão.

Desde o apito inicial, o cenário foi favorável aos donos da casa. O Flamengo dominou as ações e impôs uma pressão alta, deixando o Cruzeiro sem espaços. Contra um elenco qualificado como o do rubro-negro, qualquer erro pode ser fatal, e foi em um desses deslizes defensivos que Pedro abriu o placar.

No decorrer da primeira etapa, ficou evidente a dificuldade do Cruzeiro em se encontrar taticamente. Com pouca posse de bola e assistindo ao jogo do adversário, a equipe mineira raramente levou perigo. Nas poucas oportunidades criadas, o goleiro flamenguista apareceu bem para garantir a vantagem.

A Raposa seguiu apresentando sérias dificuldades para infiltrar na defesa adversária e chegar com perigo ao gol. Diante desse cenário, a responsabilidade de mudar o jogo recaiu sobre Matheus Pereira. O camisa 10 passou a buscar mais a bola, tentando ditar o ritmo e servir como o principal articulador para ajudar o time a se encontrar em campo. E o Gerson também se destacou na organização, controlando o meio-campo.

Ao chegar aos 30 minutos, o time mineiro finalmente conseguiu equilibrar as ações, apresentando um futebol superior ao demonstrado no início da partida. No entanto, como a vida do cruzeirense raramente reserva um dia de paz, a tensão tomou conta do Maracanã logo em seguida.

Aos 31 minutos, o árbitro aplicou um cartão vermelho direto em um lance entre Matheuzinho e Cebolinha que, à primeira vista, sequer parecia falta. A decisão gerou revolta imediata em campo. Felizmente para a Raposa, a tecnologia entrou em ação: o VAR solicitou a revisão da jogada e, após a análise no monitor, o cartão foi anulado, mantendo o Cabuloso com 11 jogadores e vivo na disputa.

Ao longo do jogo, bateu uma saudade antiga. Mesmo após tantos anos, ainda sinto falta desse jogador. Arrascaeta mostrou a qualidade que tem, jogando bem e criando várias jogadas perigosas, todos sabemos que, em qualquer deslize, ele aparece. O Cruzeiro precisou se desdobrar para evitar o segundo gol, entendendo a importância dessa vitória para resgatar a confiança necessária e se recuperar no Brasileirão.

Com cinco minutos de acréscimo, o Cruzeiro buscou o empate antes do intervalo, mas o primeiro tempo terminou mesmo em 1 a 0 para o adversário. O time celeste teve um início difícil, conseguiu equilibrar as ações, mas pecou na falta de qualidade e na criação de chances reais de gol.

Segundo tempo

Foto: Thais Magalhães/Cruzeiro

O Cruzeiro voltou do intervalo sem alterações, mas o cenário em campo continuou perigoso. O Flamengo iniciou a etapa final pressionando e quase ampliou a vantagem logo cedo. Aos 6 minutos, Arrascaeta recebeu um belo passe de Lucas Paquetá, invadiu a área e soltou a bomba. A bola ainda desviou em Cássio antes de carimbar a trave, arrancando suspiros da torcida rubro-negra.

Pouco depois, aos 8 minutos, o perigo voltou a rondar a área celeste. Após cobrança de escanteio de Arrascaeta, a defesa cruzeirense afastou parcialmente e a sobra ficou com Erick Pulgar. O chileno bateu de primeira, com força, mas Cássio apareceu gigante outra vez para operar uma grande defesa e evitar o segundo gol. A pressão carioca seguiu intensa, exigindo atenção total do sistema defensivo da Raposa.

Precisando se reencontrar em campo e pressionar pelo empate, o Cruzeiro apostou em Chico da Costa para ganhar agressividade e presença de área. Mas o roteiro ganhou um drama inesperado: Cássio sentiu e teve que sair. A torcida viu, então, a estreia de Matheus Cunha, que entrou no fogo cruzado logo contra seu ex-time.

Os minutos foram passando e o Cabuloso não conseguiu atacar com a eficiência que gostaríamos de ver, apresentando um desempenho mais baixo enquanto o adversário continuava com intensidade. Ficou claro a falta que o nosso Kaio Jorge faz, pois é um jogador que, mesmo quando parece “apagado” em campo, mostra-se decisivo no resultado final.

O Cruzeiro teve uma boa oportunidade de empatar a partida aos 33 minutos do segundo tempo. Após um erro de Alex Sandro na saída de bola, Chico da Costa recuperou a posse e iniciou a jogada ofensiva. Lucas Silva finalizou, mas a bola explodiu na marcação, no rebote, Matheuzinho ainda tentou concluir, porém acabou mandando para fora, desperdiçando uma grande chance para a equipe celeste no Maracanã.

O cronômetro marcou oito minutos de acréscimo, tempo suficiente para um último fôlego. O Cruzeiro apertou o passo em busca do empate, ciente de que um ponto seria melhor do que a derrota. Duas boas oportunidades surgiram logo de cara, mas faltou o capricho final para converter a pressão em resultado e alterar o marcador.

Está difícil demais ser Cruzeiro em 2026. Faltando menos de um minuto para o apito final, sofremos o segundo gol do Flamengo. O time até jogava um pouco melhor, mas o desempenho geral neste campeonato é desanimador.

É impossível entender o que está acontecendo com os jogadores, a comissão técnica e a diretoria. Viver nessa instabilidade, persistindo em erros bobos e na falta de qualidade, é exaustivo. Temos apenas dois pontos em cinco rodadas, a evolução caminha a passos lentos. Sem o Kaio Jorge, o time perde o fôlego, fica lento e falta intensidade.

O jogo terminou em 2 a 0, mas o sentimento é de que estamos repetindo histórias passadas e revivendo traumas recentes, como a infelicidade de 2019.

Naquele ano, o título mineiro também mascarou um desempenho vergonhoso em outras competições, e não foi à toa que o time caiu. Uma das lições mais básicas da história é que ela se repete quando não aprendemos com os erros. Cruzeiro, acorde enquanto ainda há tempo.

Próximo jogo

Após o duelo contra o Flamengo, o Cruzeiro já volta suas atenções para a próxima rodada do Campeonato Brasileiro Série A. A Raposa entra em campo no domingo (15), às 20h 30, para enfrentar o Vasco da Gama, no Mineirão, em Belo Horizonte.

O confronto promete ser importante para as duas equipes que buscam somar pontos e ganhar estabilidade na competição. Jogando diante de sua torcida, o Cruzeiro espera aproveitar o fator casa para conquistar um resultado positivo e seguir firme na disputa do Brasileirão.

Por Mury Kathellen

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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