Ataque total, resultado zero


Internacional domina o Athletico-PR, mas peca na precisão e estreia com revés

O Internacional estreou no Campeonato Brasileiro de 2026 com um resultado amargo no Beira-Rio. Na noite desta quarta-feira (28), o time comandado por Paulo Pezzolano dominou as ações e buscou o gol até o último segundo, mas acabou superado pelo Athletico-PR por 1 a 0. Em uma noite de “balde de água fria”, o Colorado teve dois gols anulados, esbarrou em uma atuação inspirada do goleiro Santos e na eficiente retranca montada por Odair Hellmann.

Imagem: Ricardo Duarte/Internacional

Desde os primeiros movimentos, a postura do time de Paulo Pezzolano foi de um mandante que não aceitaria nada menos que os três pontos. O Inter iniciou a partida com uma marcação pressão que impedia a saída de bola paranaense, forçando erros e mantendo a posse no campo de ataque. Alan Patrick, flutuando entre as linhas defensivas, era o cérebro de uma equipe que parecia pronta para golear. 

Contudo, o futebol pune a desatenção com rapidez cruel. Aos 8 minutos, em uma tentativa de construção desde o campo de defesa, o jovem Victor Gabriel cometeu um erro de passe fatal na entrada da área. A bola caiu nos pés de Viveros, que com um toque sutil serviu Mendoza. O atacante do Furacão, em sua única oportunidade clara na partida, bateu cruzado e rasteiro, vencendo o goleiro Rochet e jogando um balde de água gelada na euforia colorada.

O que se viu após o gol foi um Internacional ferido, mas extremamente agressivo. A equipe não se desestruturou e passou a sitiar a área do goleiro Santos de todas as formas possíveis. Bernabei era uma válvula de escape constante pela esquerda, cruzando bolas perigosas que buscavam a presença de área de Rafael Borré. 

Aos 22 minutos, o grito de gol finalmente ecoou no Beira-Rio após uma trama envolvente que terminou com a finalização do colombiano para as redes. No entanto, a agonia começou com a demora do VAR. Após quatro minutos de análise das linhas virtuais, a arbitragem assinalou um impedimento milimétrico, anulando o que seria o empate justo. O Inter não se abateu e seguiu empilhando chances, mas sem sucesso.

Na volta para a etapa final, o jogo virou um verdadeiro ataque contra defesa. O Athletico-PR, sob o comando de Odair Hellmann, abdicou completamente de jogar e montou uma “muralha” na frente da área, com duas linhas de quatro jogadores muito compactas. O Inter circulava a bola com paciência, mas a ansiedade começava a tomar conta das arquibancadas à medida que o tempo passava e as finalizações de Vitinho e Villagra paravam na defesa ou saíam por centímetros. O volume de jogo era esmagador, com o Colorado chegando a registrar 75% de posse de bola em determinados trechos do segundo tempo.

O ápice do drama ocorreu aos 31 minutos da segunda etapa. Em um escanteio cobrado com maestria por Alan Patrick, o zagueiro Félix Torres subiu mais que todo mundo e cabeceou com força, estufando as redes e causando uma explosão de júbilo em Porto Alegre. Contudo, o roteiro de frustração se repetiu: o árbitro foi chamado ao monitor para revisar um possível toque de mão. As imagens mostraram que, no movimento de impulsão, a bola roçou levemente no braço do defensor equatoriano antes de entrar. Pela regra atual, qualquer toque de mão no ataque que resulte em gol imediato deve ser anulado. A decisão gerou uma onda de indignação no banco de reservas e nas tribunas, minando o fôlego emocional da equipe para o trecho final.

Mesmo sob forte pressão psicológica e com o relógio jogando contra, o Inter buscou o empate até o último suspiro dos acréscimos. Já nos 50 minutos, Borré teve a chance da redenção ao receber um passe açucarado de Aguirre, mas seu chute de primeira raspou a trave direita e saiu, para o desespero dos torcedores. O apito final selou uma derrota amarga, onde a estatística apontou 24 finalizações do Inter contra apenas duas do Athletico. O Colorado deixou o gramado sob um misto de aplausos pelo esforço e vaias direcionadas à arbitragem. 

Fica a lição de que, no Brasileirão, o domínio estéril precisa ser traduzido em gols, e o time agora precisa recuperar esses pontos perdidos contra o Flamengo, fora de casa, para não permitir que o início de campeonato se torne uma crise de resultados.

O próximo compromisso do Colorado acontece no próximo sábado (31), às 16h30, contra o Caxias, fora de casa, pela última rodada do Campeonato Gaúcho antes das quartas de final.

Por Larissa Ferreira

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo


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