Botafogo constrói um 4 a 0 incontestável sobre o Cruzeiro e faz do Nilton Santos um palco de confiança
Depois de dias tensos e barulhentos nos bastidores, o Botafogo respondeu onde o torcedor mais espera: com bola no pé e personalidade. O time de Martín Anselmi encantou o Nilton Santos com intensidade, coragem e um jogo ofensivo que não deu espaço para dúvidas. Com golaços, categoria e personalidade, o Glorioso atropelou o Cruzeiro, fazendo um 4 a 0 e começando o Campeonato Brasileiro do jeito que o torcedor sonha: líder isolado. Mais do que os três pontos, a vitória encerra um tabu de dez anos sem vencer a Raposa — e acende, de vez, a chama da confiança.

SOBRE A PARTIDA
O Botafogo começou a partida impondo seu ritmo: pressão alta, linhas adiantadas e postura agressiva desde o primeiro minuto. O time tentou sufocar o Cruzeiro e criou boas situações, mas, com o passar do tempo, a Raposa conseguiu equilibrar as ações, explorando os espaços deixados pelo ritmo intenso do Alvinegro. Em uma dessas chegadas, Kaio Jorge chegou a balançar as redes, mas o lance foi anulado por impedimento, funcionando quase como um alerta para o Botafogo. Ainda assim, o Botafogo se manteve competitivo, atravessando o primeiro tempo sem perder o controle emocional.
Na volta do intervalo, o cenário mudou rapidamente. Logo no início, o Glorioso transformou intensidade em futebol. Montoro fez grande jogada pela esquerda, e encontrou Arthur Cabral, que teve inteligência e frieza para servir Danilo. O volante apareceu bem e finalizou com precisão para abrir o placar, num gol que deu confiança e colocou o Nilton Santos de pé.
Com a vantagem, o Cruzeiro se lançou ao ataque, mas encontrou um Botafogo organizado, disposto a sofrer e escolher o momento certo para acelerar. E foi exatamente assim que o segundo gol saiu. Aos 30 minutos, Montoro lançou com perfeição para Matheus Martins, que atacou o espaço, invadiu a área e finalizou cruzado para ampliar, premiando a leitura tática da equipe.
O jogo então virou controle total. Aos 39, Nathan Fernandes cruzou na medida e Danilo, novamente bem posicionado, apareceu para cabecear e marcar o terceiro. Nos acréscimos, Artur aproveitou o cenário favorável e fechou a goleada em 4 a 0, coroando uma atuação de personalidade, foco e blindagem total ao que vinha acontecendo fora de campo.
A POSTURA DO TREINADOR
Martín Anselmi viveu o jogo como a torcida. Vibrou em cada gol, gesticulou, orientou o tempo todo e mostrou que estava completamente dentro da partida. Dava para ver que o time sentia essa energia vindo da beira do campo. Não era um treinador distante, era alguém que acreditava e transmitia isso o tempo inteiro.
As decisões foram dando certo, o time foi se encaixando e respondendo. Jogadores mudando de função, se ajudando, correndo um pelo outro. Nada de estrelismo, só entrega. E depois do jogo, na coletiva, Anselmi resumiu bem o que vimos: um elenco curto, mas com muita fome. Fome de competir, de ganhar, de mostrar que pode mais.
Foi uma noite em que deu pra sentir que o grupo comprou a ideia. Treinador e time falando a mesma língua. E quando isso acontece, o torcedor percebe na hora.
PRÓXIMAS PARTIDAS
O Botafogo já vira a chave e no domingo (1), às 20h30, enfrenta o Fluminense no Nilton Santos, pelo Campeonato Carioca. Depois, na quarta-feira (4), às 21h30, o desafio será fora de casa, contra o Grêmio, em Porto Alegre, pela segunda rodada do Brasileirão.
Por Rafaela Esteves
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