Corinthians estreia no Brasileirão com derrota e sensação de déjà-vu
O Brasileirão começou, e com ele começou também aquele velho tormento do torcedor corinthiano. Parece carma. Parece castigo. Parece que todo ano a gente senta no sofá achando que vai ser diferente… e logo no primeiro jogo vem o balde de água fria. A estreia foi daquelas pra apagar da memória.
Na primeira rodada do Campeonato Brasileiro, o Corinthians perdeu para o Bahia por 2 a 1, de virada, na Vila Belmiro. Um jogo que tinha tudo pra ser um começo minimamente digno, mas que terminou do jeito que a Fiel infelizmente já conhece bem.

O primeiro tempo até enganou.
O Corinthians começou melhor, mais organizado, com o trio GYM finalmente junto em campo. Garro chamou a responsabilidade, achou espaços pelo meio e mostrou que, quando está em campo, o time tem cérebro. Foi dele a assistência para o gol de Breno Bidon e outras bolas que poderiam ter matado o jogo cedo.
Garro ainda está longe do ideal fisicamente, mas mesmo assim foi o melhor do time. E isso diz muito. Bastaram poucos minutos para lembrar aquele jogador que fez o torcedor sonhar em 2024. Quando ele joga, o Corinthians cresce. Quando ele cansa, o time simplesmente some.
Memphis também voltou e, apesar de cansado em vários momentos, deu alguns sinais positivos. Ainda sem ritmo, ainda longe do melhor, mas mostrou presença, personalidade e deixou claro que será decisivo ao longo da temporada.
Sobre o Yuri Alberto eu prefiro não comentar! Claramente já está com a cabeça na Europa e, se é isso o que realmente quer, para que ficar? Não dá para, simplesmente, só lembrar de apresentar um bom futebol no final da temporada. É displicência e falta de respeito com o torcedor.
E aí entram os erros que não podem mais ser normalizados. Hugo Souza falhou. De novo. E a segunda falha pesa ainda mais, porque não é acaso, é repetição. Em Brasileirão, erro assim custa caro. Muito caro. Não dá pra começar um campeonato longo entregando pontos desse jeito.
Veio o segundo tempo… E o Corinthians resolveu ser Corinthians no pior sentido possível.
O time voltou desligado, espaçado, sem intensidade e com aquela postura irritante de quem acha que o jogo já está ganho. O Bahia cresceu, acreditou e virou com méritos que foram muito mais pela incompetência do Corinthians do que por um grande futebol apresentado.
O Corinthians tentou reagir, mas já era tarde. Faltou organização, sobrou nervosismo e a sensação foi aquela clássica: um time que se complica sozinho. Usar o jogo do Brasileiro como laboratório incomoda, porque depois ninguém devolve os pontos perdidos lá na frente.
A gente entende o contexto. Foco na Supercopa, pouco tempo de preparação, elenco em construção. Mas entender não significa aceitar.
O torcedor já viu esse filme diversas vezes. Começa tropeçando, passa o campeonato inteiro correndo atrás e termina olhando mais pra baixo do que pra cima. E é exatamente isso que dá medo e desanima logo na estreia.
Ainda assim, se apega ao que dá. Garro voltou bem. Memphis voltou. O time cria, mas precisa parar de se sabotar.
Que esse jogo não seja mais um déjà-vu dos últimos Brasileirões. Que o Corinthians acorde agora, ajuste o time e pare de transformar todo início de campeonato em sofrimento antecipado.
A Fiel cobra porque se importa. Corneta porque ama.
E espera (mais uma vez) que o Corinthians reaja, cresça e consiga brigar na parte de cima da tabela. Porque sofrer todo ano já cansou.
Domingo (1), contra o Flamengo, tem decisão da Supercopa. O duelo, que será às 16h no estádio Mané Garrincha, em Brasília, marca o encontro de dois times que precisam se recuperar neste início de temporada, e nada como uma taça para dar aquela injeção de ânimo. Que venha a reação o quanto antes.
Por Roanna Marques
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.