Dentro do esplendoroso Beira-Rio, o entardecer colorado foi de goleada e passeio sobre o Ypiranga
No fim de tarde mais bonito de Porto Alegre, na beira do Guaíba, o Internacional recebeu a equipe do Ypiranga para o jogo de volta das semifinais do Campeonato Gaúcho. Com uma classificação bem encaminhada pela vitória em Erechim por 3 a 0, o Colorado veio insaciável em busca da confirmação e aplicou um sonoro 4 a 0.

Mesmo com uma excelente vantagem construída fora de casa, o Clube do Povo entrou em campo sabendo da responsabilidade de ser quem é — não se é o Sport Club Internacional à toa. E assim, de forma tranquila, organizada e dominadora, o time da casa mostrou muito cedo a que veio. Embora o primeiro lance que tenha feito o torcedor respirar pausadamente tenha vindo do lado adversário, aos 6 minutos, quando, após uma bola parada, a trave precisou trabalhar para salvar a oportunidade do Ypiranga de abrir o placar, o Inter respondeu à altura.
Borré precisou de menos de oito minutos para deixar sua marca em mais uma partida. Um gol com jeito de deboche, numa cavadinha que pareceu tão fácil que quase convida agente — meros mortais — a acreditar que jogar futebol é simples. E eu sou repetitiva, sim, em dizer outra vez o quanto Pezzolano fez magia no retorno do melhor futebol do camisa19.
Com o placar aberto e os visitantes precisando reverter uma desvantagem larga, foi Gabriel, goleiro do Ypiranga, quem assumiu o protagonismo da primeira etapa. O time canarinho abria espaços a cada investida e pecava por não conseguir recompor com eficiência. O Alvirrubro passeava pelo campo, e o goleiro visitante foi acionado em diversas oportunidades; apesar do gol sofrido cedo, acabou sendo o destaque entre os seus.
Mesmo insistente na busca por ampliar o marcador, o Inter não se acomodou com a vantagem, tampouco se deixou contaminar pela ansiedade que costuma cegar jogadores em situações assim. O caminho estava desenhado, e os gols eram apenas questão de tempo. O time visitante, por sua vez, na necessidade de atacar, exauriu ainda mais suas energias — e tudo passou a ser sobre quando, e não se, o próximo gol sairia.

E para quem acha que foi “só” goleada, vale olhar com um pouco mais de carinho para o que o Inter fez em campo. Não foi volume desorganizado, foi ocupação consciente de espaço.
O time manteve amplitude, abriu o campo, fez o Ypiranga correr atrás da própria sombra e trabalhou a bola sem aquela pressa ansiosa de quem já está ganhando. Alan Patrick flutuava onde queria, arrastando marcação e clareando o corredor interno; quando o adversário subia um passo, o Inter atacava às costas. Quando recuava, girava a bola até encontrar o momento certo. As entradas de Vitinho e Alerrandro não foram apenas “oxigênio”: foram leitura de jogo. Um para atacar profundidade, outro para agredir a última linha. Não foi espetáculo aleatório — foi controle. E controle, convenhamos, é coisa de time que sabe exatamente o tamanho que tem.
Na segunda etapa, Pezzolano buscou fôlego novo cedo. Aos 17 minutos, optou por Vitinho na vaga de João Victor — e a troca foi decisiva. O atacante precisou de poucos minutos para ser encontrado pelo passe mágico do camisa 10: Alan Patrick alçou a bola com precisão para um testaço do camisa 28.Vitinho queria mais — e foi lá buscar. Aos 26 minutos, de fora da área, acertou onde Gabriel não conseguiu chegar e ampliou para 3 a 0. Não era suficiente. Havia campo, jogo e serenidade para mais.
Na construção do placar final, outra substituição foi determinante: aos 29 minutos, Alan Patrick deixou o jogo para a entrada de Alerrandro, que, seis minutos depois, aproveito uma falha defensiva do Ypiranga, contornou Gabriel e marcou para assinar a goleada colorada.Com um placar elástico e a sensação de dever cumprido, o Inter apenas administrou o que já estava resolvido. Porque há jogos que exigem superação — e há jogos que exigem afirmação. Este foi sobre afirmar quem somos. E, tranquilamente, nós esperamos na final.
O Inter volta a campo na quarta-feira (25), diante do Remo, no Mangueirão, às 19h, pela quarta rodada do Brasileirão.
Por Jéssica Salini
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