Botafogo se acovarda e é eliminado da Libertadores 


Botafogo perde para o Barcelona de Guayaquil e não chega à fase de grupos da Libertadores.

O Botafogo enfrentou o Barcelona de Guayaquil nesta terça-feira (10), no estádio Nilton Santos, às 21h30, em partida válida pelo jogo de volta da terceira fase da pré Libertadores. O Alvinegro jogou mal e perdeu por 1 a 0 para o time equatoriano. 

Vítor Silva

A tristeza é um sentimento peculiar, porque você a sente como se não houvesse um mundo fora dela. Quando ela vem acompanhada da decepção, a visão que alcança uma nova perspectiva se torna cada vez mais turva.

Neste momento, confesso que me encontro além dessa realidade. Meu sentimento é mais sobre desesperança, a pior das sensações.

Quantas vezes eu cheguei aqui para dizer que acreditar era da natureza do torcedor. 

Em situações distintas, escolhi pensar que o amanhã que me esperava seria melhor do que o hoje que trazia consigo os medos que só a gente que vive o futebol, sabe. 

Só que agora eu não me atrevo a dizer isso. Permito-me sentir a angústia que me cabe. 

A realidade se desenha assustadora. Com um nó horrível na garganta, eu começo esse texto. Até porque a vida continua e o amor é o rio que não cessa.

DE OLHO NA PARTIDA 

Eu poderia resumir a partida em uma palavra: vergonhosa. Time apático, sem senso de urgência.

Em um duelo desesperador, o Botafogo demonstrou incompetência desde o primeiro minuto. Apesar de ter começado com um volume de jogo considerável e apresentar jogadas em velocidade, o alvinegro pecava na conclusão com uma frequência assustadora.

Aos 7 minutos do primeiro tempo, o castigo pela passividade e falta de controle do jogo chegou. Martínez ajeitou o cruzamento de Rojas e Céliz chutou de primeira. Léo Linck aceitou e a bola entrou, mostrando toda a falta de preparo que lhe é peculiar.

O Nilton Santos já não era a casa do Botafogo: era a panela de pressão a ponto de estourar. A torcida demonstrava impaciência de maneira muito coerente, já que o time aparentava sentir o gol e não esboçava reação à curto prazo.

Na iminência de buscar um gol de empate, a troca de Mateo Ponte por Joaquín Correa preparava um Botafogo, na teoria, ofensivo.

Ao menos em tese.

A falta de habilidade técnica e emocional em um momento que pedia capricho para tomar as decisões com clareza ficava cada vez mais nítida. Aos 42 minutos, Matheus Martins chutou para o gol, mas parou no goleiro do time visitante.

Aliás, outro agravante: essa foi uma das poucas vezes em que o time chutou ao gol. O Botafogo possivelmente queria ser pioneiro: ser o primeiro clube do mundo a fazer gol por telepatia.

Quando o segundo tempo começou, o Botafogo esboçava uma mudança de postura. Alex Telles tentava nas bolas paradas, mas contava com o bom posicionamento do goleiro do Barcelona. 

Correa também buscava, mas esbarrava com a falta de entrosamento dos outros jogadores, que o deixavam sozinho para finalizar as jogadas de potencial perigo.

Apesar das chances melhorarem, o Botafogo não era efetivo nas finalizações e ainda deixava espaços para o time adversário.

Como uma soma de todos os fatores, o time brasileiro se despediu da competição internacional logo na fase preliminar.

O pior dos cenários. Tudo o que não poderia ter acontecido, aconteceu.

O QUE JÁ ERA RUIM, FICOU PIOR 

O misto de medo com decepção me invade por completo. As palavras que sairiam com facilidade, hoje se confundem em uma dor.

Dono trambiqueiro, diretoria omissa, jogadores sem instinto de reação, sem capacidade de chamar a responsabilidade.

A culpa recairá em cada agente de cada esfera. Não importa se é administrativa ou de prestação de serviço. Isentar alguém extracampo ou entre os 21 que formam os relacionados para a partida é cortar caminho para a resolução real do problema.

A ordem da revelação dos fatores é uma só: reconhecer, responsabilizar e atuar. E o que acontece dentro do Botafogo há anos é o esquecimento de alguma dessas etapas na tentativa de simplificar as questões.

As projeções de um desafio nessa magnitude requerem atenção, entrega no entendimento das origens de todo caos, mas o que mais vemos é um projeto de enganações para encobrir a realidade. 

A realidade que dilacera, que aflige e que limita, mas PRECISA ser enfrentada.

O futuro do Botafogo caminha lado a lado de mentiras bem contadas. Enquanto alguns aparecem ao torcedor com um sorriso de canto de boca, embaixo dos panos há uma sujeira que toma proporções tão grandes que quando tentarem conter, já vai ser tarde demais.

Hoje, é só cansaço. Hoje, o amargo da derrota não é maior que o medo do que pode vir pela frente. Amanhã, talvez seja bonito novamente, mas eu me limito a dizer que duvido – e duvido muito. 

PRÓXIMO JOGO 

O Botafogo volta a campo no sábado (14), contra o Flamengo, no estádio Nilton Santos, às 20h30, em partida válida pela quarta rodada do campeonato brasileiro. 

Não sei como, mas continuaremos. caminharemos. resistiremos. Sempre, sempre, SEMPRE juntos.

Por Julia Aveiro 

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo


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