Já pode se estressar?


Flamengo sai na frente, perde o controle com as substituições e estreia no Brasileirão com derrota indigesta no MorumBis

Disseram durante semanas que não valia a pena se estressar com o Carioca, que era começo de temporada, que o importante viria depois. Mas, na noite desta quarta-feira (28), o Flamengo estreou no Campeonato Brasileiro com uma derrota por 2 a 1 para o São Paulo, no MorumBis, pela primeira rodada da competição, e o incômodo voltou a bater forte. 

O Rubro-Negro saiu na frente com gol de Gonzalo Plata, após linda assistência de peito de Pedro, mas sofreu a virada com gols de Luciano e Danielzinho. Um roteiro que deixou mais frustração do que a simples soma de um resultado negativo.

Foto: Adriano Fontes/Flamengo

O Flamengo começou melhor, com postura dominante e controle da posse desde os primeiros minutos. Cebolinha era o jogador mais lúcido em campo, Carrascal se movimentava bem e o time de Filipe Luís encontrava espaços. Aos 13’, veio a primeira grande chance: Cebolinha encontrou Carrascal em condição clara, mas o colombiano finalizou para fora. 

O São Paulo respondeu com Luciano, que assustou em chute de média distância, mas o panorama da primeira etapa seguiu favorável ao Flamengo, que rondava a área, mas pecava na definição. Faltou transformar volume em vantagem concreta.

O segundo tempo começou como o torcedor esperava: com o Flamengo impondo ritmo e sendo recompensado por isso. Aos 9’, Alex Sandro cruzou, Pedro ajeitou de peito com categoria e Plata apareceu bem na pequena área para abrir o placar. Era o cenário ideal para controlar o jogo. Logo após o gol, Filipe Luís promoveu as entradas de Arrascaeta e Jorginho, ambos estreando na temporada, e ali, paradoxalmente, o jogo começou a dar errado.

Aos 19’, Luciano empatou em jogada aérea, levando vantagem sobre Léo Pereira. Pouco depois, aos 25’, veio o golpe mais duro: Pulgar falhou na interceptação de um cruzamento e a bola sobrou limpa para Danielzinho virar o jogo. O São Paulo recuou, fechou os espaços e passou a jogar com o relógio e com o desespero rubro-negro.

O Flamengo tentou reagir na base da pressão final. Teve escanteios, cruzamentos, bolas alçadas, disputa física. E teve, no último lance, a chance que resumiu a noite. Plata cabeceou, Rafael salvou o São Paulo, e no rebote, Arrascaeta — livre, dentro da área — finalizou para fora. Um erro inacreditável, que coroou uma atuação desastrosa do camisa 10 desde que entrou: decisões erradas, passes errados, tempo de bola errado. O peso da falta de ritmo explica, mas não apaga o impacto negativo. Há muito tempo uma substituição não desmontava tanto um time.

Foto: Adriano Fontes/Flamengo

Ainda houve confusão após o apito final, reclamações de pênalti ignoradas por Wilton Pereira Sampaio e expulsão de Jorginho por protesto. Um fim caótico para uma noite que começou controlada e terminou indigesta.

A derrota na estreia não define campeonato, mas define sensação. E a sensação é de alerta. Porque quando o time joga melhor, sai na frente, e mesmo assim permite a virada após suas próprias mudanças, a frustração cresce mais do que a tabela mostra. Talvez o Carioca não merecesse estresse. Mas o Brasileiro, sim. E ele já começou.

Agora, é concentrar as forças para a decisão da Supercopa, que será neste domingo (1), contra o Corinthians, às 16h, no estádio Mané Garrincha, em Brasília. Vale muito, vale taça, a primeira da temporada e, porque não dizer, a recuperação da confiança para a sequência do ano.

Por Rayanne Saturnino 

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo


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