Goleiro defende pênalti, Pulgar e Cebolinha marcam, e Rubro-Negro segura a pressão do Vitória para conquistar seus primeiros três pontos
Nem sempre vencer significa convencer, e o Flamengo deixou o Barradão com essa sensação. Na noite desta terça-feira (10), o Rubro-Negro derrotou o Vitória por 2 a 1 e conquistou seu primeiro triunfo no Campeonato Brasileiro, mas longe de oferecer a atuação que o torcedor espera de um elenco tão qualificado. Ainda assim, depois de uma sequência de tropeços e desconfiança, o que mais importava era interromper o incômodo jejum.

O início de jogo já indicava uma noite difícil em Salvador. O Vitória assumiu as ações, pressionou e encontrou espaços diante de um Flamengo disperso, que errava passes e pouco conseguia ultrapassar o meio-campo. Faltava fluidez, intensidade e presença ofensiva, mas se o volume não aparecia, a eficiência resolveu dar as caras.
Aos 14’, Pulgar recebeu na entrada da área e soltou um chutaço no ângulo, daqueles que mudam o roteiro de uma partida quase sem aviso. Um gol tão bonito quanto improvável para um time que até então pouco havia produzido. E o Flamengo seguiu assim: econômico, cirúrgico e quase silencioso em campo. Já nos acréscimos da primeira etapa, Léo Ortiz lançou com precisão e encontrou Everton Cebolinha, que dominou, limpou a marcação e bateu no canto para ampliar: duas finalizações, dois gols, e uma vantagem que parecia grande demais para o que se via no gramado.
Se o primeiro tempo terminou com a sensação de lucro, o segundo começou como alerta. Logo aos 6’, Renato Kayzer atravessou a defesa rubro-negra com facilidade e serviu Matheuzinho, que diminuiu o placar e incendiou o Barradão. O Flamengo, que já não controlava o jogo, passou a ser empurrado para trás por um adversário mais inteiro fisicamente e com mais apetite.
O momento mais tenso da partida viria pouco depois, quando Alex Sandro cometeu pênalti em Nathan Mendes. Era a chance perfeita para o empate e para transformar a noite em mais um capítulo de frustração. Mas foi então que apareceu a figura que mudaria o destino do jogo: Rossi. Com frieza, o goleiro argentino escolheu o canto certo e defendeu a cobrança de Renato Kayzer, garantindo não só a vantagem, mas também um respiro emocional para um time que parecia à beira do colapso.
A defesa teve peso de gol, talvez até mais! O Vitória ainda tentou manter a pressão, mas o cansaço começou a cobrar seu preço, e o Flamengo, mesmo sem brilho, soube sobreviver aos minutos finais. Foi uma vitória construída mais na resistência do que no controle, mais na eficácia do que no futebol.

Embora sua atuação tenha sido discreta, a partida também marcou os 100 jogos de Lucas Paquetá com a camisa rubro-negra. Símbolo de uma equipe que ainda busca sua melhor versão, o meia pouco conseguiu influenciar uma engrenagem que segue irregular neste início de temporada.
No apito final, o sentimento era duplo. Alívio pelos três pontos, fundamentais para estancar a sequência negativa e dar algum respiro ao ambiente, fazendo o Flamengo chegar aos quatro pontos na tabela. Mas também a certeza de que ainda há muito a ajustar, para um time que sonha alto, apenas ganhar não pode ser suficiente por muito tempo.
Próximo jogo
O calendário não permite celebrações prolongadas: no domingo (15), o Rubro-Negro encara o Botafogo, em clássico decisivo pelas quartas de final do Carioca, no Nilton Santos, às 17h30.
Por Rayanne Saturnino
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