Noite amarga em Buenos Aires: Flamengo joga mal e sai em desvantagem na Recopa


Derrota para o Lanús expõe falta de intensidade e obriga o Flamengo a buscar virada no Maracanã para evitar mais um vice 

O sonho do bicampeonato da Recopa começou da pior forma possível. Na noite desta quinta-feira (19), diante do Lanús, no acanhado e barulhento La Fortaleza, o Flamengo foi dominado, perdeu por 1 a 0, e deixou Buenos Aires com a sensação de que o problema já não é pontual. O gol de Rodrigo Castillo, de cabeça, no segundo tempo, foi apenas a materialização de uma superioridade argentina que se desenhou ao longo dos 90 minutos.

Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

Desde o início, o Flamengo parecia desconfortável. A opção de Filipe Luís por iniciar sem um centroavante de referência, deixando Pedro no banco e apostando em maior mobilidade na frente, não se traduziu em fluidez. Faltou profundidade, faltou presença na área e, principalmente, faltou intensidade. O Lanús pressionava, ocupava espaços e mostrava clareza sobre como queria jogar. O time brasileiro, ao contrário, rodava a bola sem agressividade e acumulava erros técnicos que minavam qualquer tentativa de controle.

A melhor chance da primeira etapa saiu dos pés de Everton Cebolinha, que parou em boa defesa de Losada. Foi pouco. Muito pouco para um time que carrega o peso de ser campeão da Libertadores e que entra em campo com a responsabilidade de decidir títulos continentais. Do outro lado, Castillo já dava sinais de que seria protagonista. Chegou a balançar as redes duas vezes, ambas anuladas por impedimento — por centímetros. Foi um aviso que o Flamengo insistiu em ignorar.

Na volta do intervalo, Filipe Luís tentou corrigir a rota com as entradas de Pedro e Arrascaeta, mas a melhora foi tímida. O time seguiu lento nas transições, vulnerável pelo alto e desconectado entre defesa e meio-campo. Quando o Lanús parecia confortável com o empate, veio o golpe definitivo: bola levantada na área, Castillo subiu entre os zagueiros e testou firme para fazer 1 a 0. Desta vez, em posição legal. Justo.

O Flamengo ainda viu o adversário acertar a trave e rondar o segundo gol. Não houve reação consistente. Faltou energia, faltou confiança e sobrou a impressão de que a equipe joga sempre um tempo atrás do adversário. Mais uma atuação abaixo do que se espera de um elenco desse nível.

Na coletiva, Filipe Luís foi direto: reconheceu a superioridade argentina, classificou o resultado como justo e admitiu a necessidade de melhorar “urgentemente”. Falou em desconforto com a bola, em falta de profundidade e em um momento de baixa confiança coletiva. O discurso é lúcido. O problema é que ele já começa a soar repetitivo.

Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

Agora, a decisão fica para o Maracanã, na próxima quinta-feira (26), às 21h30. Para levantar a taça da Recopa Sul-Americana, o Flamengo precisa vencer por dois gols de diferença no tempo normal. Vitória por um leva à prorrogação; empate ou nova vitória argentina dá o título ao Lanús. Já não existe margem de erro.

Antes disso, o Rubro-Negro ainda encara o Madureira, no domingo (22), pelo Campeonato Carioca. Mas a cabeça do torcedor já está na finalíssima. Depois do vice na Supercopa, a possibilidade de mais um revés logo no início do ano pesa, e muito.

O Maracanã vai lotar. Vai empurrar. Vai cobrar. Porque se há algo que o torcedor já deixou claro é que entende derrotas, mas não aceita apatia. Quinta-feira não será apenas uma disputa por troféu. É um teste de personalidade, que este Flamengo, até aqui, não provou ter a força que essa camisa exige.

Por Rayanne Saturnino 

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo


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