Cruzeiro Conquista o Mineiro 2026

No final da tarde deste domingo (08), às 18h, teve início mais um capítulo do maior clássico de Minas Gerais. Cruzeiro e Atlético se enfrentaram no Mineirão (Toca 3) com torcida dividida, proporcionando uma festa belíssima que há muito tempo não se via com ambas as cores dividindo o estádio. O jogo terminou 1 a 0, com a vitória e o título do Maior de Minas, o Cruzeiro Esporte Clube.
O duelo consagrou nossos destaques: Kaio Jorge, o artilheiro do campeonato, mostrou mais uma vez sua importância decisiva, Matheus Pereira, o nosso “Gelado”, ditou o ritmo e Lucas Romero impôs a raça de sempre. Todo o elenco demonstrou a união e a confiança que o time tanto precisava para esse momento.
Infelizmente, a confusão generalizada ao final da partida registrou uma cena lamentável para todos os torcedores, servindo de mau exemplo e incentivando a violência entre adversários. Foi um episódio que manchou momentaneamente a celebração de uma conquista que a Nação Azul esperava desde 2019.
Apesar de tudo, o Cabuloso foi campeão em uma temporada de altos e baixos. O time finalmente se encontrou no Campeonato Mineiro e, após este título, a expectativa é que consiga o mesmo fôlego para os desafios do Brasileirão e o restante de 2026. Tirando os incidentes, o Cruzeiro jogou muito melhor, mostrou vontade em campo e garantiu o primeiro troféu do ano. O Mineirão provou, mais uma vez, ser a nossa casa de histórias heroicas e imortais, reafirmando por que somos o Gigante de Minas.
Como torcedora, mesmo sendo “apenas” o título estadual, é gratificante ver o Cruzeiro voltando ao topo. Só quem é cruzeirense sabe o quanto isso é importante, pois vivemos momentos muito tristes e desafiadores nestes últimos anos. O campeão voltou!
Como diz a música: Hoje, É o dia da Glória, De fazer história, De ver quem sorriu, sofrer. Voltei!
Primeiro tempo
A final do Campeonato Mineiro começou com um minuto de silêncio em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, propondo uma reflexão necessária sobre os casos de assédio e feminicídio no Brasil.
Assim que o árbitro autorizou o início do primeiro tempo, as duas torcidas deram um show à parte, trazendo a energia vibrante que uma decisão desse porte exigia. Nos minutos iniciais, o Cruzeiro pressionou o adversário em busca do primeiro gol, ciente de que, em um jogo onde cada detalhe define o título, abrir o placar era fundamental para ganhar confiança.
Contudo, como era de se esperar de um clássico, a partida logo se tornou mais truncada, com excesso de faltas e muitas interrupções. Afinal, em uma final dessa magnitude, qualquer desatenção poderia custar o troféu.
O time celeste tentou imprimir velocidade, especialmente com Gerson, que protagonizou lances perigosos pela esquerda e chegou a aplicar um belo chapéu em Cissé, incendiando a arquibancada. Em uma das investidas mais agudas, Kaiki chegou à linha de fundo e cruzou rasteiro, mas a defesa atleticana conseguiu afastar o perigo.
À medida que o tempo avançava, o Atlético conseguiu equilibrar as ações, e o Cruzeiro passou a encontrar mais dificuldades para se aproximar da área adversária. Ficou nítido que ambas as equipes entraram em uma fase de estudo mútuo, cautelosas, buscando encontrar a brecha ideal para tentar abrir o placar sem se expor excessivamente.
O Galo veio preparado para uma marcação sólida, impedindo que Matheus Pereira encontrasse espaços para ditar o ritmo do jogo. Da mesma forma, Kaio Jorge não conseguiu se aproximar do gol, neutralizado pela defesa. Naquele momento, ambas as equipes evitavam erros a todo custo, jogando com uma cautela que refletia o peso da decisão.
Como costuma ocorrer em grandes clássicos, a primeira etapa foi se tornando cada vez mais truncada, marcada por um excesso de faltas e uma arbitragem que interrompia o fluxo do jogo constantemente. À medida que o tempo passava e o gol não saía, a torcida já começava a sentir que a decisão por pênaltis poderia se tornar uma alternativa real.
Aos 42 minutos, Gerson avançou pela esquerda e cruzou rasteiro para Kaio Jorge, mas a defesa conseguiu interceptar antes da finalização. Em outro lance, Victor Hugo tentou infiltrar pelo meio, porém foi parado pela marcação adversária. O duelo seguiu equilibrado, com as duas equipes buscando espaços, mas encontrando dificuldades diante das defesas bem postadas.
Foram 4 minutos de acréscimo, aos 47, Lucas Silva quase abriu o placar para o Cruzeiro. O volante aproveitou a sobra de bola no meio-campo, avançou e arriscou um chute potente de fora da área. A finalização levou perigo, incendiando a torcida e confirmando que o clássico seguia totalmente aberto e disputado.
A primeira etapa terminou em 0 a 0, refletindo um jogo extremamente equilibrado. Com as duas defesas sólidas, ambas as equipes se mostraram seguras na marcação, mas faltou aquela dose de coragem e ousadia para tirar o zero do marcador antes do intervalo.

Segundo tempo
O segundo tempo começou e a Raposa manteve a formação inicial, sem nenhuma alteração. Logo nos minutos iniciais, o time garantiu seu primeiro escanteio na partida, algo que não havia ocorrido em toda a primeira etapa. Por outro lado, o Galo também voltou com uma postura diferente, passando a pressionar mais a saída de bola adversária.
A torcida celeste não parou de cantar um segundo sequer, transmitindo a energia que o Cabuloso precisava para ganhar campo e buscar o gol. Com esse empurrão vindo das arquibancadas, o time retomou a posse de bola e passou a frequentar com muito mais perigo a área adversária.
E aos 15 minutos, o nosso artilheiro e jogador decisivo apareceu: Kaio Jorge abriu o placar, levando a torcida ao delírio enquanto todos faziam o gesto do “K” em peso. O lance mostrou a importância do atacante para o elenco e para o destino desta decisão.
No entanto, o gol gerou uma confusão generalizada em campo, com os jogadores adversários reclamando intensamente, incapazes de aceitar o domínio do Maior de Minas.
Após o gol, o cenário do jogo mudou por completo. O Cruzeiro ganhou a confiança que faltava, passando a ditar o ritmo da partida, enquanto o Atlético entrou em modo de desespero. Em uma tentativa de buscar o empate a qualquer custo, o adversário partiu para as substituições, tentando reorganizar o time sob a pressão.
O Atlético apostou alto com as alterações, enquanto o Cabuloso tentou manter o ritmo e partiu em busca do segundo gol para liquidar a fatura. Em um momento de perigo após uma falta, Hulk soltou o pé, mas Cássio fez uma defesa segura, impedindo que o empate acontecesse naquele instante.
Aos 34 minutos do segundo tempo, o Kaio Jorge quase ampliou para a Raposa. Após boa jogada pela direita, Matheus Pereira encontrou o atacante livre. Kaio Jorge avançou com confiança, puxou para dentro e arriscou um chute colocado, buscando o canto do gol. A bola, porém, passou longe do gol.
Nos minutos finais, o Atlético pressionou intensamente, ficou no campo de ataque do Cabuloso. O final da partida foi dramático, com uma sucessão de escanteios, defesas do Cássio e novos focos de confusão entre os atletas. Mesmo com o jogo totalmente aberto, a Raposa conseguiu administrar a vantagem e segurar o rival.
Mas, no último minuto o goleiro do Atlético perdeu a cabeça e provocou uma confusão generalizada ao final da partida, envolvendo jogadores de ambas as equipes. O jogo terminou de forma muito feia, esse tipo de atitude, infelizmente, serve de incentivo para que a violência se estenda às arquibancadas.
Foi uma situação profundamente lamentável, especialmente em uma decisão de campeonato com torcida dividida, momento que deveria servir para mostrar que a rivalidade deve se restringir ao campo e que as torcidas podem conviver em união.
Tirando essa situação que atrapalhou todo o jogo, somos campeão! Cruzeiro voltou e vamos com tudo em 2026.
Próximo jogo
O próximo desafio será um reencontro com um antigo técnico. O Cabuloso volta a campo pelo Brasileirão contra o Flamengo no dia 11 de março, às 21h30, em jogo fora de casa, no Estádio do Maracanã.
Por Mury Kathellen
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.