Internacional atropela e se mantém como o único gaúcho com 100% de aproveitamento
Na noite desta quinta-feira (15), o Internacional decidiu fazer o final de semana chegar mais cedo para o seu torcedor. Embalados por um calor de quase 40ºC, os jogadores colorados foram até o Passo D’areia, em Porto Alegre, enfrentar o Monsoon pela segunda rodada do Gauchão e mostrar que a Zona Norte é, sim, Inter! Em um resultado avassalador, o Clube do Povo disparou um 4 a 0 em cima do Tubarão com gols de João Victor, Allex e Rafael Borré duas vezes. Honestamente? Uma noite dos sonhos, mesmo ante um adversário inferior.

O Inter entrou em campo com um verdadeiro time misto, integrando alguns considerados titulares ao lado de representantes do Celeiro de Ases. O grupo começou bem, atacando os espaços a fim de envolver os donos da casa em suas jogadas dinâmicas. Com Alisson mais espetado lá na frente pela esquerda e Bruno Gomes movimentando o lado direito, o DNA da partida foi agressivo.
João Bezerra e Benjamin começaram o jogo muito bem, mostrando vontade e raça para se manter ativos e atacando espaços em busca do gol. No primeiro minuto, o camisa 49 já conseguiu finalizar para fora depois de um erro de marcação da defesa do Monsoon. O jogo não estava faltoso, mas também não estava exatamente fluindo. O Colorado estava bem defensivamente, mas suas saídas de bola não estavam sendo convertidas em ataques eficientes. Mesmo assim, a bola mal saía dos nossos pés.
Contudo, aos 37 minutos, bem no finalzinho do primeiro tempo, Ronaldo lançou João Victor em profundidade, colocando o companheiro em vantagem diante dos adversários. Um zagueiro do Tubarão até tentou cortar a jogada, mas foi impedido pelo swing brasileiro do meia colorado. João foi gelado e finalizou rasteiro na saída do goleiro Pavan, sagrando o 1×0 para os visitantes.
A desenvoltura do Celeiro de Ases e a falta de eficiência do Monsoon fez o primeiro tempo acabar com o Inter na frente e o com goleiro Anthoni quase sem tocar na bola. Na etapa complementar, porém, o Colorado acabou se acostumando com o lucro no placar e se tornando um pouco mais lento nas disputas. Paulo Baier, treinador do Monsoon, fez algumas mudanças que tornaram os donos da casa mais agressivos e maliciosos, chegando perto do gol algumas vezes. Como resposta, Papa Pezzolano promoveu três entradas aos 12 minutos. Bernabei, Aguirre e, o nome do jogo, Borré, entraram com a responsabilidade de voltar a dominar as ações. E conseguiram!
A primeira ação de Borré após a promoção foi fazer uma falta, o que broxou um pouco a torcida. Contudo, com apenas três minutos em campo, o camisa 19 mostrou que, talvez, tenha finalmente desencantado. Aos 15’, Cafecito levou a bola até a linha de fundo e mandou um chute rasteiro em direção a área. Esperando por aquele lançamento estava Rafael Santos Borré que, como um centroavante deve fazer, pimbou na gorduchinha de primeira e mandou para o fundo da rede. FAÇA A REVERÊNCIA IMEDIATAMENTE POIS LA MÁQUINA MARCOU DEPOIS DE TRÊS MESES DE SECA!
Este gol parece ter virado alguma chave no time, pois pareciam estar jogando na formação 0-0-11 depois da ampliação do placar. Após 20 minutos de pressão, Bruno Gomes cruzou um escanteio na área e achou seu centroavante pronto para meter de cabeça para dentro da meta. Com 23 minutos de promoção, Borré conseguiu dois gols no mesmo jogo e levou a torcida à loucura.
Mesmo assim, La Máquina queria um feito inédito desde a sua chegada no Inter. Rafa, como chamam os íntimos, queria acabar uma partida com 3 participações em gol pela primeira vez desde sua recepção no aeroporto Salgado Filho. O camisa 19 queria mostrar que voltou diferente e nos encher de esperança e foi isso que ele fez.

Praticamente no apagar das luzes, aos 41 minutos do segundo tempo, a jogada toda trabalhada pelos jogadores da esquerda, acabou nos pés de Borré. Muito rapidamente, o atacante percebeu Allex, meio-campista cria do Celeiro, avançando junto com a bola, ultrapassando a marcação e aparecendo livre dentro da área. Com apenas um toquinho nojento e debochado, o camisa 19 projetou a pelota para que o camisa 31 chumbasse a finalização de perna esquerda para dentro do gol, finalizando, assim, o 4×0 – fora o baile – do Colorado.
Sim, eu sei que é cedo e sei que o Monsoon não chega perto – nem em investimento, nem em habilidade – dos times que precisaremos enfrentar esse ano. Mesmo assim, que noite mágica. Vimos os Guris do Celeiro confiantes e desfilando um bom futebol fora de casa. Vimos o professor testando uma formação agressiva e intensa, que ataca espaços e torna todos muito mais ambiciosos e oportunistas. Vimos, também, o Colorado se tornar o único time do Gauchão com 100% de aproveitamento em apenas duas rodadas. E, por fim, vimos Borré conduzir a vitória e transformá-la em uma goleada.
Que os Deuses e as Deusas do futebol permitam que, finalmente, nosso camisa 19 tenha desencantado e que ele possa, de uma vez por todas, se tornar o matador que tanto pedimos. Que, depois de tanto tempo, tenhamos um 9 de corpo e alma, pronto para acabar com qualquer jogo, não só no estadual. Que a gente possa ser feliz com um grupo que entende o Inter e, mais do que tudo, entende a gente. Entende a nossa ânsia por vitórias e a nossa ansiedade para que os tempos sombrios acabem.
Deus, que esse seja o time que daria a vida por um campeonato porque nós estaremos atrás do gol cantando, bebendo e querendo o Inter mais do que a qualquer coisa de qualquer jeito.
O Internacional volta a campo no domingo (18), às 18h, para defender a liderança do seu grupo contra o Ypiranga, em Erechim.
Por Luiza Corrêa
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