Fluminense sofre sem “homem-gol” e perde invencibilidade


Tricolor é superado por 2 a 1 na Arena Barueri

Na última quarta (25), Fluminense conheceu sua primeira derrota no Brasileirão de 2026 ao ser superado pelo Palmeiras por 2 a 1 na Arena Barueri, saindo com um sentimento agridoce. Com um início desatento dos visitantes, não conseguiram conter a imposição física adversária e viram os donos da casa construírem o placar rapidamente. Nos 15 minutos iniciais, o Palmeiras foi intenso e letal, seguido por um Fluminense que dominou as ações e a posse de bola no restante do tempo, mas que falhou na hora de concluir o volume de jogo em gol.

Com o resultado, o Flu estaciona nos 7 pontos, caindo para a quinta posição provisória, e o clássico decisivo do fim de semana agora tem um peso gigante. Numa noite que já tinha a tensão do reencontro com o Jhon Arias e a revolta da torcida com o “tapinha nas costas” de alguns jogadores no colombiano, o Fluzão pagou caro pela desatenção inicial. O resultado em São Paulo é um baita de um alerta para o time de Zubeldía: não adianta nada ter todo o domínio da posse de bola se ela não se transforma em gol. Precisamos urgentemente de mais pontaria!

Foto: Lucas Merçon/FFC

O susto e tentativa de reação

Diferente do que costuma apresentar, o Fluminense optou por não iniciar o jogo subindo a marcação. O Palmeiras, com sete jogadores pressionando alto e se aproveitando da ausência de algumas peças características (como Canobbio, suspenso), sufocou a saída de bola carioca.

O pior cenário possível se materializou logo aos 7′. Em um verdadeiro vacilo defensivo, Martinelli errou um passe e entregou a bola de graça. Andreas Pereira foi ligeiro na roubada e acionou Maurício, que deu um ótimo passe para Vitor Roque. O atacante sairia de frente para o gol, mas o goleiro Fábio chegou atrasado, tocou o joelho direito na perna de Roque e cometeu o pênalti, recebendo o cartão amarelo. Na cobrança, o atacante bateu no meio e deslocou Fábio, que caiu para a esquerda.

Aos 14′, a situação ficou ainda mais dramática contra uma defesa tricolor que havia sofrido apenas dois gols no campeonato inteiro até então. Allan encarou a marcação de Freytes, fez o drible e, mesmo com a opção de cruzar, bateu direto no canto. A bola sofreu um desvio crucial e matou as chances do goleiro tricolor, decretando o 2 a 0.

Atrás no placar, a equipe de Laranjeiras começou a se estabilizar. Em meio a esse processo, aos 22′, Bernal faz uma falta e machucou o joelho em uma tentativa de conter o contra-ataque palmeirense. Mesmo sangrando e querendo continuar, a comissão técnica optou pela entrada de Otávio, gerando insatisfação visível do volante uruguaio.

O Fluminense cresceu e, aos 39′, foi recompensado. Flaco López errou um passe, entregando a bola de presente nos pés de Lucho Acosta. O argentino tocou para Ganso, que teve o chute bloqueado. Na sobra, o próprio Bruxo foi para cima de Marlon Freitas (que não viu a cor da bola), tirou Gómez da jogada e bateu rasteiro por baixo para diminuir a desvantagem. QUE GOLAÇO!

Domínio com posse, mas sem definição

Taticamente falando, o duelo mostrou que temos um padrão de jogo sólido e bem implementado, porém de arremate ineficaz. O time sabe exatamente o que fazer com a bola nos pés, rodando a posse e encurralando o adversário, mesmo quando se viu acuado no início por um elenco de força total. As mudanças na segunda etapa, como a entrada de Soteldo, ditaram o controle quase absoluto do jogo, com o Tricolor amassando a defesa paulista.

A grande ferida exposta nesta derrota, contudo, é estrutural. Hoje, a equipe sofre visivelmente por não jogar com um centroavante de ofício que resolva. O Fluminense é um time que cria D-E-Z-E-N-A-S de jogadas (e merecia ter goleado), consegue encontrar soluções em confrontos amarrados e disputas intensas, mas na hora de arrebatar o lance decisivo, falta o bendito cara para enfiar a bola no fundo da rede.

As opções ofensivas no elenco hoje, que são Soteldo, Santi Moreno, Matheus Reis e o jovem Kevin Serna, além de John Kennedy no banco, não chegam aos pés de um camisa 9 puro. A saída de Everaldo para o Bahia escancarou um buraco no elenco que a diretoria PRECISA cobrir com urgência para que o domínio territorial visto em Barueri não seja em vão.

Foto: Lucas Merçon/FFC

O peso do clássico e a busca por redenção

A primeira queda no Brasileirão estaciona o Tricolor, enquanto o adversário da noite isolou-se na ponta da tabela com dez pontos. Mas, no ritmo frenético do calendário de 2026, não há margem temporal para lamber as feridas de uma partida que sinalizou um bom futebol ofuscado por erros pontuais e falta de conclusão. As atenções, as cobranças e a obrigação de resposta se voltam integralmente para o próximo domingo (1).

O Time de Guerreiros volta ao Rio de Janeiro para encarar o Vasco da Gama, no Maracanã, pelo jogo de volta da semifinal do Campeonato Carioca. A vantagem do empate pertence ao Tricolor, que venceu a ida por 1 a 0, mas a dinâmica do final de semana promete um cenário de guerra, com ambas as equipes atuando com força total.

Para a arquibancada Tricolor, já irritada com o desempenho de alguns jogadores e frustrada pela derrota no Brasileirão, recuar no domingo não é uma opção. Mais do que garantir a vaga na final, o clássico se tornou a oportunidade perfeita para o elenco dar uma resposta firme à torcida, apagar a má impressão dos minutos de desatenção em Barueri e mostrar que um tropeço fora de casa não apaga os bons sinais que o time vem demonstrando na temporada.

Por Adrielle Almeida

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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