Paquetá desencanta, Pulgar decide no fim e Flamengo elimina o Botafogo no Nilton Santos
Em pleno domingo de Carnaval (15), o Flamengo foi ao Nilton Santos e garantiu vaga na semifinal do Campeonato Carioca , vencendo o Botafogo por 2 a 1. Com gols de Lucas Paquetá e Pulgar, o time de Filipe Luís eliminou o rival e confirmou a terceira vitória consecutiva na temporada, em um clássico que misturou tensão, oscilação e, no fim, alívio.

O primeiro tempo teve a marca do Flamengo que tenta se reconstruir: pressão alta, marcação adiantada e busca pela recuperação rápida da bola. Foi assim que o Rubro-Negro abriu o placar. Aos 18’, após desarme no campo ofensivo, lance em que os alvinegros pediram falta, Bruno Henrique serviu Paquetá, que da meia-lua bateu de canhota, no canto, para marcar seu primeiro gol desde o retorno ao clube. O camisa 20 comemorou com beijo no escudo e a tradicional dancinha, num gesto que parecia carregar mais do que apenas um gol: era também um pedido de reencontro.
O Botafogo tentou responder apostando na velocidade e nos passes em profundidade, principalmente nas costas de Ayrton Lucas. Matheus Martins teve boas chances, mas pecou na finalização. Apesar da posse e do controle territorial, o Flamengo não transformou o domínio em volume contundente, e o clássico seguiu em aberto.
Na volta do intervalo o cenário mudou. O Botafogo cresceu, passou a ocupar mais o campo ofensivo e encontrou o empate em bola parada. Aos nove minutos, Alex Telles cobrou escanteio e Barboza subiu mais alto que a defesa rubro-negra para deixar tudo igual. O gol deu confiança ao rival, que quase virou pouco depois em bela troca de passes finalizada por Arthur Novaes, para fora.
O jogo entrou em fase de trocação. Filipe Luís mexeu na equipe, colocou Arrascaeta e Cebolinha, e aos poucos o Flamengo retomou as rédeas emocionais da partida. Quando o clássico já caminhava para um final dramático, o Rubro-Negro voltou a ser letal, também em bola parada. Aos 38’, após escanteio, Pulgar cabeceou, Neto rebateu mal e o próprio chileno, atento, testou novamente para as redes. O volante, que havia sido superado no lance do empate, se redimiu no momento mais decisivo da tarde.
Nos minutos finais, o Botafogo já não teve forças para reagir. Coube ao Flamengo administrar a vantagem e confirmar a classificação. Se o desempenho ainda oscila, a sequência recente aponta reação após o início turbulento de 2026, marcado pelo vice na Supercopa e atuações frustrantes no Brasileirão.

A vitória no clássico ganha peso não apenas pela eliminação do rival, que chega à quinta derrota seguida na temporada, mas pelo contexto. O Flamengo, que chegou a flertar com a parte de baixo da tabela na fase inicial do Carioca e só garantiu vaga na última rodada, agora está na semifinal e enfrentará o Madureira em busca de um lugar na decisão.
Entre oscilações e ajustes, o Rubro-Negro avança. Ainda não é o time dominante que a torcida sonha ver, mas em clássico não se pede perfeição, pede-se vitória. E, no domingo de Carnaval, o grito no Nilton Santos foi rubro-negro.
Por Rayanne Saturnino
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